O Governo não tem solução para problemas que a sua política cria
Compromisso aplaudido nos transportes
Semana de lutas<br>segue em Março

Na tarde de sábado, dia 9, teve lugar em Lisboa «uma grande manifestação, a culminar uma semana de lutas, num quadro de forte unidade na acção», mas «esta luta não começou nem vai terminar aqui», garantiu José Manuel Oliveira, frente ao Parlamento.

 

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O coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) condenou aqueles que se mostraram incomodados com esta manifestação e com as greves e acções de protesto realizadas nos dias que a antecederam. Ao fazerem «provocações que nada acrescentam», figuras como Sérgio Monteiro e Helder Amaral vêm mostrar que «não têm solução» para os problemas que a sua política originou. A referência ao deputado do CDS suscitou uma sonora vaia. Para ele e para o secretário de Estado dos Transportes, os manifestantes voltaram a gritar «está na hora, está na hora, de o Governo se ir embora», como tinham feito ao longo do desfile, desde a Praça Luís de Camões.
Depois da intervenção de José Manuel Oliveira, cantou-se «Grândola, Vila Morena» e o hino nacional. As despedidas foram também confirmação dos próximos encontros, na luta que não vai parar, contra o roubo de salários e de direitos (destacando-se o mais recentemente atacado direito centenário a concessões de transporte gratuito para trabalhadores, reformados e familiares), contra a liquidação do serviço público e a sua entrega a grupos privados, como negócio que terá lucros garantidos pelo dinheiro do Estado e pela acentuada exploração dos trabalhadores.
O primeiro a falar, no palco móvel instalado no fundo da escadaria do Palácio de São Bento, foi um dirigente da Inter-Reformados. Lembrou que a retirada do direito a transporte gratuito aos antigos trabalhadores ferroviários faz parte da mesma política que já tinha determinado o congelamento das reformas e o roubo dos subsídios de férias e de Natal.
Foi calorosamente saudada a intervenção do coordenador da Comissão de Trabalhadores da TAP – o caso de mais destaque nas próximas lutas agendadas contra o roubo dos salários. Como salientou Vítor Baeta, o ataque aos salários veio reforçar a ampla unidade que já se sentia em torno da contestação da privatização da transportadora aérea nacional, levando a que a greve, convocada para dias 21, 22 e 23, tenha o apoio dos doze sindicatos com associados nas empresas do Grupo TAP, um facto inédito nos 68 anos de história da companhia de bandeira.
Intervieram ainda dirigentes do STTM (um dos sindicatos do Metropolitano de Lisboa) e do Sinafe (sindicato de ferroviários filiado na UGT).
Foi recebida com calorosos aplausos a referência à presença, nesta acção, de representantes dos trabalhadores da Vimeca que estão a sofrer a repressão patronal, ameaçados de despedimento. Também foi aplaudida a presença solidária de representantes do Partido Ecologista «Os Verdes» e do PCP.
Bruno Dias e Júlio Vintém, membros do Comité Central do Partido, acompanharam a manifestação.
Arménio Carlos, como trabalhador do sector e como Secretário-geral da CGTP-IN, fez todo o percurso e, em declarações à comunicação social, salientou a importância desta luta e os perigos da actual política, do ponto de vista do serviço público e dos interesses dos utentes.
Foi assinalada ainda a recepção de saudações do Movimento de Utentes de Serviços Públicos (tanto a sua direcção de âmbito nacional, como de estruturas regionais) e da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul.

Governo a mais

A manifestação de dia 9 e a convergência de lutas nos dias que a precederam foram decididas a 6 de Fevereiro, num encontro que reuniu representantes de três dezenas de estruturas representativas dos trabalhadores e muitos reformados, para debater a situação nas empresas do sector e construir respostas comuns. Mas este movimento de resistência e luta, envolvendo comissões de trabalhadores, sindicatos da CGTP-IN e outros, mostrou já a sua força mobilizadora, com a grande manifestação realizada a 20 de Outubro de 2011, antecedida de fortes lutas contra os cortes que nesse ano começaram a ser impostos, por via do Orçamento do Estado, e contra os objectivos inscritos pelo Governo no «plano estratégico de transportes».
A semana de lutas, como refere a Fectrans, num balanço que divulgou após a manifestação, mobilizou milhares de trabalhadores, a partir dos problemas concretos de cada empresa e de problemas e reivindicações comuns. O Governo desdobrou-se «em entrevistas e declarações, com o objectivo de voltar utentes contra trabalhadores, mas sem dar qualquer resposta concreta às propostas e reivindicações», o que levou a federação a reafirmar: «os trabalhadores fazem parte da solução, mas o Governo e este secretário de Estado fazem parte do problema».

 

- Dias de lutar

- Razões também dos utentes


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