Têm-se sucedido as provocações armadas da Renamo
21 anos após o fim da guerra civil
Paz ameaçada em Moçambique

A Renamo denunciou os acordos de paz subscritos com a Frelimo, em 1992, em Roma, e culpa o governo pelo fim do entendimento. As autoridades de Maputo, por seu lado, defendem o direito de manter a segurança e ordem pública colocadas em causa pelos ataques da Renamo, responsáveis pela recente tensão político-militar no país.

O porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) sustenta que a decisão é a resposta à ocupação por parte das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, segunda-feira, da base da Renamo em Satungira, província de Sofala, no Centro de Moçambique, onde há cerca de um ano se encontrava aquartelado o líder da organização, Afonso Dhlakama, que terá fugido para as montanhas do Parque Nacional da Gorongosa.

O Ministério da Defesa de Moçambique contesta esta versão dos factos e esclarece que o assalto ao refúgio da cúpula da Renamo ocorreu no contexto da perseguição a paramilitares que atacaram o exército moçambicano.

Em nome da Renamo, Fernando Mazanga declarou, segundo a Reuters, que «a paz no país acabou» porque «a Frelimo não quer escutar as [nossas] queixas», e não descartou mesmo o regresso à luta armada que a então guerrilha (criada e sustentada pelos serviços secretos sul-africanos e da antiga Rodésia), promoveu durante 16 anos na ex-colónia portuguesa.

Mazanga acusou o presidente Armando Guebuza e a Frelimo de pretenderem assassinar Afonso Dhlakama porque, disse, este «jamais permitirá que os moçambicanos fiquem acorrentados à ideologia de partido único», mas não aclarou, no entanto, quais as responsabilidades da direcção da Renamo no ataque a um comboio militar que, a semana passada, vitimou sete soldados moçambicanos.

Provocações

A emboscada levada a cabo contra um contingente do exército de Moçambique foi, aliás, a última de uma série de provocações armadas realizadas pela Renamo no Centro e Norte do País, sustentam as autoridades de Maputo. Investidas que, ao longo deste ano, já obrigaram à paralisação temporária das exportações de carvão e das actividades turísticas, ameaçam o prosseguimento da exploração das jazidas de gás recentemente descobertas no território, e obrigaram à colocação de um dispositivo de segurança na principal estrada nacional do país para evitar mais mortes de civis e militares, como aconteceu nos atentados reivindicados pela Renamo desde Abril deste ano.

O responsável da Renamo também não explicou se a ofensiva que matou sete soldados das forças armadas moçambicanas foi a concretização da anterior ameaça de Afonso Dhlakama de impedir a realização de eleições autárquicas, em 2013, e do sufrágio geral, em 2014.

No fim-de-semana, o presidente Armando Guebuza deslocou-se precisamente à província de Sofala para contactos com a população no âmbito do sufrágio municipal do próximo mês de Novembro, apelou ao povo moçambicano para que defenda a paz e lembrou que a Constituição de Moçambique não permite a existência de dois exército no país.

Movimentações
preocupantes

Entretanto, as últimas informões indicam que homens armados da Renamo atacaram e ocuparam a vila de Maríngué, na região da Gorongosa. De acordo com o jornal «O País», a confrontação está a provocar a apreensão e mesmo a fuga de muitos populares, obrigando também ao encerramento de escolas e hospitais.

O mesmo ambiente de tensão observa-se a Norte, na província de Nampula, onde Afonso Dhlakama mantém uma residência e a Renamo manteve durante a guerra civil uma das mais importantes bases militares.




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