Editorial

«É imperioso e urgente dar mais força à luta organizada das massas trabalhadoras e populares»

LUTAR, LUTAR SEMPRE

Maio confirmou Abril: o Dia do Trabalhador deu a continuidade que se impunha às expressivas comemorações do Dia da Liberdade, lembrando-nos que, como a realidade nos mostrou há 39 anos, a liberdade é indissociável dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, nos quais reside, nunca é demais repetir, o interesse nacional – o verdadeiro interesse nacional e não aquele artifício a que os praticantes da política de direita costumam recorrer para tentar esconder a sua total submissão aos interesses do grande capital.

Em dezenas de localidades, os trabalhadores, respondendo ao apelo da CGTP-IN, ergueram, no seu dia, no 1.º de Maio, uma impressionante jornada de luta, amplamente participada, evidenciadora de uma elevada consciência política e social, plena de combatividade e de confiança – a confirmar que há condições para o desenvolvimento e intensificação da luta e que é este o caminho essencial, o único caminho, para dar a resposta necessária à política de direita e aos seus executantes. Aliás, o evoluir da situação nacional nos últimos meses mostra, sem margem para dúvidas, a importância decisiva da luta dos trabalhadores e do povo; mostra que, ao contrário do que propalam os propagandistas do grande capital, a luta valeu e vale a pena; mostra que lutar, lutar sempre é a solução para os problemas dos trabalhadores, do povo e do País.

Pelo que, se é verdade – e é! – que urge pôr fim a este Governo e a esta política, é igualmente verdade que é imperioso e urgente dar mais força à luta organizada das massas trabalhadoras e populares.

As grandiosas manifestações que assinalaram o 25 de Abril e o 1.º de Maio, têm a montante um vasto e diversificado conjunto de lutas – greves, paralisações, protestos, concentrações, marchas – bem reveladoras do avanço da consciencialização dos trabalhadores e da sua disponibilidade interventiva. E é necessário que tenham continuidade nas semanas e meses que aí vêm. Tanto mais que a nova vaga de terrorismo social em curso se apresenta como a mais brutal de sempre, quer pelo seu conteúdo, quer pelos seus objectivos, quer ainda porque, incidindo sobre os mesmos de sempre – os trabalhadores, os reformados e pensionistas, os jovens – vai trazer ainda mais desemprego, mais atentados aos direitos laborais, mais exploração, mais roubos nos salários, pensões e reformas, mais jovens empurrados para a emigração, mais problemas, mais declínio nacional, mais dificuldades, mais pobreza, mais miséria, mais fome.

Daí o acerto e a importância das duas iniciativas já anunciadas pela CGTP-IN: a grande concentração/manifestação «Contra a exploração e o empobrecimento: Governo Rua!», convocada para o dia 25 de Maio, junto à Presidência da República; e a jornada de luta de 30 de Maio, dia do primeiro feriado roubado aos trabalhadores, englobando paralisações, greves, plenários e acções de rua diversificadas: neste caso contra a tentativa do patronato de impor o trabalho forçado e não pago em quatro feriados por ano e pela exigência da manutenção do direito ao feriado. Isto, obviamente, para além do prosseguimento das lutas específicas em curso nos sectores, empresas e locais de trabalho.

Como não podia deixar de ser, o colectivo partidário comunista empenhar-se-á, com todas a suas forças, para o êxito de todas essas lutas e tudo fará para que as acções dos próximos dias 25 e 30 tenham a necessária participação massiva dos trabalhadores e das populações.

Num tempo em que, à gravíssima crise económica e social, gerada por uma política violadora da Constituição da República Portuguesa, se junta, agora, uma não menos grave crise política e institucional que põe em causa o normal funcionamento das instituições, o Presidente da República – a quem cabe, recorde-se uma vez mais, cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental do País e assegurar esse normal funcionamento – assobia para o lado e posiciona-se, de alma e coração, ao lado da política de afundamento nacional e dos que a executam. Não surpreende que assim seja, conhecida que é a postura de Cavaco Silva, quer durante os dez anos em que foi primeiro-ministro e exímio praticante da política de direita, quer como Presidente da República e incondicional e entusiástico apoiante do famigerado pacto de agressão. Esse tenebroso pacto de agressão que, dois anos passados sobre a sua assinatura pelos partidos da política de direita – PS, PSD e CDS – mergulhou Portugal numa espiral de austeridade e recessão económica com consequências dramáticas para os trabalhadores, o povo e o País. Esse sinistro pacto de agressão para cujas trágicas consequências o PCP previu e preveniu logo em 5 de Abril de 2011, alertando para o rumo de desastre nacional a que conduziria, inevitavelmente, essa ilegítima decisão de acorrentar Portugal e os portugueses aos interesses predadores do grande capital nacional e transnacional.

Por tudo isso, como sublinha o Comunicado da reunião do Comité Central do PCP realizada no domingo passado, o futuro dos País está nas mãos dos trabalhadores e do povo, na sua luta, no desenvolvimento de um amplo e poderoso movimento de massas: são as massas trabalhadoras e populares, com a sua acção organizada, que acabarão por derrotar este Governo e esta política antipatrióticos e de direita e impor um governo e uma política patrióticos e de esquerda.

Por tudo isso, torna-se indispensável o reforço orgânico, interventivo e ideológico do PCP – partido da classe operária e de todos os trabalhadores e, por isso, força determinante, quer no plano político quer no plano social, para dar um contributo decisivo no combate à política das troikas e na construção da política alternativa e da alternativa política.


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