Editorial

«De organização e de luta são feitos os instrumentos políticos da transformação social»

Organização e luta

A semana que passou fica marcada por significativos acontecimentos: em primeiro lugar, pelo impacto político e social da grandiosa manifestação das forças e serviços de segurança, uma enorme acção de luta e unidade destas classes sócio-profissionais, que traduz a crescente redução da base social de apoio ao Governo e à política de direita e o impetuoso crescimento da luta de diversas camadas e classes anti-monopolistas, cilindradas pelo rolo compressor da concentração capitalista em curso. Luta que torna também evidente o estrondoso colapso do apelo do Governo à resignação e ao conformismo e reduz a cinzas a despudorada campanha de propaganda enganosa de que os sacrifícios e a austeridade valeram e valem a pena, porque já se enxerga «a luz ao fundo do túnel» da libertação do protectorado da troika.

Luta que constitui, ao mesmo tempo, um importante estímulo para outras acções marcadas para os próximos dias e às quais é necessário dar um grande impulso para que possam atingir os seus objectivos e contribuir para a derrota do Governo, para a convocação de eleições antecipadas e para a alternativa política necessária. Estão neste caso as acções inscritas na Semana de Luta da CGTP-IN de 8 a 15 de Março, as lutas dos estudantes dos ensinos Básico e Secundário (13 de Março), a manifestação dos trabalhadores da Administração Pública (14 de Março) e a acção da família militar (15 de Março), a luta dos agricultores (3 de Abril) e a luta dos reformados e pensionistas (12 de Abril). E estão igualmente as lutas das populações em defesa dos serviços públicos e dos trabalhadores em muitas empresas e locais de trabalho.

Lutas que se reflectem também no atiçar das contradições entre os responsáveis por esta política – a troika interna (PS, PSD e CDS), a troika externa (UE, BCE e FMI) e o PR – todos eles amarrados, pela assinatura, pelo voto ou pelo comprometimento com os instrumentos desta política (Memorando de Entendimento, Tratado Orçamental, Governação Económica, Semestre Europeu, Pacto para o Euro Mais). Estão neste caso os anúncios e profecias do professor Cavaco Silva – o «homem do leme» que ainda não há muitos anos fazia a propaganda enganosa de um país-oásis no pelotão da frente – de que Portugal deverá ficar «sujeito a acompanhamento rigoroso» (leia-se, sob a mesma política de exploração, empobrecimento e injustiças) durante mais 20 anos. Declarações bombásticas, não porque ponham em causa a convergência do PR com os objectivos estratégicos do Governo, mas porque vêm pôr a nu a teoria da recuperação económica e da saída limpa. Contradições entre o PR e o Governo que visam também chamar «à razão» o PS para a necessidade de um consenso político alargado (PS, PSD e CDS). Uma inevitabilidade, aliás, como afiança o mestre, que, tendo presentes o comprometimento destes três partidos com a política de direita e os condicionalismos («as exigências de rigor») a que Portugal vai estar sujeito (a «pulseira electrónica» na feliz imagem usada pelo camarada Jerónimo de Sousa no comício do 93.º aniversário do PCP) pelo menos até ao ano de 2035, se virá a impor necessariamente. Profecia que, contraditoriamente também, vem dar nova força à nossa exigência de ruptura e de mudança, só possível pelo reforço do PCP e da CDU, pela intensificação da luta de massas e pela convergência dos democratas e patriotas.

Foi por isso um acontecimento de elevado significado político a apresentação da Declaração Programática do PCP para as eleições para o PE «Um Portugal com futuro numa Europa dos trabalhadores e dos povos», no passado dia 10. «Um compromisso dos comunistas – como referiu o Secretário-geral do PCP – para com os trabalhadores, o povo e o País». Um compromisso na luta de fundo por um Portugal com futuro que se articula em torno de seis direcções fundamentais: «Democracia e soberania; cooperação e desenvolvimento económico; emprego e justiça social; língua e cultura portuguesas; ambiente e recursos naturais; paz, amizade e solidariedade com todos os povos do mundo». E implica «a ruptura com a União Europeia da estagnação e da recessão económica, da desindustrialização da periferia, do fim dos sistemas públicos e universais de saúde, educação e segurança social. Ruptura com a sujeição ao mercado de todas as esferas da vida social. Ruptura com a União Europeia das assimetrias de desenvolvimento, da colonização económica, das troikas, da guerra e da ingerência. Ruptura com a União Europeia do ressurgimento do fascismo, dos nacionalismos, da xenofobia e do racismo» – como referiu o 1.º candidato da CDU, João Ferreira.

Registe-se, por outro lado, a acção integrada levada a cabo nas organizações do Partido, que vai ter continuidade nas próximas semanas, de realização de muitas iniciativas de comemoração do 93.º aniversário do PCP, com destaque para o comício realizado na Voz do Operário em Lisboa, que contou com a participação de Jerónimo de Sousa, iniciativas em que participaram milhares de camaradas e amigos, muitos dos quais aproveitaram a oportunidade para aderir ao PCP. Acção que passou também pela campanha de reforço do Partido, em concretização; pela venda especial do Avante! do aniversário e pelas múltiplas iniciativas, nos planos unitário e partidário, de comemoração do Dia Internacional da Mulher. Acção integrada que inclui a preparação das eleições para o Parlamento Europeu como grande tarefa de todo o colectivo partidário: na organização, na planificação, no esclarecimento e na luta. Porque de organização e de luta são feitos os instrumentos políticos da transformação social.



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