Troika pressiona Grécia

Poucos dias após a remodelação governamental realizada na sequência da saída da coligação do pequeno partido da Esquerda Democrática (Dimar), os representantes da troika insistiram com o executivo de Samaras para que continue a embaratecer o trabalho e facilitar os despedimentos.

Num encontro com o ministro das Finanças, efectuado na semana passada, a delegação do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu não hesitou em sugerir a redução do salário mínimo (já recentemente rebaixado) dos 586 para os 350 euros.

O projecto da troika é inspirado no modelo alemão dos chamados «mini-jobs», que, para além de uma remuneração miserável, não prevêem descontos para a segurança social nem qualquer espécie de direitos laborais. O pretexto é tornar o país «competitivo», levando a escravatura assalariada para níveis próximos dos que foram testemunhados por Karl Marx na Inglaterra do século XIX.

No mesmo sentido a troika defende o fim das indemnizações por despedimento ou a sua redução a um montante residual. A tutela estrangeira exige ainda a aprovação de uma nova lei da greve.

No sábado, 6, o governo grego assegurou mais uma tranche de 8100 milhões de euros de ajuda externa, comprometendo-se em troca a despedir 12 500 funcionários públicos no prazo de oito meses.

Segundo o diário Kathimerini, prevêem-se reduções de cinco mil funcionários das autarquias locais, de 3500 polícias municipais e de dois mil no pessoal da educação.

Na segunda-feira, 8, milhares de funcionários públicos manifestaram-se no centro de Atenas em protesto contra mais esta vaga de despedimentos.




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