Carla del Ponte acusa os «rebeldes» de terem usado gás sarin
Agressão imperialista à Síria
Química da guerra

As Nações Unidas ilibam o governo liderado por Bashar al-Assad do uso de armas químicas na guerra provocada por grupos armados que prossegue na Síria. A declaração surge depois de Israel ter bombardeado o território.

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Em comunicado oficial divulgado segunda-feira, a comissão de investigação mandatada pela ONU afirma que «não obteve resultados que permitam concluir que foram usadas armas químicas pelas partes em conflito na Síria», desmentindo, assim, as declarações de um dos seus membros, Carla del Ponte, que horas antes havia garantido existirem «testemunhos relativos ao uso de (...) gás sarin pelos opositores e não pelo Governo». A ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional considerou, ainda, que essas «fortes» e «concretas suspeitas» indicam, igualmente, que «há combatentes estrangeiros infiltrados entre os opositores».

Reagindo à polémica, os EUA apressaram-se a assegurar que «não temos informações que permitam pensar que eles [os grupos armados] têm capacidade ou intenção de usar esse tipo de armas», declaração que desmente as palavras proferidas por Barack Obama no final do mês de Abril, segundo o qual os norte-americanos teriam já provas nesse sentido. Recorde-se que Washington tem repetido que o uso de armas químicas é a «linha vermelha» que justifica uma intervenção militar descoberta no conflito.

As autoridades de Damasco, por seu lado, sustentam que os chamados rebeldes têm, de facto, usado armas químicas. Ainda na passada semana, reiteraram a acusação exemplificando com o ocorrido na cidade de Idleb, prosseguindo, assim, a denúncia, levada no passado dia 17 de Dezembro às Nações Unidas, do uso de armas químicas por parte dos bandos terroristas que devastam o país há cerca de dois anos.

Na química da guerra, sobressaem também os bombardeamentos de Israel em território sírio. O primeiro ataque, levado a cabo sexta-feira, teve como alvo um alegado carregamento de mísseis iranianos destinados ao Hezbollah libanês (que o Irão e a Síria desmentem), e o segundo, na madrugada de domingo, atingiu instalações científicas nos arredores da capital. Damasco advertiu para a intenção sionista de fazer alastrar o conflito a toda a região do Médio Oriente e promete defender a sua soberania e integridade, acusando Telavive de cumplicidade para com os terroristas, apoiados e armados pela Turquia, pelos estados árabes vassalos e pelas potências imperialistas.

Por estes dias, os EUA e a UE confirmaram estar a avaliar o aumento do auxílio bélico aos milicianos, ao que acresce o facto de a Turquia e Israel realizarem, neste momento, manobras militares junto à fronteira com a Síria, acompanhando, aliás, movimentações semelhantes promovidas pelas forças armadas norte-americanas no Golfo Pérsico, nas quais, até 30 de Maio, participaram 41 países aliados de Washington.



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