Editorial

«É na luta organizada e confiante que se encontra o caminho»

A VERDADE DOS FACTOS

Repita-se o que a verdade dos factos exige que seja repetido: agrava-se e degrada-se a situação do País e do povo; a exploração dos trabalhadores acentua-se e surge cada vez mais ligada à violação de direitos, à repressão, aos cortes nos salários, aos salários em atraso; o desemprego atingiu o nível mais elevado desde o tempo do fascismo – e este é um dado cuja relevância e o significado estão bem patentes nos esforços dos propagandistas da política de direita para o menorizar e banalizar; as injustiças sociais sobem em espiral; cresce o número de pobres, de sem-abrigo, de famílias sem recursos para fazer face aos gastos essenciais, indispensáveis à sua sobrevivência: a comida, a saúde, a água, o gás, a electricidade; os direitos humanos são todos os dias espezinhados e violados – tudo em nome de uma «crise» que tem a particularidade de só atingir os interesses dos trabalhadores e do povo; de um «memorando» que, como o PCP tem justamente realçado, não passa de um verdadeiro pacto de agressão contra Portugal, contra a imensa maioria dos portugueses e a favor da imensa minoria composta pelos donos dos grandes grupos económicos e financeiros – que se apresentam arrogantemente como donos disto tudo, o Governo incluído.

Acresce que as consequências da política das troikas atingirão novos e mais graves patamares no futuro imediato – agora, com a aplicação das primeiras medidas inscritas no Orçamento do Estado para 2013; já a seguir, com o flagelo pomposamente designado por «refundação do Estado», mais o proclamado golpe dos quatro mil milhões de euros; posteriormente com aquilo a que têm vindo a chamar o «pós-troika», ou seja, a continuação, no concreto, do pacto de agressão quando ele chegar ao fim em termos de calendário.

Enquanto isso, o BPI anunciou os seus chorudos lucros, em boa parte resultantes da especulação com a dívida pública, isto é, roubados aos trabalhadores, ao povo e ao País – e, em simultâneo, o recorrente Ulrich, cavalgando a provocação e a arrogância com tiques do antigamente, insiste em bolsar insultos sobre milhões de portugueses – com isso expressando inequivocamente a concepção do grande capital e da política de direita, de momento executada pelo Governo PSD/CDS, em matéria de agravamento das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo português.

Ao mesmo tempo, e sempre seguindo diligentemente o traço riscado no chão pelos donos, o primeiro-ministro Passos Coelho procedeu a uma «remodelação», traduzida na substituição de uns quantos secretários de Estado. Uma substituição também ela bem elucidativa sobre a natureza do Governo, a sua política e os seus objectivos e de que são exemplos luminares: a designação – para secretário de Estado do Empreendimento, Competitividade e Inovação (siglas grandíloquas e carregadas de «modernidade» é o que não falta no linguajar destes políticos velhos, executantes de velhas políticas) – nem mais nem menos do que um ex-quadro do BPN, ligado à colossal fraude ali levada a cabo e cujas consequências recaíram, no essencial, sobre os trabalhadores e o povo; e a escolha, para secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar (a sigla hiperbólica não podia faltar…), nem menos nem mais do que de um ex-quadro do Grupo Jerónimo Martins – o qual, nas suas novas tarefas, vai ser responsável, pois claro!, por uma estrutura de ligação entre as grandes superfícies e as associações agrícolas.

Passos Coelho não podia escolher melhor. Escolheu os homens certos para os lugares certos. A bem da política das troikas e do seu pacto de agressão. A bem do grande capital nacional e transnacional.

Tudo o que acima é dito – e mais o muito mais que fica por dizer – coloca com cada vez maior premência e urgência a substituição deste Governo e desta política por um governo e uma política patrióticos e de esquerda. A rejeição desse instrumento predador que é o pacto de agressão, a ruptura com a política de direita e a consequente implementação da alternativa necessária – a alternativa ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal – apresentam-se, assim, como objectivos maiores para os trabalhadores, as forças democráticas e patrióticas, o povo português.

Os caminhos para alcançar esses objectivos estão traçados, sem margem para dúvidas, e há que segui-los com determinação, perseverança, coragem e confiança. Há que prosseguir, intensificar e alargar a luta das massas trabalhadoras e populares.

A luta nos sectores, empresas e locais de trabalho – como, por exemplo, as que têm vindo a ser desenvolvidas pelos trabalhadores do Metro de Lisboa e do STCP. A luta nas localidades, em torno das reivindicações mais sentidas das populações, designadamente o combate – que há que continuar – contra a extinção das freguesias e em defesa do Poder Local Democrático. As grandes movimentações de massas, como as que a CGTP-IN convocou para o próximo dia 16, nos vários distritos – e para o êxito das quais é indispensável um intenso trabalho de esclarecimento e convencimento, um trabalho que, vencendo as hesitações, conformismos, resignações e medos espalhados pela ofensiva ideológica destilada pelos propagandistas do grande capital e da política de direita, conduza a uma forte mobilização e traga para as ruas das várias cidades, a força do protesto e da exigência de mudança dos trabalhadores e do povo.

Porque é aí, na luta organizada e confiante, que se encontra o caminho para a solução dos muitos e graves dramas que pesam sobre a maioria dos portugueses.


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