Editorial

«Comemoramos o 92.º aniversário do PCP à nossa maneira comunista: lutando»

A MELHOR PRENDA DE ANIVERSÁRIO

Comemoramos o 92.º aniversário do PCP à nossa maneira comunista: lutando. Ocupando, hoje tal como sempre no passado, o lugar que nos compete: a primeira fila da luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Lutando em várias frentes – e sempre tendo como preocupação dominante o reforço do Partido, como não podia deixar de ser – enfrentamos a política das troikas e contrapomos-lhe uma política alternativa, patriótica e de esquerda, inspirada nos valores de Abril.

É esse objectivo que, na situação actual, está presente em todas as muitas e diversificadas iniciativas em que intervém o colectivo partidário comunista. Quer sejam iniciativas próprias do Partido – como, por exemplo, a campanha nacional «por uma política alternativa, patriótica e de esquerda» –, quer sejam realizações com outras origens, como sejam as muitas e intensas lutas desenvolvidas pelos trabalhadores e pelas populações contra a política e o governo de direita e por um novo rumo para Portugal – em todas elas os militantes comunistas estão presentes com a sua intervenção determinada e confiante.

E nunca é demais sublinhar – e valorizar devidamente – o caudal de lutas que nos últimos tempos, envolvendo milhares e milhares de pessoas, tem vindo a dar expressão ao profundo e amplo descontentamento do povo face à situação actual, ao mesmo tempo que confirma o repúdio pela política de direita e o crescente isolamento do governo PSD/CDS, executante actual dessa política. Da mesma forma que se impõe acentuar a necessidade do prosseguimento, alargamento e intensificação da luta das massas trabalhadoras e populares no futuro imediato – com a consciência de que se trata de um combate de grande fôlego, a exigir muita determinação, muita perseverança, muita organização. Porque é na luta organizada das massas que está a chave que abrirá os caminhos que, mais tarde ou mais cedo mas inevitavelmente, conduzirão a um Portugal próspero, independente e soberano, com justiça social.

No sábado passado, por todo o País, o povo saiu à rua em massa, numa inequívoca manifestação de protesto e de exigência urgente do fim do Governo e da política das troikas, de exigência de uma política inspirada em Abril. Com efeito, foi Abril, uma vez mais, que esteve na rua, com as suas referências essenciais: os seus valores, os seus ideais, as suas canções, as suas palavras de ordem – e como que a relembrar que a nossa luta é uma luta contínua, de todos os dias, que o dia que se segue a cada luta é sempre outro dia de luta.

Que assim é, diz-nos, claramente, o calendário deste mês de Março – mês da luta que continua, organizada, e cria condições para, organizada, continuar nos meses seguintes; mês de luta em múltiplos sectores, empresas e locais de trabalho e que assumirá significativas expressões de rua.

Assim, no próximo sábado, dia 9, lá estarão os trabalhadores dos transportes, numa manifestação nacional, em Lisboa, prosseguindo a luta que, com expressivas adesões, têm vindo a levar a cabo.

No dia 15 será a vez de os trabalhadores da Administração Pública virem uma vez mais à rua, também numa manifestação nacional e também em Lisboa – e também dando continuidade a lutas anteriores e criando condições para as necessárias lutas futuras.

No dia 27, uma manifestação nacional trará às ruas da capital os protestos e as exigências da Juventude – que não desiste de fazer valer os seus direitos e de desempenhar o papel que lhe compete no presente e no futuro de Portugal.

Depois – em Abril e Maio… – a luta continua.

Comemoramos, então, lutando, o 92.º aniversário do PCP.

E basta deitar um olhar à Agenda do Avante! das últimas semanas, para ficarmos com uma ideia aproximada sobre a intensa actividade do PCP: centenas de realizações ligadas às comemorações do 82.º e 92.º aniversários do Avante! e do PCP; outras tantas dedicadas ao centenário do nascimento do camarada Álvaro Cunhal; muitas outras relacionadas com a preparação das eleições autárquicas; outras ainda, no âmbito da campanha nacional «por uma política alternativa, patriótica e de esquerda»…

Tudo isto envolvendo muitos milhares de militantes e amigos do Partido, de homens, mulheres e jovens para os quais o PCP constitui uma referência fundamental enquanto grande partido da resistência e da unidade antifascistas e da luta pela liberdade; enquanto motor decisivo da revolução de Abril, das suas conquistas, da democracia avançada que a Constituição da República Portuguesa consagrou; enquanto organizador e construtor da resistência à contra-revolução que há quase trinta e sete anos flagela Portugal e os portugueses; enquanto força organizada que lutará até alcançar a democracia avançada inspirada nos valores de Abril que, no seu XIX Congresso, propôs ao povo português; enquanto partido revolucionário, marxista-leninista, que em momento algum desistirá do combate para alcançar o seu objectivo supremo: a construção no nosso País de uma sociedade socialista e comunista.

E há que dizer que não haveria prenda de aniversário mais apropriada do que esta para comemorar mais um aniversário de um Partido como este.

Da mesma forma, é prosseguindo a luta pelas causas e objectivos de sempre e tendo presentes as experiências e os ensinamentos recolhidos ao longo de décadas, que o colectivo partidário comemora, à sua maneira comunista, o centenário do nascimento do camarada Álvaro Cunhal – que foi, bem o sabemos, o mais destacado operário desta admirável construção colectiva que é o nosso Partido Comunista Português.


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