Editorial

«Tão verdade como dizermos que não há Festa como esta, é dizermos que não há Partido como este»

FESTA DE ABRIL, DA LUTA, DO FUTURO

Como vem sendo hábito desde há trinta e sete anos, a Festa deste ano foi o que se esperava que fosse e mais do que isso. Mais do que isso, porque os seus construtores, os militantes e simpatizantes comunistas, são protagonistas de uma criatividade e um entusiasmo inesgotáveis – a criatividade e o entusiasmo próprios de quem tem por base da sua actividade o mais belo e mais humano de todos os ideais. Mais do que isso, porque Abril, os seus valores e as suas conquistas, e a luminosidade que irradiam, constituem uma componente básica da Festa – da Festa que nasceu com a Revolução e que, desde a sua primeira edição, se afirmou como a Festa de Abril, podendo muito justamente ser considerada, também ela, como uma verdadeira Conquista da Revolução.

Uma vez mais, o colectivo partidário comunista tem razões de sobra para se sentir satisfeito pelo enorme êxito obtido, tanto mais que, como sublinhou o Secretário-geral do Partido, no comício de encerramento, todo o complexo e extenuante processo de construção da Festa se desenrolou a par da execução de todo um vasto conjunto de tarefas, de onde avultam: a intervenção dos militantes comunistas na organização e concretização das muitas acções de luta contra a política das troikas e por um novo rumo para Portugal; a trabalhosa tarefa da elaboração das listas da CDU para as eleições autárquicas, listas que envolvem mais de trinta e cinco mil candidatos; e a concretização de múltiplas iniciativas integradas no programa das comemorações do Centenário do nascimento do camarada Álvaro Cunhal.

Tudo a confirmar que, tão verdade como dizermos que não há Festa como esta, é dizermos que não há Partido como este.

 

Percebe-se que a Festa do Avante! incomode e desagrade ao chefes do grande capital – e, por arrasto de trela, aos seus «cães de guarda» que, na generalidade da comunicação social, a silenciam ou menorizam criteriosamente: a Festa é alegria, é vida, é cultura, é solidariedade, é fraternidade, é esperança, é confiança e certeza na luta por um futuro livre da exploração e da opressão capitalista, ou seja, é tudo o que eles odeiam e abominam.

Percebe-se que os irrite sobremaneira o facto de, apesar de não se terem poupado a esforços para acabar com a Festa – recorrendo, ao longo dos trinta e sete anos de existência desta, a todos (sublinhe-se: a todos) os estratagemas para a riscarem definitivamente do mapa – ela ter resistido e ter-se afirmado como a maior realização político-partidária do nosso País e a mais relevante manifestação cultural, artística, desportiva e convivial.

Percebe-se, por isso, a raiva que os possui, todos os anos no primeiro fim-de-semana de Setembro, perante uma Festa do Avante! sempre maior e mais bonita; sempre mostrando que Abril está vivo na memória e no coração do nosso povo e que somos muitos, muitos mil para continuar Abril; sempre confirmando o papel necessário, indispensável e insubstituível do PCP na vida nacional; e sempre constituindo uma grande jornada de luta que, inserida na luta geral dos trabalhadores e do povo, é também um momento de incentivo e de estímulo à necessária continuação da luta no futuro imediato.

 

A Festa do Avante! foi, uma vez mais, um exemplo concludente da capacidade de organização e realização do Partido e da sua profunda ligação às massas trabalhadoras e populares e à juventude.

Durante três dias, num ambiente de luta e de camaradagem – justamente enquadrado pela memória de Álvaro Cunhal e do seu papel enquanto construtor maior da admirável obra colectiva que é o PCP – foi o Partido que ali esteve: os seus ideais e o seu projecto libertador e emancipador, por cuja concretização lutará até à vitória final; a vontade, o querer e a consciência política, partidária e ideológica dos seus militantes, expressos numa inequívoca determinação de honrar os compromissos históricos do PCP, seja qual for a situação que se lhes depare; a sua postura de partido de luta no tempo de luta que vivemos, de partido que não teme as dificuldades e que não se resigna nem desiste de lutar pelos seus objectivos; o seu olhar atento para o que se passa no mundo e a assumpção clara das suas responsabilidades internacionalistas; a sua análise lúcida, séria, responsável, à situação existente no nosso País, às suas causas e aos caminhos para a superar, sempre apelando à intervenção dos trabalhadores e do povo para a construção da alternativa necessária.

Como explicitou o camarada Jerónimo de Sousa, ouvido com uma atenção extrema, no impressionante comício de encerramento da Festa – que foi, sublinhe-se, o maior comício partidário realizado no nosso País – «a todos os que estão preocupados com a situação de Portugal e do mundo, a todos os que entendem que basta de exploração, empobrecimento e injustiças, a todos os que aspiram a uma vida melhor, daqui vos dizemos: não fiquem à espera, não desperdicem a vossa força, juntem-se a nós, adiram ao PCP, juntem a vossa opinião e contribuição, a vossa capacidade de acção individual a este grande colectivo militante, nesta luta que vale a pena por uma sociedade e um mundo mais justos».

A Festa do Avante!, confirmando a força do Partido, mostrou também que o Partido precisa de ser – e pode ser – ainda mais forte, de possuir uma maior capacidade de intervenção, de aumentar a sua influência social, eleitoral e política.

E porque o Partido se fortalece na luta, a luta continua. Para já com a intervenção empenhada e confiante do colectivo partidário na batalha das autárquicas, visando reforçar a CDU e, assim, dar mais força à luta por um novo rumo para Portugal.

 


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