O futuro do País está nas mãos dos trabalhadores e do povo
Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
Governo sofreu abalo irreparável

A meio da tarde, numa declaração publicada no sítio do Partido na Internet, Jerónimo de Sousa saudou os trabalhadores e a CGTP-IN pelo sucesso da greve geral e sublinhou que esta representa «um abalo irreparável no Governo PSD/CDS-PP e na sua política». A questão agora não é se o Governo vai ser derrotado, mas «prosseguir e intensificar a luta para acelerar o momento da sua derrota».

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1. A grande greve geral de hoje, com uma extraordinária adesão dos trabalhadores e uma convergência e apoio generalizados, expressos na opinião e nas ruas, constitui uma indiscutível manifestação da vontade de mudança e uma enorme demonstração de força dos trabalhadores e do povo português.

2. A greve geral de hoje evidencia quatro aspectos fundamentais:

I- A greve geral constitui um abalo irreparável no Governo PSD/CDS-PP e na sua política, um governo e uma política fora da lei, à margem e contra a Constituição da República, sem legitimidade e desacreditados. A partir de hoje, a questão não é se o Governo vai ser derrotado. É a de prosseguir e intensificar a luta para acelerar o momento da sua derrota, libertando o País da sua política desastrosa.

II- A greve geral constitui uma indesmentível exigência da rejeição da política de direita, dos PEC, do pacto de agressão subscrito pelo PS, PSD e CDS-PP com a União Europeia, o BCE e o FMI, do rumo de desastre nacional, de agravamento da exploração, empobrecimento, recessão, desemprego, ataque às funções sociais do Estado, aos serviços públicos, à democracia e à soberania nacional.

III- A greve geral constitui uma demonstração inequívoca de rejeição e de determinação, para enfrentar e derrotar o programa de medidas que visa uma nova diminuição dos salários e de outras remunerações, o aumento da precariedade, a facilitação dos despedimentos, incluindo a tentativa de dezenas de milhares de despedimentos na Administração Pública, o aumento do horário de trabalho, o aumento da idade da reforma, novas penalizações na protecção social, com menos apoio na doença e no desemprego, uma redução ainda maior do valor das reformas e pensões.

IV- A greve geral constitui uma inquestionável afirmação de participação, elevação de consciência social e de classe, força, dignidade e vontade de mudança, de quem não se resigna, nem se cala, perante a destruição das suas vidas e do País, de exigência de um futuro digno para as gerações actuais e para as gerações futuras, pelo emprego, os salários, os direitos, a contratação colectiva, a segurança social e os serviços públicos, pela demissão do Governo, a realização de eleições antecipadas, por uma política alternativa, por um Portugal com futuro.

3. A greve geral de hoje, uma das maiores de sempre, teve uma grande adesão e uma profunda repercussão na vida nacional, em todo o País e nos diversos sectores de actividade, na indústria, nos serviços, no sector privado e no sector público.

Na indústria com a paralisação de muitas empresas, total ou quase total, como o Arsenal do Alfeite, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Lisnave, a Browning, a Sakthi, a Autoeuropa e o respectivo parque industrial, a Visteon, a Exide (Tudor), a Kemet, a Jado Ibéria, a Groz Becket, a Mitsubishi, a Petrogal (Sines), a Dyrup, a Inapal, a Renault/Cacia, a Centralcer, a Kraft, a Parmalat, a Renoldy, a Cofinca, a Paulo Oliveira, a Saint Gobain, a Cerâmica da Abrigada, a Valorsul, a INCM, entre tantas outras.

Nas pescas com a paralisação generalizada das lotas e frotas de pesca.

Nos transportes com a paralisação total ou praticamente total da CP, CP Carga, Refer, EMEF, do Metropolitano de Lisboa, do Metro Sul do Tejo, do Metro do Porto, da Soflusa, da Transtejo, da Atlantic Ferries, dos STCP, dos transportes urbanos, em particular, de Braga, Guimarães, Coimbra e Barreiro, elevadíssimas adesões na Carris, nos TST, Transdev e, em geral, nos transportes privados de passageiros. Verificou-se a paralisação da generalidade dos portos marítimos nacionais. Nos transportes aéreos, significativas adesões, designadamente nos sectores de terra (manutenção e handling) e impacto na operação aeroportuária.

Nos Correios, traduzida em particular por uma massiva adesão dos trabalhadores dos CTT e forte incidência em outras empresas.

Na Administração Pública verificou-se uma muito forte participação. Na saúde com expressões na generalidade dos hospitais e centros de saúde. Na educação em geral e no ensino superior. Na segurança social, na justiça, nas finanças e em outros serviços.

Na administração local nas diversas áreas desde a paralisação total ou quase total na recolha dos resíduos sólidos, à muito forte adesão nos serviços municipalizados e conjunto da actividade das autarquias.

Nos serviços é de salientar a dimensão das adesões verificadas na grande distribuição comercial, numa clara progressão de adesões neste sector, como é exemplificado pela cadeia Moviflor e um significativo número de superfícies comerciais e lojas, na hotelaria e cantinas, no sector financeiro, com centenas de balcões encerrados ou fortemente afectados, e na área de equipamentos e estruturas sociais, designadamente das IPSS e Misericórdias.

Uma greve com forte expressão em muitas outras áreas como se verifica no sector das artes e do espectáculo, na comunicação social, evidenciado com adesões diversificadas e uma expressiva participação dos trabalhadores da Lusa.

Relevante é o facto de muitos trabalhadores com vínculos precários terem feito greve pela primeira vez.

Destaca-se nesta jornada de luta a participação de muitos milhares de pessoas nas mais de 50 manifestações e concentrações realizadas, revelando um grande apoio e participação do povo português.

4. O PCP saúda os trabalhadores portugueses pela sua participação nesta jornada de luta, tanto mais significativa quanto se verifica numa situação marcada pelo desemprego, com um milhão e quinhentos mil trabalhadores desempregados, pela precariedade, pelas dificuldades económicas, por inúmeras ameaças e acções repressivas. Os trabalhadores afrontaram o medo, aderiram massivamente à greve geral, numa enorme demonstração de coragem e determinação na defesa dos seus interesses e direitos, dos anseios do povo português, do futuro de Portugal.

O PCP saúda a CGTP-IN, a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, que tomou a iniciativa de convocar a greve geral, e as mais diversas estruturas e organizações que a ela se associaram, os milhares de dirigentes e activistas que, com a sua consciência de classe, a sua dedicação, persistência, combatividade e coragem, no trabalho de esclarecimento e mobilização prévio, em piquetes de greve nas suas empresas e locais de trabalho e junto delas, criaram condições para o êxito desta grande jornada de luta dos trabalhadores e do povo português.

5. Portugal falou. Os trabalhadores, os desempregados, os reformados e pensionistas, as jovens gerações, o povo português, fizeram ouvir a sua voz, face ao grande capital nacional e transnacional e aos seus representantes políticos no País e no mundo.

O PCP reafirma a necessidade e a urgência de pôr fim à política de direita, que sucessivos governos têm aplicado, e ao rumo de desastre nacional para que estão a empurrar o País. O PCP reafirma a sua confiança na necessidade e possibilidade de concretização de uma política patriótica e de esquerda e de um Governo que a concretize.

O futuro do País está nas mãos dos trabalhadores e do povo, usando todos os direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra, com o prosseguimento e intensificação da luta pelos seus interesses e direitos, pelos valores de Abril no futuro de Portugal.

 



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