• Pedro Campos

Discurso da oposição ao governo bolivariano cresce em virulência
Venezuela
A tentação de voltar ao passado

A direita fascista pretende regressar a Abril de 2002. Está a repetir, incansável e perigosamente, a mesma manipulação, os mesmos argumentos, as mesmas provocações, o mesmo guião que então levou ao golpe de Estado.

Foto LUSA

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Até o advogado que redigiu a impugnação global das recentes eleições presidenciais é o mesmo do decreto que levou o golpista Pedro Carmona à presidência e desde ali eliminou, por decreto, todos os poderes públicos eleitos em votação popular. A impugnação tem a mesma inconsistência argumentativa de outros desconhecimentos da vontade do povo venezuelano. Generalidades sobre generalidades e nada que documente as denúncias. Não por falta de vontade. Simplesmente por inexistência de elemento objectivos que as sustentem.

«Os resultados eleitorais (na Venezuela) estão devidamente sustentados nos instrumentos de votação tais como as actas de escrutínio, actas de encerramento e constâncias de verificação do público. (...) Tudo é realizado com a presença de testemunhas, assim como de membros de mesas e eleitores». Quem escreve tão cristalinamente é a MUD. Não se refere às eleições de 14 de Abril mas às internas de 2012, quando alguns representantes de Capriles se impuseram aos seus rivais por margens de apenas 0,2 por cento (agora não reconhecem os quase dois por cento de Maduro!). Nessas eleições, o CNE era o mesmo e as máquinas as mesmas. Tudo era igual, a única diferença foi que nessa ocasião a vitória sorriu à plutocracia caprilista, que é quem realmente manda na MUD.

Magnicídio continua a ser opção

O discurso da oposição ao governo bolivariano, dominada mediaticamente pelo sector mais reaccionário, cresce em virulência. E das palavras passa facilmente aos actos. Recentemente, em plena Assembleia da República, mostraram do que são capazes e o país assistiu a cenas de violência pouco comuns, que se pode ver na Internet. Dos insultos e das provocações passaram à agressão. Um deputado atirou duas cadeiras pelo ar. Outros levaram latas de gás paralisante. Uns mais, apitos. Está tudo na Internet, até um deputado com um capacete de motard, numa evidência insofismável de que foram à câmara de deputados com a ideia única de provocar um escândalo mediático para que os media de todo o mundo falassem da alegada ingovernabilidade do país.

Entretanto, o presidente Maduro denunciou que Álvaro Uribe, ex-presidente colombiano e cérebro dos «falsos positivos», em conivência com Otto Reich e Roger Noriega, acaricia planos que apontam para a eliminação física do presidente legítimo da Venezuela. Como é evidente, este trio de delinquentes diz que não e trata de ridicularizar a denúncia de Maduro. O mesmo faz Capriles. Contudo, a verdade é que o magnicídio – antes de Chávez, agora de Maduro – é uma carta sobre a mesa. Já em Novembro de 2004 o oposicionista Orlando Urdaneta, falando num programa de televisão de Miami, afirmava que «tudo isto tem de partir do desaparecimento físico do “perro maior” e se calhar também de uma boa parte da matilha (..) isto não tem outra saída». Quando a entrevistadora, filha de anti-castristas emigrados, perguntou como é que isso se fazia, Urdaneta foi ainda mais explícito e detalhou que era uma coisa de «uns homens com armas compridas com miras telescópicas, que não falham!». E quem daria a ordem, inquiriu a jornalista? Urdaneta avançou com mais detalhes: «...a ordem tem de partir das Forças Armadas, de empresários que não querem vender a sua empresa a uns gatunos e que têm dinheiro suficiente para contratar um comando israelita, como Deus manda».

Com muito cordialidade, a jornalista desejou-lhe sorte...

A razão de tanto ódio de classe

Dinheiro. Dinheiro. Dinheiro. O dinheiro é a alavanca que move ódio de classe da reacção. Recentemente o ministro de petróleo, Rafael Ramírez, apresentou as suas contas. Desde a subida de Chávez ao poder até final de 2012, a Venezuela captou 427 mil milhões de dólares, que são os que têm permitido algumas das conquistas fundamentais do povo em termos de saúde, educação, habitação e missões sociais desenhadas para elevar o nível de vida da população, de forma a tornar a Venezuela no país de menor desequilíbrio social na região. A não ter sucedido a revolução e, entre outras medidas impositivas, a nacionalização da Faixa Petrolífera do Orinoco, 291 mil milhões teriam ido parar às mãos das transnacionais e da burguesia nacional. Razão mais do que forte para conspirar. Ou não?



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