Editorial

«O caminho da luta que travamos é o caminho do rumo da vitória»

O caminho da luta

Realizou-se, no passado dia 22 de Fevereiro, na Academia Almadense, o Encontro Nacional do PCP sobre «A Situação Nacional, as Eleições para o Parlamento Europeu e a Luta por Uma Política Patriótica e de Esquerda», que contou com uma grande e combativa participação de perto de mil quadros comunistas, apesar do silenciamento quase absoluto por parte da comunicação social.

A reflexão e o debate que ali tiveram lugar assumem uma grande importância política para a intervenção do PCP nas grandes batalhas que temos pela frente, no plano nacional e no plano europeu. Desde logo, as eleições para o PE, batalha de grande significado, não só porque pode conduzir ao reforço da intervenção dos deputados da CDU em defesa dos trabalhadores, do nosso povo e do nosso País, mas também pelo contributo que pode dar para derrotar o Governo, impor a convocação de eleições legislativas antecipadas, conduzir à ruptura com a política de direita e à alternativa política patriótica e de esquerda.

Eleições que passaram a marcar a agenda política nacional, como ficou visível com a apresentação dos primeiros candidatos das listas da coligação PSD/CDS e do PS, no último fim-de-semana, e se torna cada vez mais evidente no frenesim com que o Governo se movimenta para iludir os portugueses sobre as consequências desastrosas da política que prossegue.

Propaganda enganosa que procura fazer passar a ideia de que valeram e valem a pena os brutais sacrifícios a que foi e está a ser sujeito o povo português e que, graças à sua acção salvadora, Portugal está a sair da crise, esperando-nos, a partir de agora, um futuro radioso.

Propaganda enganosa também a do PS, que, procurando fazer esquecer a sua grande responsabilidade na situação a que chegámos, e as medidas de grande retrocesso social que foi tomando – os PEC de má memória, uma brutal ofensiva contra os direitos laborais e o encerramento de muitos serviços públicos, entre outros malefícios – é também corresponsável pelo pacto de agressão da troika e pela aprovação do Tratado de Lisboa, que representou para Portugal a perda de importantes fatias da soberania e independência nacionais.

Impõe-se, por isso, levar a cabo uma dinâmica campanha de esclarecimento e de mobilização para a necessidade de reforço da CDU, em defesa dos interesses do povo e do País. O voto que conta sempre para castigar os responsáveis por esta política e para a alternativa necessária.

O PCP e a CDU não se resignam perante os que comprometem o futuro do Portugal com políticas de dominação do nosso povo e do nosso País. Não se submetem aos ditames de uma União Europeia dos monopólios, neoliberal, federalista e militarista. Não aceitam o pacto de agressão da troika e tudo farão para concretizar a mudança necessária por uma política patriótica e de esquerda, componente fundamental da «Democracia Avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal». Valores de Abril que continuam a orientar a matriz democrática da nossa Constituição e vão estar no centro das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril que, no plano unitário e no plano partidário, se vão desenvolver a nível nacional.

Também os trabalhadores portugueses não se resignam a esta política e prosseguem uma luta que todos os dias põe em causa a propaganda enganosa do Governo e denuncia os efeitos maléficos da sua política. Depois das importantes vitórias conseguidas pela luta dos estivadores (abertura da negociação colectiva, interrupção imediata do processo de precarização das relações laborais, readmissão de trabalhadores dispensados e paragem do processo que apontava para a eventual falência da A-EPTL) e pelos trabalhadores da Administração Local (reposição do horário das 35 horas), para referir apenas dois exemplos, realizam-se hoje as marchas marcadas pela CGTP-IN para Lisboa e para o Porto, lutas de grande importância em defesa do emprego, dos salários, do direito à saúde, à educação e à protecção social. Luta que vai prosseguir na Semana de 8 a 15 de Março, decidida pela CGTP-IN, na manifestação das forças de segurança de 6 de Março, na luta dos estudantes do Ensino Secundário de 13 de Março, na manifestação de trabalhadores da Administração Pública de 14 de Março e em muitas outras que vão ocorrer nas empresas e locais de trabalho e das populações em defesa dos serviços públicos.

Luta de massas que se vai desenvolver a par do processo de preparação das eleições para o Parlamento Europeu e que, sendo o factor determinante para o objectivo central de derrotar este Governo e esta política e criar condições para a alternativa, converge com estas na sua concretização. O que implica, dialecticamente, levar a luta até ao voto e levar o voto até à luta.

No quadro da concretização das tarefas de reforço do PCP vai iniciar-se no início de Março a acção de contacto com os membros do Partido para elevação da militância, entrega do novo cartão de membro do Partido e actualização de dados. O objectivo principal deste contacto é, na base do apuramento da disponibilidade e possibilidade de cada camarada e das propostas a fazer-lhe, elevar a sua militância, contribuir para uma participação regular, criar melhores condições para uma melhor e mais intensa acção política, para um PCP mais forte.

Com um PCP mais forte, com o reforço da CDU, com a intensificação da luta de massas é possível a ruptura com esta política e a alternativa que defendemos.

São duros os tempos que vivemos. Mas o caminho da luta que travamos é o caminho do rumo da vitória.



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