Editorial

Luta de 1 de Fevereiro levou às ruas, em todo o País, muitos milhares de pessoas, num imenso clamor de indignação

Maré de lutas, rumo a Abril

Depois das muitas lutas travadas neste início de 2014 (agricultores, trabalhadores dos transportes, da recolha do lixo da Câmara Municipal de Lisboa, da administração pública, trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e da Soporcel, bolseiros, estudantes,  professores, enfermeiros, controladores aéreos, autarcas, vendedores de pizzas, populações, algumas das quais com  importantes vitórias), o Dia Nacional de Luta de 1 de Fevereiro, decidido pela CGTP-IN, levou às ruas, em todo o País, muitos milhares de pessoas, num imenso clamor de indignação, protesto e reclamação: de indignação e protesto contra a política de exploração e empobrecimento que o governo PSD/CDS teima em prosseguir; de reclamação da demissão do governo, convocação de eleições antecipadas e mudança de rumo político.

Tirasse o Presidente da República as ilações desta grande jornada e honrasse o seu compromisso de cumprir e fazer cumprir a Constituição e, já hoje, teríamos o governo demitido e o povo português confrontado com a imperativa necessidade de procurar, pelo voto e pela luta, um novo rumo político para o País. Um novo rumo e não a velha receita de mais da mesma política de direita, que há trinta e oito anos, nos é servida pelo PS, PSD e CDS.

Mas, ao invés, o Presidente da República, fingindo ignorar este clamor, prefere dar suporte a esta política de desastre nacional, que aumenta o desemprego, a exploração, as injustiças e desigualdades sociais, compromete a soberania e independência nacionais e mergulha o País numa perigosa espiral recessiva.

Quanto ao governo, prossegue a sua política de classe, insensível ao gigantesco rasto dos dramas e flagelos sociais que vai cavando, com a exclusiva preocupação em servir (bem) o grande capital. Cresce o desemprego? e o governo, em vez de atacar as causas, prepara novas leis que facilitem (ainda mais) os despedimentos; aumentam as dificuldades das famílias no acesso às funções sociais do Estado? e o governo avança medidas para privatizar a educação, a saúde e a segurança social; os salários são cada vez mais baixos (ou de miséria)? e o governo faz novos cortes e recusa actualizar o Salário Mínimo Nacional; as pensões de reforma vão-se degradando? e o governo lança a contribuição extraordinária de solidariedade; o défice da nossa balança agro-alimentar é muito elevado? e o governo prepara-se para aplicar aos agricultores novas regras de fiscalidade que vão levar a mais abandono da actividade agrícola; o descontentamento social aumenta? e o governo pega na varinha mágica da manipulação estatística e garante que, se houver resignação e conformismo, chegaremos brevemente ao paraíso dos mercados da nova era pós-troika.

Esta é, por isso mesmo, a política a que é necessário dizer «basta». Esta foi a mensagem que os milhares de pessoas que participaram no Dia Nacional de Luta da CGTP-IN do passado sábado transmitiram, ao manifestarem o seu protesto e reclamação, por todo o País.

Uma luta que vai continuar por melhores salários, pelo emprego (contra a precariedade e os despedimentos); pelo aumento das pensões de reforma; pelo direito à protecção social no desemprego; pela defesa da melhoria das funções sociais do Estado; por mais e melhores serviços públicos e contra as privatizações; pela defesa dos horários de trabalho e contra a legislação que desregula a vida familiar e social dos trabalhadores; por uma política fiscal que desagrave os rendimentos do trabalho, taxe os lucros do capital e combata a fraude e evasão fiscal; pelo cumprimento da Constituição e a defesa do regime democrático; pela demissão do governo e a convocação de eleições antecipadas.

Combate que vai prosseguir, como anunciou a CGTP-IN, na «Semana de Luta – Basta de Injustiças e Desigualdades», a realizar entre 8 e 15 de Março e, desde já, nas muitas lutas nas empresas e locais de trabalho, nas lutas sectoriais, nas lutas das populações em defesa dos serviços públicos e em duas marchas, a realizar, em Lisboa e no Porto, no dia 27 de Fevereiro.

Maré de lutas, rumo a Abril (comemorações do 40.º aniversário da Revolução), a desaguar em Maio , nas comemorações do dia do trabalhador, mas também nas eleições para o Parlamento Europeu. Eleições que o PCP disputará no quadro da CDU. Batalha igualmente exigente que irá envolver o grande colectivo partidário e cuja preparação, já iniciada, terá um acto público de apresentação do camarada João Ferreira como 1.º candidato da lista da CDU. Eleições que permitirão discutir e questionar o actual rumo neoliberal, federalista e belicista da construção europeia e a política de capitulação do governo português amarrado (conjuntamente com o PS) ao pacto de agressão da troika.

Luta que integrará também a campanha de reforço do PCP, o grande partido do combate à política de direita e da alternativa política patriótica e de esquerda: reforço em recrutamento e militância, na organização e direcção, na responsabilização de quadros, nos meios de acção e intervenção e na independência financeira.

Como refere o Comunicado da reunião do Comité Central de 15 e 16 de Dezembro: «Confiante na força e capacidade dos trabalhadores e do povo, e empenhado no desenvolvimento e alargamento da frente de luta, o PCP reafirma a sua determinação na luta pela ruptura com a política de direita, e pela concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda, pela Democracia Avançada, pelo Socialismo e o Comunismo».


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