Editorial

«Era o Partido que ali estava, lembrando décadas de uma história heróica»

UM COMÍCIO MEMORÁVEL

Festa, alegria, comoção, lágrimas, combatividade, determinação, camaradagem, fraternidade, emoção, força: tudo isto (e muito mais…), fez do comício de domingo passado, no Campo Pequeno, uma memorável jornada de luta do colectivo partidário comunista e o momento mais expressivo das Comemorações do Centenário do camarada Álvaro Cunhal.

Os quatro desfiles que, partindo de pontos diferentes, convergiram para o Campo Pequeno, animaram as ruas de Lisboa com as suas bandeiras vermelhas, com as suas canções e as suas palavras de ordem – e tantos eram os que desfilavam que tornaram pequeno o imenso espaço onde o comício decorreu.

Eram milhares, era gente de todas as idades: idosos, de meia-idade, jovens, crianças (em muitos casos às cavalitas dos pais), homens, mulheres e jovens sabendo por que estavam ali, conscientes da sua qualidade de militantes comunistas.

Eram canções bonitas, de toda a gente conhecidas e perfeitamente enquadradas no ambiente geral que ali se vivia – canções e intérpretes que não estavam ali para decorar a iniciativa, antes eram parte integrante do acto político.

E lá estavam também os que, não sendo militantes do Partido, quiseram, com a sua presença solidária, manifestar o seu apreço e admiração pelo homenageado.

Enfim, era o Partido que ali estava, lembrando décadas de uma história heróica. Honrando as gerações de militantes que, ao longo de mais de noventa anos – quarenta e oito dos quais sob o feroz regime fascista – fizeram do PCP o grande partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Homenageando aquele que foi o mais destacado obreiro dessa admirável construção colectiva que é o Partido Comunista Português – «a justa homenagem ao homem, ao comunista, ao intelectual e ao artista que foi Álvaro Cunhal, expressão do reconhecimento da sua vida de dignidade, do seu exemplo de revolucionário íntegro e da importância e actualidade do seu pensamento, da sua obra e da sua luta, e que é, igualmente, uma grande e solene afirmação da vontade colectiva de prosseguimento desse mesmo caminho de luta que Álvaro Cunhal honrou com uma dedicação sem limites», como frisou o secretário-geral do PCP, camarada Jerónimo de Sousa, na intervenção que proferiu a encerrar o grande comício.

 

É claro que houve quem, não tendo lá estado, viu as coisas de outra maneira – à sua maneira

São os que, incomodados com o facto de as comemorações do Centenário terem atingido uma dimensão e uma repercussão que foram muito para além das fronteiras do Partido; e pelo facto de as comemorações sublinharem a singular relevância do exemplo, da vida, do pensamento, da obra de Álvaro Cunhal, não se cansam de disparar contra um suposto «culto da personalidade» que, segundo eles, dominaria as comemorações; ou de colocar aos seus leitores o falso dilema sobre se «as comemorações celebram o mito Cunhal ou reescrevem a história do PCP» – fingindo não ver que nem uma coisa nem outra acontece…

São, afinal, os que ficariam de papo-cheio se a direcção do PCP deixasse passar o centenário sem quaisquer comemorações – e que, se tal acontecesse, viriam a terreiro acusar a direcção do PCP de ter deixado passar o centenário sem quaisquer comemorações…

O que todos eles muito desejariam, de facto, era que, a pretexto de um suposto combate a um inexistente culto da personalidade e a outras patranhas da mesma família, os comunistas seguissem o caminho da menorização, ou, pior do que isso, do silenciamento sobre a vida e a obra de Álvaro Cunhal, sobre o papel decisivo e singular por ele desempenhado na construção, consolidação e defesa do PCP, desde o início dos anos 30 do século passado até aos primeiros anos deste século, ou seja, durante setenta e cinco anos de militância revolucionária.

O que todos eles muito desejariam, lá bem no fundo, era que o PCP obedecesse aos sucessivos decretos promulgando o seu «declínio», a sua «morte», o seu «funeral»… e deixasse de assumir as responsabilidades inerentes ao seu projecto, à sua história, à sua identidade.

 

Mas desiludam-se e tenham paciência: tal não acontecerá. Ponto final.

Os comunistas estão hoje, como sempre estiveram ao longo da sua história, na vanguarda da luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal e pela construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.

E as comemorações do Centenário vão prosseguir. Com iniciativas específicas e com a participação activa do colectivo partidário na luta organizada dos trabalhadores contra a política das troikas e por uma política patriótica e de esquerda – designadamente dando o seu contributo para o êxito da grande jornada de luta convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 26.

Porque o exemplo de Álvaro Cunhal e o singular legado que nos deixou – um exemplo e um legado que têm as suas raízes mestras no ideal comunista de liberdade, justiça social, paz, solidariedade, fraternidade – estão presentes nos combates que os comunistas portugueses travam todos os dias e constituem um instrumento de trabalho e uma fonte de força essenciais para a intervenção do «nosso grande e fraterno colectivo partidário». E, naturalmente, para o sempre necessário reforço do Partido. Para que o PCP, cada vez mais forte e influente enquanto «partido leninista definido com a experiência própria», responda plenamente aos desafios que se lhe apresentam. Desafios que, na situação actual, passam pelo combate e a derrota da política de direita e dos governos que a executam, passo decisivo para a conquista de uma democracia avançada inspirada nos valores de Abril, rumo ao socialismo e ao comunismo.


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