Apesar dos elevados lucros,
as grandes empresas congelam salários
Petrogal, EDP e CTT
Lutar por salários

Em empresas altamente lucrativas, como a Petrogal, a EDP ou os CTT, os trabalhadores lutam por aumentos salariais dignos, desafiando a recusa das administrações.

Nada justifica que os salários dos trabalhadores da Petrogal se mantenham congelados. A convicção, expressa num comunicado de 21 de Janeiro, é da direcção da Fiequimetal/CGTP-IN, que lembra os «lucros fabulosos» acumulados pela empresa nos últimos anos. Só nos primeiros nove meses do ano passado, os lucros da petrolífera ascenderam a 218 milhões de euros. No mesmo período, acrescenta a federação sindical, as exportações para fora da Península Ibérica subiram 18 por cento, as vendas de electricidade 48,7 por cento e as de gás natural 4,5 por cento.

Sem surpresa, a revista Exame garante que em apenas um ano, e em grande medida devido aos negócios da Petrogal, a fortuna de Américo Amorim (accionista maioritário da empresa) duplicou, passando para 4,5 mil milhões de euros.

Tendo em conta esta realidade, a comissão negociadora sindical insiste num acréscimo salarial de 4,5 por cento, com garantia de um aumento mínimo de 60 euros para cada trabalhador. Para a Fiequimetal, esta proposta visa «reduzir o impacto do agravamento do custo de vida e do aumento brutal dos impostos» e inverter a tendência de acentuação das injustiças na distribuição dos rendimentos. É esta proposta que a referida comissão levará à próxima reunião de conciliação do processo negocial para revisão do Acordo de Empresa, que se realiza no dia 13. 

Pouco mais do que zero 

Também a EDP parece apostada em ignorar as justas reivindicações dos trabalhadores, persistindo numa proposta de aumento salarial de valor irrisório: 0,6 por cento. No dia 29, na terceira sessão negocial da tabela salarial para este ano, a administração chegou mesmo a pedir aos sindicatos para que valorizassem o seu «esforço», numa referência ao facto de numa primeira proposta ter avançado com um valor ainda inferior, de 0,4 por cento.

Da parte da comissão negociadora sindical, afirma a Fiequimetal, há a convicção de que a empresa está a «sobrevalorizar a sua minguada posição e a ignorar as legítimas necessidades dos trabalhadores, que querem ver seriamente melhorados os seus salários e, assim, atenuar os brutais sacrifícios que lhe são impostos». Face à defesa, pela federação de sindicatos, de um aumento de 2,8 por cento, a administração interrompeu essa ronda negocial, adiando a discussão para uma próxima reunião, prevista para ontem. Entre Janeiro e Setembro do ano passado, a EDP totalizou 792 milhões de euros de lucros. 

Congelamento privado

A administração dos CTT pretende manter os salários dos trabalhadores congelados em 2014, tendo inclusivamente feito esta proposta na primeira reunião negocial com os sindicatos, realizada no dia 24 de Janeiro. Apesar desta empresa ter sido já privatizada, a administração pretende manter em vigor aquela que é a directiva do Governo para as empresas públicas.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) considera a proposta da administração inaceitável, garantindo que se esta permanecer em cima da mesa «irá analisar com os trabalhadores a posição a tomar». O sindicato lembra que não só o presidente da empresa afirmou que, a partir de Dezembro, «tudo seria melhor» como os ministérios das Finanças e da Economia garantiram que haveria, em 2014, «uns milhares de euros para aumentos salariais».

O SNTCT recorda ainda que os accionistas dos CTT, incluindo o Estado, vão receber perto de 60 milhões de euros e que se houvesse congelamento de salários os trabalhadores «perderiam poder de compra».




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