A Síria sempre negou ter usado armas proibidas durante o conflito
Agressão imperialista à Síria
Arsenal químico <br> fora do país

O primeiro carregamento de armas e agentes químicos foi retirado da Síria, passo fundamental de um acordo que evitou uma intervenção militar dos EUA contra o país, onde, paralelamente, se desenrolam intensos combates entre facções «rebeldes».

A confirmação foi feita ao final da tarde de anteontem pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), que informou que um navio com o arsenal sírio abandonou o porto de Latakia e encontra-se em águas internacionais, iniciando «o processo de transferência das matérias químicas para destruição».

Escoltas navais da China, Rússia, Dinamarca e Noruega asseguram a segurança da embarcação comercial de pavilhão dinamarquês, que deverá, posteriormente, deslocar-se para Itália, onde se fará a transferência dos agentes para um vaso de guerra dos EUA com capacidade para proceder à sua inutilização militar, detalhou a OPAQ.

O processo foi acordado pela Síria, Rússia e EUA e apoiado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas justamente quando o governo norte-americano ameaçava desencadear uma intervenção directa no território. Os EUA acusavam as autoridades de Damasco de terem usado agentes proibidos contra civis, mas a Síria sempre o negou e apresentou provas de que as armas químicas foram usadas pelos grupos «rebeldes»apoiados por Washington, pela Grã-Bretanha, pela Turquia e pelas monarquias do Golfo Pérsico. Observadores internacionais constataram o uso de armas químicas e, em alguns casos, sugeriram que era mais plausível a posição defendida pelo governo liderado por Bachar al-Assad sobre a matéria.

A destruição do arsenal químico deverá ficar concluída até meados de 2014, de acordo com o plano estabelecido pela missão conjunta da OPAQ e da ONU, o qual, sublinham as entidades, tem gozado da total colaboração da República Árabe da Síria.

Combates entre terroristas

Também anteontem, o líder de um dos mais importantes grupos terroristas envolvidos na guerra veio apelar a um cessar-fogo entre os jihadistas que se confrontam, desde sexta-feira, 4, em várias regiões do país. 274 pessoas já terão morrido em resultado dos combates, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, estrutura com sede em Londres e que vinha funcionando como difusora da «versão rebelde».

Segundo a Lusa, o máximo dirigente da Frente Al-Nosra, afecta à Al-Qaida, dirigiu-se à organização Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), também vinculada à Al-Qaeda, e às brigadas compostas por muhajirin (combatentes estrangeiros) e ansar (combatentes locais) para que formem um conselho conjunto regido pela lei islâmica, sob pena, diz, de a guerra santa contra o governo sírio e as comunidades xiita e alauita perder terreno, e caírem as posições conquistadas em Alepo, Homs (actualmente sitiada), Damasco ou Ghuta (onde, em Agosto, ocorreram ataques com armas químicas que os EUA alegaram terem sido realizados pelas forças armadas sírias).

As divisões entre os chamados rebeldes sírios também se notam quanto à participação na conferência de paz, agendada para 22 de Janeiro na Suíça. O Conselho Nacional Sírio, um dos mais influentes grupos da «oposição», confirmou, no passado dia 3, que não vai marcar presença, apelando a que também não compareça em Montreux a Coligação Nacional de Forças da Oposição e Revolucionárias, estrutura que, entretanto, reuniu na Turquia para eleger uma nova direcção.




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