• João Frazão

Ao proletariado rural alentejano!

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«...a história real da Reforma Agrária, (foi) escrita com a luta heróica, o trabalho incansável os sacrifícios, o suor e o sangue dos trabalhadores alentejanos e ribatejanos, organizados nos seus sindicatos e tendo à frente o seu Partido.»1

 

A Reforma Agrária, «a mais bela conquista de Abril», que pôs fim a séculos de desemprego, miséria, fome, exploração nos campos do Alentejo e do Ribatejo, teve em Álvaro Cunhal um ideólogo, percursor, construtor e defensor.

No ensaio «Contribuição para o Estudo da Questão Agrária» mostrou que a Reforma Agrária fazia falta ao País, dando justificação científica para a aspiração que vivia no povo alentejano havia séculos. Estabeleceu-a como uma das reivindicações centrais da Revolução Democrática e Nacional, no «Rumo à Vitória».

Conquistada a liberdade, 20 dias apenas após a Revolução, assumiu, no primeiro comício de homenagem a Catarina Eufémia, a confiança de que «chegará o dia em que a Reforma Agrária entregará a terra dos grandes latifúndios àqueles que a trabalham».

A 9 de Fevereiro de 1975 deu voz à orientação do Partido e, no final da Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul, deu o arranque à Reforma Agrária com a expressão «pelas mãos dos trabalhadores a Reforma Agrária deu os primeiros passos».

Defensor incansável da Reforma Agrária, acompanhou, fez inúmeras visitas às UCP, discutiu com os seus protagonistas, propôs, fez sínteses, participou nas suas conferências, levou a Reforma Agrária e as suas inegáveis e extraordinárias realizações, a todo o País, esteve sempre na primeira linha contra os ataques da contra-revolução à Reforma Agrária, que, como se sabe, usou todos os expedientes, até a morte.

20 anos depois da Revolução de Abril, Álvaro Cunhal, com a Reforma Agrária parcialmente destruída, volta a avaliar a realidade do nosso País e confirma a sua actualidade.

Neste percurso, Álvaro, o corajoso revolucionário, o dirigente comunista íntegro, o notável intelectual, contou sempre com o conhecimento, a opinião, o contributo do obreiro central da Reforma Agrária, o proletariado rural alentejano, confirmando que a força deste Partido, que é obra do proletariado português e sua vanguarda, reside sempre e sempre na classe operária.

Conhecendo e tendo relatado, como poucos, as páginas de ouro que o proletariado rural alentejano e ribatejano escreveram, com o seu Partido à frente, na história da luta do proletariado português, designadamente as lutas vitoriosas, de 1962, pela jornada de 8 horas, Álvaro Cunhal, direi eu, nutria um carinho especial por essa importante força social, com a sua capacidade transformadora, com a sua energia, com a sua unidade, com a sua elevada consciência política e de classe, testada nas mais duras condições do fascismo, e viu no proletariado rural não apenas a força revolucionária capaz de ocupar e arrancar das mãos dos agrários as terras e de as cultivar, mas principalmente, em cada um daqueles homens e mulheres de rostos gretados e mãos calejadas, a força capaz de dirigir os seus destinos, derrotar os exploradores e acabar com a exploração.

Lemos e relemos a sua obra e ela é hoje a ferramenta para, avaliando a situação concreta dos campos do Alentejo, seguirmos dizendo, a Reforma Agrária é uma exigência do nosso tempo.

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1 AC – Intervenção na Assembleia de Militantes Comunistas das Cooperativas e Herdades Colectivas e técnicos Agrícolas em Évora, 18/07/76




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