Editorial

«A luta contra a política das troikas e por uma política patriótica e de esquerda é uma luta por Abril»

ABRIL SEMPRE

Mais uma vez comemoramos Abril. E mais uma vez o fazemos em festa e em luta.

Em festa, recordando os dias luminosos da Revolução de Abril, com as suas conquistas que transformaram profunda e positivamente Portugal, conferindo aos trabalhadores e ao povo aqueles direitos fundamentais a que todo o ser humano, pelo simples facto de existir, tem direito.

Em luta, erguendo bem alto a bandeira dos valores e dos ideais transformadores de Abril, que constituem referências dominantes para a luta das massas trabalhadoras e populares no tempo que vivemos.

Em festa, porque é de Abril que se trata e Abril foi a maior e a mais bela festa da nossa vida colectiva, desde logo com aquele inesquecível dia 25 e, depois, com os dias, semanas e meses que se lhe sucederam e que, porque foram tempos de iniciação de um país novo, ficaram para sempre marcados nas nossas memórias e nos nossos corações.

Em luta, porque é necessário, é imperioso derrotar aqueles que, de há trinta e sete anos a esta parte, tudo têm tentado para cerrar definitivamente as portas que Abril abriu – e se preparam, agora, para dar mais um perigoso passo nesse sentido.

A vontade de lutar para pôr termo à política de direita devastadora de Abril e à alternância de governos gémeos na aplicação dessa política, sairá consideravelmente reforçada nos muitos e muitos milhares de portugueses que, por todo o País, comemoram o 39.º aniversário de Abril participando em múltiplas iniciativas – grandes manifestações de massas, almoços e jantares de confraternização, convívios e debates, espectáculos.

Na verdade, a luta contra a política das troikas e por uma política patriótica e de esquerda é uma luta por Abril, porque é uma luta pela democracia, pelo respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores e do povo, pelo progresso, pelo desenvolvimento, pela justiça social, pela independência nacional. E Abril foi tudo isso – daí o ódio que lhe votam o grande capital predador e os governantes seus fiéis servidores enquanto protagonistas da política de direita.

Ocorrem as comemorações de mais um aniversário de Abril num momento particularmente perigoso para o nosso País e o nosso povo, um momento em que o governo PSD/CDS – cada vez mais isolado e fragilizado, com apoios cada vez mais reduzidos, e vendo o tempo a fugir… – intensifica a sua obra de destruição de modo a não deixar pedra sobre pedra quando, contra a sua vontade mas pela vontade do povo, for forçado a ir fazer o inferno para outro lado. É isso que transparece, de forma clara, deste «programa» congeminado por Passos Coelho e Paulo Portas sob a batuta da troika FMI/BCE/UE, e que este Governo se prepara para levar por diante.

Trata-se, de facto, como sublinhou o Secretário-geral do PCP, na intervenção proferida no encerramento da IX Assembleia da Organização Regional de Braga, de «um programa de terrorismo social que, a concretizar-se, não só mutilará gravemente o regime democrático, como agravará ainda mais a recessão económica e o desemprego». Trata-se, efectivamente, de um novo e demolidor ataque aos rendimentos e aos direitos dos trabalhadores tanto do sector público como do privado; de um novo e demolidor assalto aos reformados e pensionistas, às funções sociais do Estado, aos direitos do povo à Saúde, à Educação, à Segurança Social. Trata-se de um novo e grave passo no aprofundamento do processo de extorsão dos trabalhadores e do povo a favor dos grandes grupos económicos e financeiros. Trata-se de um novo e mais perigoso avanço da ofensiva contra Abril e os seus valores, a sua democracia, a sua Constituição.

Trata-se, por tudo isso, da confirmação inequívoca de que deste Governo e da política por ele levada à prática, bem como de todos os governos executantes de tal política, nada mais há a esperar do que mais-do-mesmo-para-pior – e que a substituição do Governo e da política das troikas por um governo e uma política patrióticos e de esquerda, inspirados nos valores de Abril, se apresenta como um imperativo nacional a concretizar com carácter de urgência. Objectivo só alcançável através da intensificação e do alargamento da luta organizada das massas trabalhadoras e populares.

É também celebrando Abril que, de Norte a Sul do País, prosseguem as comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.

Em inúmeras iniciativas – colóquios, debates, espectáculos teatrais e musicais – milhares de militantes e simpatizantes do Partido, bem como muitos cidadãos de outras opções políticas e ideológicas, têm vindo a evocar a vida, a obra e o exemplo daquele que foi o mais destacado construtor da notável obra colectiva que é o Partido Comunista Português, confirmando assim que o prestígio de Álvaro Cunhal e a admiração pela sua coerência na longa caminhada de setenta e cinco anos de militância revolucionária se estendem muito para além do quadro partidário.

Momento a destacar no programa das comemorações é a Exposição a inaugurar no próximo sábado, pelas 15 horas, no Pátio da Galé e que ali permanecerá até 2 de Junho. Uma Exposição que, através de textos, fotografia, audiovisuais, documentos, objectos, livros, desenhos, reconstituições escultóricas, nos recordará a vida, a obra, o exemplo, a luta de Álvaro Cunhal.

E também as comemorações do Centenário, contribuindo para o reforço do Partido e dando mais força à intervenção do colectivo partidário comunista, dão mais força à luta geral dos trabalhadores e do povo visando pôr termo definitivo à política das troikas e conquistar um novo rumo para Portugal – um novo rumo inspirado nos valores e nos ideais de Abril.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: