Editorial

«A marca de classe da política de direita está bem patente neste Orçamento do Estado»

BASTA DE ROUBOS E MENTIRAS

Através de uma intensa e despudorada campanha propagandística, os governantes e os seus papagaios de serviço têm vindo a espalhar aos quatro ventos que «o pior já passou», que «os sacrifícios valeram a pena», que com as novas medidas que aí vêm o País «sairá da crise»; que o «milagre económico» aconteceu… – enfim, que os «mercados» vão escancarar as portas a Portugal e que «dias felizes» esperam os portugueses…

Com tal campanha, ao mesmo tempo que ofendem a inteligência de milhões de portugueses, estes fazedores de mentiras procedem a uma colossal operação de branqueamento do Orçamento do Estado para 2014, procurando apresentar como coisa boa um monstro que segue a via do roubo e do confisco dos rendimentos do trabalho; dos salários, das reformas e pensões; do ataque aos serviços públicos essenciais, designadamente com os demolidores saques ao Serviço Nacional de Saúde e ao ensino público; do empobrecimento, da miséria e da fome; do afundamento do País.

E, enquanto dizem que «o pior já passou», com este OE e com o conjunto de medidas que, em paralelo, estão a ser preparadas e aplicadas, cumprem o objectivo que lhes está confiado de esmagar os trabalhadores e o povo com mais austeridade, mais exploração, mais terrorismo social – naturalmente, brindando o grande capital com mais e mais lucros e, assim, dando mais um passo no caminho da imposição do Estado social mínimo para os trabalhadores e para o povo, e do Estado máximo para o grande capital opressor e explorador.

Na verdade, e como não podia deixar de ser, a marca de classe da política de direita está bem patente neste Orçamento do Estado que o Governo Passos/Portas dispara contra Portugal e os portugueses. Como múltiplos exemplos confirmam, o seu alvo preferencial é a classe trabalhadora: mais de 82% dos cortes são feitos à custa da população trabalhadora, dos reformados e pensionistas; com este OE, cerca de 90% dos trabalhadores da Administração Pública e das empresas públicas sofrerão cortes que poderão ir até aos 12% nos seus salários – e dezenas de milhares desses trabalhadores serão despedidos, etc, etc, etc.

Este é um OE que, ao contrário do que dizem os seus promotores, não é para ajudar Portugal a sair da crise, mas sim para afundar ainda mais o País; para agravar a recessão; para aumentar o desemprego e as injustiças sociais, com mais e mais roubos aos rendimentos e aos direitos dos trabalhadores e do povo.

Este é, também, um Orçamento do Estado que visa cumprir o sonho de vingança da política de direita contra a Revolução de Abril e as suas conquistas civilizacionais, procurando fazer regredir a vida dos trabalhadores e do povo para os sombrios níveis do tempo do fascismo – e tanto têm avançado nesse objectivo que bem podemos dizer que, após trinta e sete anos de política de direita, em muitos aspectos estamos hoje mais próximo do 24 do que do 25 de Abril.

Por isso, às práticas propagandísticas dos governantes e à política por eles praticada há que dizer, alto e bom som: basta de roubos e de mentiras. E há, acima de tudo, que dar mais e mais força à luta pela ruptura com esta política de desastre nacional ao serviço dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e pela sua substituição por uma política patriótica e de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

A necessidade premente de intensificar e alargar a luta organizada das massas trabalhadoras e populares é todos os dias confirmada pela prática dos mandantes e dos executantes da política das troikas.

Vimos há dias – através da divulgação do relatório do FMI e do novo pacote laboral que ele encerra – o que aí vem: uma maior redução de salários; a anulação dessa conquista histórica dos trabalhadores que é a contratação colectiva; a facilitação e o embaratecimento ainda maior dos despedimentos, isto é, a continuação agravada das medidas contidas no famigerado pacto de agressão – assinado, não esqueçamos, pelos três partidos da política de direita, PS/PSD/CDS, e entusiasticamente aplaudido pelo Presidente da República.

Para tamanha e tão grave ofensiva antilaboral, só há uma resposta: o alargamento da unidade dos trabalhadores, em torno da defesa dos seus direitos, visando a intensificação da luta de massas.

Como afirmou o Secretário-geral do PCP, há uma semana, na sessão de Almada, «o que aí está de ofensiva contra os trabalhadores e o povo, é uma razão acrescida para a dinamização da luta contra este Orçamento que querem impor e justificar a todo o custo utilizando a mentira e a chantagem». E, valorizando e saudando as muitas lutas realizadas e em desenvolvimento, reveladoras de grande coragem e de uma sólida consciência de classe dos trabalhadores, o camarada Jerónimo de Sousa garantiu a continuação da solidariedade e do empenhamento dos militantes comunistas como contributo para o prosseguimento e o êxito dessas lutas, e apelou à participação massiva no Dia Nacional de Indignação e Luta, convocado para o próximo 26 de Novembro pela CGTP-IN e que, em Lisboa, culminará com a concentração junto à Assembleia da República.

Vivemos um tempo difícil e exigente. E só com a luta organizada dos trabalhadores e das populações é possível dar a volta a isto: pôr termo ao ciclo infernal de governos de política de direita que têm vindo a afundar Portugal e a tornar num inferno a vida da imensa maioria dos portugueses, e conquistar a alternativa necessária, patriótica e de esquerda, tendo como referências fundamentais a defesa da independência e da soberania nacional e o respeito pelos direitos dos trabalhadores e do povo.



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