Editorial

«O Partido a que vale a pena aderir, de que vale a pena ser militante»

Determinação e confiança

O Partido Comunista Português celebra hoje o seu 93.º aniversário. Fundado a 6 de Março de 1921, o seu aparecimento correspondeu à necessidade sentida por sectores politicamente mais conscientes do operariado português de criação de um partido de classe – um Partido da classe operária e de todos os trabalhadores - com o objectivo supremo de construção do socialismo e do comunismo.

Com o golpe de Estado de 1926, o PCP viria a ser ilegalizado e as suas sedes encerradas e, perante a fascização do Estado, foi o único partido a enfrentar e combater a ditadura fascista e a lutar, nas duras condições da clandestinidade, pelo seu derrube, através da Revolução Democrática e Nacional.

Com o 25 de Abril de 1974, é o Partido que se bate como nenhum outro pela realização de profundas transformações políticas, económicas, sociais e culturais, que se traduziram em importantes conquistas e realizações para servir os trabalhadores e o povo e melhorar as suas condições de vida, num País desenvolvido, independente e soberano.

Iniciado o processo contra-revolucionário com o I Governo Constitucional (PS/Mário Soares), o PCP transforma-se no partido da resistência a este processo e da defesa das conquistas revolucionárias de Abril, que, há 37 anos, três partidos – PS, PSD e CDS – que, sozinhos ou em coligação, se têm revezado no Governo, vêm procurando destruir.

Hoje, o Partido Comunista Português continua a ser o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. E é também o Partido de Abril, não apenas porque deu um contributo sem paralelo no panorama partidário português para a sua concretização e definição da sua natureza amplamente democrática, antimonopolista e anti-imperialista, como é hoje o Partido que assume e toma como referência a plenitude dos seus valores e conquistas.

Partido que se bate por um programa de desenvolvimento do País e cuja concretização é igualmente indissociável da luta que hoje trava pela ruptura com a política de direita e pela materialização de uma política patriótica e de esquerda.

Partido da verdade, da esperança e do futuro, portador do projecto da construção em Portugal de uma sociedade socialista – «uma so-ciedade de liberdade e de abundância, em que o Estado e a política estejam inteiramente ao serviço do bem e da felicidade do ser humano»  (Álvaro Cunhal, O Partido com Paredes de Vidro) – é o Partido a que vale a pena aderir, de que vale a pena ser militante.

Também esta semana (8 de Março) celebramos o Dia Internacional da Mulher, que o PCP assinala com a realização, nos dias 6, 7 e 8 de Março, de um conjunto de acções em diversas zonas do País, privilegiando o contacto directo, dando às mulheres a oportunidade de colocarem os seus problemas e anseios exortando-as, ao mesmo tempo, a ampliarem a sua luta pela participação, em igualdade, numa sociedade mais justa, num País soberano. Luta das mulheres pela efectivação dos seus direitos que encontrou sempre no PCP um firme e combativo apoio. Luta das mulheres que é necessário ampliar pela demissão do Governo, pela derrota da política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda. Política patriótica e de esquerda que retome os valores de Abril no futuro de Portugal, que efective os direitos de participação das mulheres em igualdade no trabalho, na família, na vida social, política, cultural e desportiva.

Assistimos também esta semana a um novo episódio no folhetim carnavalesco da propaganda do Governo, a propósito da 11ª avaliação da troika. Falando a duas vozes, o Governo encomendou a Paulo Portas o discurso das «bem-aventuranças» trazidas pela sua acção governativa: Que passámos em mais esta avaliação da troika, que estamos no bom caminho, que Portugal está a recuperar, que o paraíso está à vista de todos aqueles que aceitem a resignação. A Passos Coelho pediu que falasse dos sacrifícios que é necessário continuar a fazer, da austeridade que é necessário continuar a impor e dos cortes definitivos nos salários.

E a resposta dos trabalhadores e do povo também não se fez esperar: Nas marchas de 27 de Fevereiro (tão ignoradas ou desvalorizadas pela comunicação social) e, nas muitas outras lutas travadas nas empresas, locais de trabalho e em defesa dos serviços públicos, voltou a dizer, nas ruas, que não se deixa enganar nem se submete, que os governantes estão a ir longe de mais neste vergonhoso exercício de propaganda enganosa e que lhes saberá dar a resposta apropriada, participando nas muitas lutas já agendadas para Março e para Abril e reforçando, pelo esclarecimento e pelo voto, a intervenção da CDU. CDU que fará, no próximo dia 10, a apresentação pública de uma importante Declaração Programática, através da qual dará a conhecer as suas análises e propostas para a intervenção no Parlamento Europeu e o seu compromisso de sempre em defesa dos trabalhadores, do povo e do País.

Iniciou-se no passado fim-de-semana a campanha de reforço do PCP com a acção de contactos e recrutamentos, em que se insere também a venda especial deste número do Avante!, campanha «por um PCP mais forte», que, agora, urge prosseguir em todas as organizações, nas cinco direcções decididas pelo Comité Central. Um PCP mais forte é condição fundamental para a intensificação da luta de massas, para a derrota do Governo e para a mudança política necessária. Com determinação e confiança, combatendo também o silenciamento ou desvalorização da nossa intervenção pela comunicação social, continuaremos o caminho que, do passado nos trouxe até aqui e que, daqui, nos levará rumo a Abril, rumo ao futuro.



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