Editorial

«No domingo, a luta deu mais força ao voto. É agora a vez de o voto dar mais força à luta»

O VOTO, O PARTIDO, A LUTA

A vitória obtida pela CDU no domingo passado – «vitória da confiança e da esperança sobre a desilusão e o conformismo», como sublinha o comunicado que o Comité Central do PCP aprovou na sua reunião de 1 de Outubro – constitui o dado mais relevante e significativo destas eleições autárquicas.

Tratou-se, afinal, de uma grande jornada de luta dos activistas da CDU, na qual o voto, enquanto arma principal desse dia, deu continuidade às múltiplas acções das massas trabalhadoras e populares contra a política das troikas e por um novo rumo para Portugal.

Na verdade, os resultados da CDU têm tudo a ver, por um lado, com o papel desempenhado pelas forças que integram a Coligação na luta contra a política de direita, pela demissão do Governo e pela rejeição do pacto de agressão; e, por outro lado, com a notável campanha da Coligação Democrática Unitária, fazendo chegar a milhares e milhares de eleitores a seriedade das suas propostas e compromissos.

É por demais significativo que os activistas e candidatos da CDU tenham sido os únicos que – em todo o lado, de Norte a Sul do País – deram a cara e fizeram do contacto directo com as populações o seu principal instrumento de acção. E foi assim por serem os únicos que podiam olhar os eleitores, olhos nos olhos, lembrando-lhes que trabalho, honestidade, competência é imagem de marca exclusiva da CDU; lembrando-lhes que as forças que integram esta Coligação estiveram sempre na primeira fila da luta contra a política de desemprego, de roubos nos salários, de assaltos a pensões e reformas, de afundamento de Portugal; lembrando-lhes que os que ali estavam, agora, a pedir-lhes o voto, eram os mesmos que lá estiveram a lutar pelo Serviço Nacional de Saúde, pela Escola Pública, contra a liquidação dos postos de Correio e outros serviços públicos essenciais – e assim confirmando, também neste aspecto, que, ao contrário do que propalam os ideólogos da política de direita, os partidos não são todos iguais.

Mais votos, percentagem mais elevada, mais mandatos, mais presidências de Juntas de Freguesia, de Assembleias e Câmaras Municipais – tratando-se, em alguns casos, de reconquistas de grande relevância e com profundo significado – assim foi, em resumo, o resultado da CDU, que se afirmou como a única força que cresceu eleitoralmente.

Tudo isto numa campanha em que, no respeitante à prática dos adversários da CDU, o vale-tudo foi rei, com a caça ao voto a atingir as mais degradantes expressões – e com o anticomunismo sempre presente, chegando mesmo a manifestar-se no próprio «dia de reflexão»… e prosseguindo, incontinente, logo no dia a seguir às eleições, nomeadamente na raivosa primeira página do Público.

Como acentua o CC do PCP, a expressiva derrota dos partidos do Governo (perda de 550 000 votos, quebra de 10 pontos percentuais) reflecte de forma inequívoca a condenação da política de direita e o crescente isolamento político e social do Governo PSD/CDS – o qual, convém sublinhar, só se mantém no poder graças à asa protectora do Presidente da República.

Quanto ao PS, que logo se proclamou como grande vencedor… não foi tanto assim: se é verdade que aumentou consideravelmente o número de presidências de Câmara, não é menos verdade que, em relação a 2009, perdeu votos (cerca de 270 mil para as assembleias municipais), baixando a percentagem de 37,7 para 36,3 – o que quer dizer que os eleitores não esqueceram as responsabilidades deste partido na situação dramática existente no nosso País.

E não é difícil adivinhar que se o Governo actual fosse PS e não PSD, os resultados destes dois partidos seriam, mais coisa menos coisa, o inverso do que foram…

Dado relevante é o que nos diz que os partidos da troika nacional – PS, PSD e CDS – perderam, no seu conjunto, cerca de 800 mil votos, o que é bem elucidativo sobre o sentimento de rejeição da política que esses três partidos têm vindo a praticar desde há trinta e sete anos.

De registar, ainda, o prosseguimento da erosão eleitoral do BE e os resultados de algumas das listas de cidadãos eleitores – erradamente designados por «independentes» e em vários casos sendo óbvios representantes do grande capital.

O assinalável êxito da CDU aponta caminhos de futuro que importa ter em conta. A expressiva votação obtida – evidenciando a possibilidade real de dar mais força à luta de massas e as claras potencialidades de reforço do Partido – coloca ao colectivo partidário comunista novas e imediatas exigências de intervenção – a somar às muitas e grandes exigências a que a militância comunista deu a necessária resposta nos últimos meses.

A vitória eleitoral do passado domingo, ao mesmo tempo que aumentou as possibilidades de sucesso na aplicação das medidas visando reforçar o Partido orgânica, interventiva e ideologicamente, veio dar mais ânimo, mais combatividade, mais confiança e mais força à luta dos trabalhadores e das populações. E como a vida tem mostrado, o reforço da organização partidária é condição de reforço da luta de massas – dado sempre importante, e mais ainda quando a nova ofensiva de terrorismo social que o Governo se prepara para desencadear com o Orçamento do Estado para 2014, exige uma resposta firme e decidida dos trabalhadores e do povo.

No domingo, a luta deu mais força ao voto.

É agora a vez de o voto dar mais força à luta. E assim será já no dia 19 de Outubro, com a «Marcha por Abril, contra a exploração e o empobrecimento», convocada pela CGTP-IN – iniciativa que, a partir de um intenso e vasto trabalho de esclarecimento e mobilização, virá a constituir uma muito grande e forte jornada de luta das massas trabalhadoras.

 


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