Breves
Bangladeche

A reabertura das fábricas têxteis de Ashulia foi acompanhada, sexta-feira, 17, por um forte dispositivo policial, enviado para a maior zona industrial do país a pedido dos patrões para coagir milhares de trabalhadores a regressarem à laboração e impedir manifestações. Desde o colapso de um edifício no Bangladeche, a 24 Abril, com um saldo de 1127 vítimas mortais, os operários bengaleses cumpriam uma série de greves desencadeadas pela indignação face à tragédia, mas foi no início da semana passada que os protestos contra as condições laborais e por aumentos salariais se tornaram mais intensos.

Entre a tragédia e a alegada retoma da actividade, os cerca de três milhões de operários têxteis obrigaram, pela movimentação de massas, o governo, o patronato e as grandes marcas mundiais europeias e norte-americanas, para as quais é canalizado o fundamental da produção, a comprometerem-se com inspecções credíveis às unidades fabris, a criarem uma comissão para avaliar melhorias salariais e a reconhecerem a organização e acção sindical. Promessas que já antes haviam sido formuladas e cujo cumprimento só a luta pode assegurar, num país onde 80 por cento das exportações dependem do poderoso sector têxtil.

 


Os Cinco

René Gonzalez renunciou à cidadania norte-americana, uma das condições impostas pela juíza Joan A. Lenard para que não tenha de voltar a cumprir o regime de liberdade condicional nos EUA.

González, de 56 anos, foi condenado em 2001 num processo político que envolveu outros quatro antiterroristas cubanos, Gerardo Hernández, Ramón Labaniño, Fernando González e Antonio Guerrero.

Em Fevereiro de 2014 terá de ser libertado Fernando González, ao passo que Labañino, Guerrero e Hernández, sentenciados com penas mais pesadas, enfrentam ainda um longo período de encarceramento nos EUA por crimes que, ficou provado durante o processo, não cometeram.

Entre os próximos dias 30 de Maio e 5 de Junho, realizar-se-á em Washington uma grande jornada de solidariedade para os quatro patriotas cubanos ainda detidos e em defesa da sua imediata libertação, a qual, insistem os promotores da jornada, depende da vontade política do presidente Barack Obama, que tem o poder de corrigir a grave injustiça cometida.


EUA

A crise da dívida contraída pelos jovens norte-americanos para pagarem os estudos superiores está a ponto de rebentar, advertiu o Nobel da Economia Joseph Stiglitz em artigo publicado no New York Times. Em questão, diz, estão mecanismos similares aos empréstimos imobiliários de alto risco: concessão de crédito bancário a famílias de baixos rendimentos, combinado com o agravamento dos custos da frequência universitária (mais 27 por cento nos últimos cinco anos), os cortes nos programas sociais e a diminuição das remunerações do trabalho no território.

Baseando-se em dados oficiais, Stiglitz indica que entre os alunos finalistas a dívida média cifra-se em 26 mil dólares. 13 por cento dos estudantes «financiados» devem mais de 50 mil dólares e quase quatro por cento devem mais de 100 mil dólares. No total, afirma, a dívida ronda os mil milhões de dólares, sendo mesmo superior ao montante global em falta pelo uso de cartões de crédito.


África do Sul

O maior produtor mundial de platina pretende despedir seis mil trabalhadores alegando a queda da procura, os elevados custos energéticos e as exigências salariais dos mineiros. O anúncio desencadeou uma nova vaga contestatária na cintura extractiva em redor de Joanesburgo.

No fim de semana de 11 e 12 de Maio, quatro pessoas morreram, entre os quais um sindicalista da AMCU. A estrutura convocou em seguida uma greve de dois dias na jazida de Marikana, onde é agora mais representativa que o sindicato de classe, o NUM.

A paralisação acabou por ser interrompida antes do último turno de quarta-feira, 15, isto depois de a administração da Lonmin ter concordado em negociar com a AMCU, em detrimento do NUM.