Austeridade na Grécia soma crise à crise
Famílias gregas perderam um terço
dos rendimentos
A descida aos infernos

Desde o início da crise da dívida, em 2009, os gregos perderam praticamente um terço dos seus rendimentos, segundo dados divulgados, dia 19, pelo instituto de estatísticas helénico.

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Os números oficiais indicam que o rendimento nominal das famílias na Grécia caiu 22 por cento entre 2009 e 2012. No entanto, somando a inflação acumulada naquele período, que ascendeu a dez por cento, a perda real de poder de compra ronda um terço do rendimento disponível três anos antes.

A situação foi agravada pela redução em 15 por cento dos benefícios sociais ou pelos drásticos cortes nos serviços públicos. Por exemplo, o orçamento da Saúde baixou 23,7 por cento entre 2009 e 2011.

Ao mesmo tempo, o Governo aumentou brutalmente os impostos sobre os rendimentos, o consumo e a propriedade. Em média a imposição fiscal aumentou 17 por cento entre 2010 e 2012.

Não surpreende assim que o consumo interno tenha caído 16 por cento no mesmo lapso de tempo e, dado que o consumo privado representa um terço do Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia, o efeito da austeridade na economia tenha acrescentado mais crise à crise.

De 2008 até final deste ano, em que está prevista nova recessão de 4,5 por cento, o PIB grego terá regredido pelo menos 30 por cento, o que representa a maior recessão na história do país.

Mais despedimentos anunciados

Apesar destes resultados catastróficos, os credores da troika só abrem os cordões à bolsa em troca de novas medidas de austeridade. Na semana passada, o ministro das Finanças grego, Yannis Sturnaras, anunciou uma nova vaga de despedimentos no sector do Estado, condição exigida pelo Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia para libertarem os cerca de 2800 milhões de euros que estavam pendentes desde Março.

Até ao final do ano, quatro mil funcionários públicos perderão o seu posto de trabalho e seguir-se-á, em 2014, uma nova leva de 11 mil despedimentos.

As políticas da troika estão igualmente a traduzir-se numa degradação alarmante dos índices de saúde pública bem como num aumento acentuado da taxa mortalidade resultante de suicídios e homicídios.

Um estudo publicado, dia 18, nos EUA, pelo American Journal of Public Health mostra que aqueles indicadores subiram 22,7 e de 27,6 por cento respectivamente, entre 2007 e 2009.

O estudo refere ainda o aumento de 57 por cento de casos de infecção com VIH (vírus da imunodeficiência humana) entre 2010 e 2011, e o alastramento de doenças do foro psíquico.

Os investigadores previnem que a degradação dos indicadores de saúde pública poderá atingir outros países em situação económica difícil, incluindo os EUA, devido aos cortes orçamentais em curso. 



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