Editorial

«O País não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo»

E NO DIA 2 A LUTA CONTINUA

Sábado é dia de luta. É dia de, em todos os distritos do País, os trabalhadores e as populações encherem as ruas e avenidas e largos e praças, exigindo o respeito pelos seus direitos e afirmando a sua determinação de continuar a luta até que os seus objectivos sejam alcançados. É dia de gritar na rua todas as reivindicações e protestos, de dizer «basta» ao terrorismo social que flagela as condições de trabalho e de vida de milhões de portugueses. É dia de a luta organizada das massas trabalhadoras e populares rejeitar de forma inequívoca a política antipatriótica e de direita ao serviço exclusivo dos interesses do grande capital explorador e opressor. É dia de, igualmente de forma inequívoca, as massas em movimento exigirem um novo rumo para Portugal: a política patriótica e de esquerda, inspirada nos valores de Abril e no respeito pela Constituição da República Portuguesa, ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Assim sendo, a preparação do Dia Nacional de Luta contra a Exploração e o Empobrecimento, convocado pela CGTP-IN, reveste-se de enorme importância e coloca um vivo desafio às estruturas e aos dirigentes e activistas do movimento sindical unitário. São muitas e fortes as razões objectivas conducentes a uma mobilização capaz de fazer do dia 1 de Fevereiro uma muito grande jornada de luta. E, para que assim seja, são também muitos e fortes os obstáculos a superar: nunca é demais insistir na necessidade de dar combate e derrotar a intensa e diversificada ofensiva ideológica do Governo e do grande capital, amplamente difundida pelos media dominantes, por um lado apregoando «milagres económicos» e outras patranhas semelhantes com o objectivo de espalhar o conformismo e a resignação; por outro lado, desencadeando uma vaga de manobras de diversão, como, por exemplo, o referendo da co-adopção e as praxes.

Por isso, a preparação do Dia Nacional de Luta constitui a tarefa prioritária até aos últimos momentos da sua concretização. Com a certeza de que as consequências positivas do seu previsível êxito não se esgotam no dia 1 de Fevereiro, antes se apresentam como cruciais para o desenvolvimento e intensificação da luta no futuro imediato. Porque no dia 2 a luta continua.

E bem necessário é que a luta pela ruptura com a política das troikas prossiga, se alargue e seja cada vez mais forte. Bem necessário é que a força organizada dos trabalhadores abra o caminho para a solução dos graves problemas que atingem a imensa maioria dos portugueses: desemprego em larga escala; emigração em massa; ruptura nos serviços de Saúde; aumentos dos preços dos bens essenciais; endividamento das famílias; colapso na Investigação; degradação da Escola Pública; cortes nas prestações sociais, etc., etc. – e a que vêm juntar-se agora os cortes nos vencimentos dos trabalhadores da administração pública e nas reformas e pensões; a ameaça de substituir o pagamento das horas extraordinárias na administração pública por tempo de descanso; as alterações à legislação laboral, tendo como alvos, entre outros, a ainda maior facilitação dos despedimentos e a liquidação dessa conquista histórica dos trabalhadores portugueses que é a contratação colectiva. É isto a política de direita e são estas as preocupações que povoam os cérebros dos que, hoje como ao longo dos últimos quase trinta e oito anos, a vêm executando. Sendo certo que é preocupação maior dessa política e dos que a executam avançar mais e mais com o sombrio processo de escandalosa e caudalosa concentração e acumulação de riqueza nas mãos do grande capital – com os juros pagos à Banca, as privatizações, os apoios e benefícios fiscais, os negócios e negociatas, os apoios directos com recursos públicos, o vale-tudo. Ou seja, a concentração e acumulação de riqueza nas mãos de uns poucos – os tais cujas fortunas mais do que duplicaram de 1980 para cá e não param de crescer – à custa do afundamento do País e da desgraça de milhões de portugueses.

Pôr termo a esta situação, com carácter de urgência, é assim um acto de justiça e um imperativo nacional. Como afirmou o Secretário-geral do PCP no comício de Faro, o País não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo: uma verdadeira mudança alternativa e não as falsas e perversas soluções dos partidos do rotativismo nacional, dos partidos desse bipartidarismo de muleta que desde 1976, com a sua política de direita e os sucessivos governos PS/PSD (mais CDS), vem afundando o País e martirizando a imensa maioria dos portugueses. É um facto incontestável que as soluções para os problemas do País, dos trabalhadores e do povo, só podem ser encontradas derrotando a política que os gerou e adoptando uma política de sentido inverso, uma política alternativa, apontando no sentido de Abril e do futuro, e para cuja construção e implementação o PCP se apresenta como componente indispensável. O PCP que tem sido, nestas quase quatro décadas, a grande, decidida e consequente força da oposição à política de direita; o Partido que não apenas combate essa política como lhe contrapõe, com seriedade e rigor, a proposta concreta e fundamentada da alternativa necessária; o Partido que, hoje e sempre, e sejam quais forem as circunstâncias, dá todos os dias força à luta e na luta se fortalece todos os dias; o Partido que esteve, está e estará sempre na primeira fila da luta, sempre do lado certo: o lado dos trabalhadores, do povo e de Portugal – e que lá estará, no próximo sábado, no Dia Nacional de Luta, a exigir o País a que temos direito.



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