Editorial

«Com a luta, tudo é possível conseguir; sem a luta nada se conseguirá»

TEMPO DE LUTAR

Foram milhares, muitos milhares, os trabalhadores que, respondendo à convocação da CGTP-IN, se concentraram em Belém, no sábado passado, e ali exigiram a demissão do Governo e «a marcação de eleições que devolvam ao povo o poder de decidir do seu presente e abram portas à libertação de Portugal do garrote da troika e da política de direita» – e não podiam ter escolhido melhor lugar para expressar essas exigências, ali a dois passos do Palácio de Belém, onde o Presidente da República, agindo no desprezo pela Constituição da República Portuguesa, tudo faz para tentar salvar o governo e a política das troikas.

Foram milhares, muitos milhares, os trabalhadores que ali afirmaram a sua firme determinação de «salvar o País de uma política que inferniza as nossas vidas e hipoteca o futuro colectivo da nação» – e aos ecos da combatividade e da determinação com que se manifestaram chegaram certamente aos ouvidos duros de Cavaco Silva.

Foram milhares, muitos milhares, os homens, mulheres e jovens que, com entusiasmo e confiança, sublinharam com fortes aplausos a intervenção do secretário-geral da CGTP-IN, designadamente o seu apelo ao desenvolvimento de «uma luta sem tréguas», travada na mais ampla unidade possível, a levar a cabo já «no dia 30 de Maio, primeiro dos quatro feriados que o Governo nos quer roubar» – luta que vai prosseguir no futuro imediato, em moldes a definir pelo Conselho Nacional da Central Sindical dos trabalhadores portugueses, na sua reunião de 31 de Maio.

Porque, como afirmou Arménio Carlos, «estamos em Maio a afirmar Abril e em Junho vamos demonstrar a força de Maio».

Há os que, cansados de sofrer na pele as consequências trágicas da acção deste Governo e da política por ele praticada – e fustigados pela forte ofensiva ideológica veiculada pelos média do grande capital – se deixam cair no desânimo; na descrença nos resultados da luta; na dúvida sobre a possibilidade de pôr termo a esta situação; na incerteza sobre a exequibilidade do objectivo de construir a alternativa política que há-de vir a concretizar a política alternativa necessária.

Conquistá-los para a luta, superando o desânimo, o conformismo, o medo – sublinhe-se que o medo é componente essencial desta espécie de democracia em que os partidos da política de direita, PS, PSD e CDS, encarceraram Portugal – constitui uma das tarefas prementes que se colocam aos dirigentes e activistas sindicais, neste momento em que a intensificação e o alargamento da luta se apresentam como caminho necessário, indispensável, crucial, para atingir os objectivos traçados.

Como a vida não se tem cansado de mostrar ao longo da longa história da humanidade, a luta organizada das massas trabalhadoras é a única chave capaz de abrir as portas que dão acesso ao respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores e do povo, é ela, e só ela, que pode assegurar o direito ao emprego com direitos, o direito à justiça social, o direito a pensões e reformas justas, o direito à Saúde e à Educação, enfim, a todos os direitos a que todo o ser humano, pelo simples facto de existir, tem direito – e que ninguém tem o direito de lhe roubar.

Desta gente que, de há trinta e sete anos a esta parte, vem roubando direitos humanos fundamentais aos trabalhadores e ao povo, só há que esperar manobras, arranjos, armadilhas, consensos, visando prosseguir e aprofundar esse roubo.

E só a luta das massas trabalhadoras e populares os vencerá.

Com a luta, tudo é possível conseguir; sem a luta nada se conseguirá – porque, a quem trabalha e vive do seu trabalho nunca nada foi ou será dado, e tudo foi e será sempre conquistado.

Por tudo isso, na situação actual, a mobilização para a luta é, para os militantes comunistas, a tarefa prioritária – a par, naturalmente, daquela que é sempre, em todos os momentos e situações, a preocupação central do colectivo partidário: o reforço do Partido.

Aliás, tratando-se do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, é assim mesmo que tem que ser, já que, como a experiência de noventa e dois anos de vida nos ensina, quanto mais forte for o Partido, mais forte e intensa é a luta de massas – e vice-versa, na medida em que, na luta, o Partido reforça-se, cresce, aumenta a sua influência precisamente no segmento da sociedade em que essa influência é mais importante: as massas trabalhadoras.

Não é por acaso que a principal linha de reforço do Partido, assim definida desde sempre, é o estreitamento da ligação aos trabalhadores, através, essencialmente, da criação, da existência e da actividade das células de empresa.

A propósito: neste ano em que comemoramos o Centenário do nascimento do camarada Álvaro Cunhal – e acentuamos o papel crucial e singular por ele desempenhado no processo de construção do PCP, na luta pelo seu reforço e na defesa da sua identidade comunista – vale a pena revisitar alguns dos textos em que ele aborda esta matéria, nomeadamente, as intervenções nos III e IV congressos do Partido e o romance «Até Amanhã, Camaradas». Em ambos os casos – no primeiro, em textos políticos e ideológicos; no segundo, através da ficção literária – estamos perante a demonstração da importância das células de empresa, insubstituíveis enquanto elo de ligação à classe operária e às massas trabalhadoras e, portanto, como fonte de força essencial do Partido.

E escusado seria dizer – mas mesmo assim se diz – que, por isso mesmo, cada uma das muitas iniciativas do Centenário levadas a cabo, constituem relevantes contributos para o reforço do PCP e para a intensificação e o êxito da luta pela conquista da necessária alternativa patriótica e de esquerda.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: