As potências da NATO forçam a internacionalização do conflito
Agressão imperialista à Síria
Crime que exige condenação

O ataque israelita nos arredores da capital, Damasco, foi «um acto de agressão ilegal e ilegítimo, contra um país soberano, que não pode ficar impune e deve ser prontamente condenado pelos governos e instituições internacionais», considera o PCP.

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Em nota à imprensa divulgada um dia depois da força aérea de Israel «violar o espaço aéreo e a integridade territorial da Síria» bombardeando um complexo de investigação militar sírio, o Partido lembrou, igualmente, «que à luz da Constituição da República», o «Governo português está obrigado a condenar» o acto, indissociável e revelador, acrescenta-se, «dos reais planos das principais potências imperialistas da NATO e das ditaduras monárquicas do Golfo Pérsico de desestabilização, ingerência externa e agressão contra a Síria», provocação que, «se não for imediatamente travada e cabalmente condenada», encerra «enormes perigos para a paz e para os povos da região», aduz-se ainda no texto.

Reagindo igualmente ao ataque israelita do passado dia 30 de Janeiro, o Conselho Português para a Paz e a Cooperação notou que «esta actuação de Israel agrava e alarga ainda mais o conflito sírio, (...) gerado e alimentado por interesses e potências exteriores – à revelia do governo legítimo e das forças sociais e políticas sírias – que, com financiamento, equipamento, e orquestrada cobertura diplomática e mediática, são responsáveis pela actuação quotidiana das denominadas “forças da oposição”, sobre as quais todos os dias surgem evidências de responsabilidade de massacres de civis e inúmeros outros crimes».

Travar a barbárie

Já este domingo, o presidente sírio, Bashar Al-Assad, acusou Israel de pretender desestabilizar e enfraquecer o país. De acordo com a agência estatal Sana, Assad também manifestou confiança de que a Síria, «apoiada pela lucidez do seu povo, o poder do seu exército e o seu compromisso com a política de resistência, será capaz de enfrentar qualquer agressão contra o seu povo».

Israel não confirmou oficialmente os bombardeamentos, mas nos dias que antecederam o ataque o governo sionista insistiu no risco que representava a transferência de armas para o movimento libanês Hezbollah.

As mesmas suspeitas (a carecerem de provas, diga-se), foram, já depois do raide aéreo, usadas pelos EUA para justificarem a operação militar israelita. À AFP, o secretário da Defesa norte-americano, Leon Panetta, garantiu que Washington está a trabalhar em estreita colaboração com a Jordânia, a Turquia e Israel com o objectivo de manter controlado o arsenal sírio.

A internacionalização do conflito sírio é uma estratégia clara do imperialismo, que no final de Janeiro comunicou com foguetório a conclusão da instalação das seis primeiras baterias de mísseis da NATO na Turquia.

Envolver e instigar nações vizinhas numa guerra contra a Síria é um intuito tanto mais claro quanto é o próprio Conselho Nacional Sírio quem, esta semana, admitiu, uma vez mais, em entrevista difundida pela RT, que o conflito não se resolve no campo de batalha e em resultado da acção dos grupos armados, mesmo que estes, como sublinhou o enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, «destruam o território perante os nossos olhos».

Brahimi proferiu estas declarações horas depois de terem sido encontrados dezenas de cadáveres de homens executados numa zona da cidade de Aleppo, previamente ocupada pelos bandos terroristas.



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