Editorial

«E a primeira fila dessa luta será ocupada, sempre, pelo colectivo partidário comunista»

É POR ABRIL QUE LUTAMOS

O ano de 2013 foi, para Portugal e para a imensa maioria dos portugueses, o pior de todos os anos desde que, em 25 de Abril de 1974, o governo fascista de Marcelo Caetano foi derrubado e teve início o processo revolucionário que conduziria à construção da democracia mais avançada alguma vez existente no nosso País: a democracia de Abril.

Tratou-se de uma democracia política, social, económica, cultural, amplamente participada, tendo a independência e a soberania nacional como referências básicas essenciais e que viria a ser consagrada naquela que foi uma das mais significativas conquistas da revolução de Abril: a Constituição da República Portuguesa, promulgada em 2 de Abril de 1976. Tratou-se, enfim, de uma democracia plena, ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal, situada nos antípodas desta espécie de democracia em que vivemos hoje, que tem como preocupação exclusiva a defesa dos interesses do grande capital nacional e transnacional. Isto porque, de então para cá, a contra-revolução, iniciada no plano institucional pelo primeiro governo PS/Mário Soares e prosseguida e aprofundada por sucessivos governos PS e PSD – sozinhos, de braço dado ou com o CDS atrelado – fez da democracia de Abril o alvo a abater. Importantes conquistas da revolução foram destruídas, direitos laborais e civilizacionais conquistados pelos trabalhadores e pelo povo têm vindo a ser liquidados, num processo que, com a assinatura do pacto de agressão, ganhou novos e mais perigosos contornos e traz consigo a ameaça de um regresso, em muitos aspectos, ao passado que, em Abril, Abril venceu.

Tudo isso, é necessário registar, feito sempre – desde 1976 até agora – ao arrepio da Constituição da República Portuguesa, amiúde violando e espezinhando a Lei Fundamental do País.


Tudo isso, registe-se igualmente, deparando sempre – desde 1976 até agora – com a resistência organizada das massas trabalhadoras, numa demonstração de exemplar consciência social e política, dando expressão a um processo de luta sem paralelo, na sua significação e no seu conteúdo, em qualquer outro país da Europa, nestes últimos trinta e sete anos.

Com efeito, a luta organizada dos trabalhadores, com a CGTP-IN como força motriz no plano social, tem constituído o grande obstáculo à ofensiva predadora da política de direita: opondo-se-lhe e dando-lhe combate através de múltiplas e diversificadas acções, muitas delas de dimensão histórica – e muitas vezes alcançando significativas vitórias; superando ameaças, chantagens, represálias, estilhaçando a ofensiva ideológica do grande capital, pregadora do conformismo, da resignação, da aceitação passiva das inevitabilidades – e demonstrando que vale a pena lutar, confirmando que, se é certo que quem luta nem sempre ganha, mais certo é que quem não luta, perde sempre; impedindo essa ofensiva de ir tão longe quanto os seus mandantes desejariam – e, a cada momento, contribuindo para a criação das condições necessárias para derrotar essa política de desastre nacional, antipatriótica e de direita, e para a substituir por uma política inspirada nos valores de Abril, portanto, patriótica e de esquerda.

Que a luta tem que continuar, mais forte e mais participada, vemo-lo todos os dias na acção do Governo, agora perpetrando um Orçamento do Estado para 2014 que constitui mais um perigoso passo no caminho do afundamento do País; do aumento do desemprego e da emigração; dos cortes nos salários, pensões e reformas; da liquidação de prestações sociais e dos serviços púbicos da saúde e da educação; do empobrecimento da imensa maioria dos portugueses; da operação de saque ao património empresarial do Estado. Um OE que o Presidente da República se prepara para deixar passar, furtando-se uma vez mais ao juramento de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Um OE bem à medida da hipocrisia, do cinismo, da falta de respeito pela inteligência, pela sensibilidade e pelos direitos dos portugueses, patentes na chamada mensagem de Natal do primeiro-ministro Passos Coelho.


É de luta, portanto, o ano que aí vem. E a primeira fila dessa luta será ocupada, sempre, pelo colectivo partidário comunista – tal como no ano que passou, e no outro, e no outro… tal como ao longo de toda a história do PCP.

Como afirmou o Secretário-geral do Partido na sua mensagem de Ano Novo, «o PCP estará sempre do lado certo, do lado dos trabalhadores e do povo» – e isso faz com que, apesar das muitas dificuldades e perigos que, na situação actual, pesam sobre o povo português, haja razões, muitas, para uma palavra de esperança, especialmente se falarmos «dessa esperança que não fica à espera e que ganha nova dimensão com a luta dos trabalhadores e do povo». Dessa esperança que deu força aos resistentes antifascistas, aos milhares e milhares de homens, mulheres e jovens que, sofrendo na pele as terríveis, por vezes fatais, consequências da sua opção resistente e da sua entrega total à defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, lançaram à terra a sementeira dos cravos que viriam a florir em Abril de 1974 – belos, vermelhos, anunciando liberdade, justiça social, paz, fraternidade, solidariedade – e abririam caminho «ao acto e ao processo mais avançados da nossa história contemporânea»: a Revolução de Abril.

Assim, é por Abril que lutamos hoje, pelos seus valores e ideais, pelo que significou de avançado e de progressista, pelo sinal que foi de que sim, é possível!

É por Abril que combatemos a política das troikas e que a venceremos e ao seu cheiro nauseabundo a esse passado ao qual nunca mais queremos voltar.

E por Abril venceremos.


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