Os comunistas lutam com a mesma determinação de sempre
PCP comemora 93 anos
Orgulho no passado<br> confiança no futuro

O Partido Comunista Português iniciou, no fim-de-semana, as comemorações do seu 93.º aniversário em dezenas de iniciativas nas quais participaram milhares de militantes e simpatizantes. No vibrante comício de Lisboa como no grande almoço do Seixal, em que marcaram presença Jerónimo de Sousa e João Ferreira, uma coisa ficou desde logo clara: o colectivo partidário comunista está coeso e determinado em prosseguir o seu combate de sempre contra a exploração e a opressão, pela democracia, o progresso e a justiça social.

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As iniciativas comemorativas do aniversário do PCP são sempre especiais. Não porque nelas participem mais pessoas do que noutras ou porque as intervenções políticas sejam mais prementes ou empolgantes do que sucede em iniciativas partidárias de outro âmbito. Se são especiais é, sobretudo, porque nelas o passado, o presente e o futuro do Partido Comunista Português surgem como um todo contínuo e coerente; porque está presente a sua história heróica, a luta abnegada dos seus militantes ao longo de mais de nove décadas e o seu projecto revolucionário de construir em Portugal uma sociedade sem classes; porque se exalta a natureza e a identidade do Partido e a forma ímpar como os seus membros vivem a militância e se entregam à causa que abraçaram.

Estes ingredientes estiveram uma vez mais presentes no comício comemorativo dos 93 anos do PCP, realizado na sexta-feira à noite no salão da Voz do Operário, em Lisboa. E foram eles que fizeram desta acção mais uma exaltante demonstração de força, unidade, coesão e determinação de um colectivo que está na primeira linha das lutas – e da luta – que se travam no dia-a-dia para travar o passo à exploração e ao empobrecimento e para afirmar a alternativa patriótica e de esquerda que o PCP propõe e corporiza.

Para além das palavras (já lá vamos), é a forma como os comunistas vivem o seu Partido que faz dele uma força ímpar: no comício de dia 7 isso foi particularmente visível na reacção entusiástica das muitas centenas de pessoas presentes (que transbordavam o salão, em cuja entrada se lê «Trabalhadores, Uni-vos») às palavras do Secretário-geral do PCP, do primeiro candidato às eleições de 25 de Maio para o Parlamento Europeu e dos outros intervenientes, sobretudo quando se referiam ao Partido e às lutas (e vitórias!) dos trabalhadores, no calor com que receberam a poesia declamada por António Olaio e Luzia Paramés ou no longo abraço colectivo com que cantaram, a uma só voz e de punho erguido, o «Avante, Camarada», «A Internacional» e «A Portuguesa».

Grande almoço no Seixal

No domingo, no Pavilhão da Siderurgia Nacional, teve lugar um grande almoço comemorativo do aniversário do PCP, no qual participaram 800 pessoas, oriundas quase todas do próprio concelho do Seixal. Ali estavam operários, empregados, intelectuais e estudantes; autarcas e trabalhadores das autarquias; sindicalistas e associativistas; dirigentes locais e militantes de base – partilhando não só um ideal e um projecto colectivo mas também as múltiplas tarefas inerentes a tamanha iniciativa. Escusado será dizer que o «serviço» foi irrepreensível.

Tal como no comício de Lisboa, também no almoço do Seixal se falou da luta dos trabalhadores, das populações, da juventude. Lutas por vezes pequenas – pelo direito roubado, pela carreira suprimida, pelas obras que faltam na escola –, mas imprescindíveis para alargar a frente de resistência à exploração e ao empobrecimento e delas partir para lutas maiores, ofensivas.

São assim os comunistas: gente de luta, que não desiste, que confia nos trabalhadores e no povo e na sua capacidade para, com eles, empreender a construção de um Portugal de progresso e justiça social. 

 

Tomar Partido

Tomar partido é irmos à raiz

do campo aceso da fraternidade

pois a razão dos pobres não se diz

mas conquista-se a golpes de vontade.

 

Cantaremos a força de um país

que pode ser a pátria da verdade

e a palavra mais alta que se diz

é a linda palavra liberdade.

 

Tomar partido é sermos como somos

é tirarmos de tudo quanto fomos

um exemplo um pássaro uma flor.

 

Tomar partido é ter inteligência

é sabermos em alma e consciência

que o Partido que temos é melhor.

 

José Carlos Ary dos Santos

 

Jerónimo de Sousa
O Partido com que o povo pode contar

«Assinalamos o 93.º aniversário do nosso Partido reafirmando o partido que somos e queremos continuar a ser: o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores; o Partido da resistência antifascista; o Partido da liberdade e da democracia; o Partido de Abril; o Partido da independência e da soberania nacional, o Partido da pátria portuguesa, o Partido patriótico; o Partido da paz, da amizade e da cooperação entre os povos, o Partido internacionalista.» Foi com estas palavras que Jerónimo de Sousa terminou a sua intervenção no comício da Voz do Operário, na sexta-feira. Palavras que, resumindo a natureza e identidade do PCP, ajudam a explicar a sua impressionante resistência, a sua permanência «do lado certo» por mais adversos que fossem os tempos e, no «vendaval de exploração e empobrecimento da política de direita, dos PEC, do pacto de agressão», a sua afirmação uma vez mais como o Partido «com que os trabalhadores e o povo podem contar».

Para o Secretário-geral, o Partido «esteve, e está, em acção em todas as frentes»: com a luta dos trabalhadores e das massas populares, esclarecendo, organizando, mobilizando, apoiando; na Assembleia da República a confrontar o Governo e a sua política, a dar voz aos problemas, preocupações e aspirações dos trabalhadores e do povo, a propor soluções; nas assembleias legislativas das regiões autónomas dos Açores e da Madeira desempenhando também aí o seu papel insubstituível; nas autarquias locais a intervir para a resolução dos problemas das populações a defender o Poder Local ameaçado; no Parlamento Europeu a defender os interesses nacionais, a defender a paz, a cooperação e a amizade entre os povos.

Portugal, os trabalhadores e o povo, acrescentou, «precisam de um PCP ainda mais forte». Reforçá-lo a todos os níveis – dando cumprimento à resolução do CC «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte» – é, pois, decisivo para defender os interesses populares e derrotar o Governo e a política de direita.

Partido de Abril

A passagem de 40 anos sobre aquele que é o mais luminoso acontecimento da história nacional – a Revolução de Abril – dá, para Jerónimo de Sousa, uma razão acrescida para comemorar o aniversário do PCP. É que ele é, justamente, o «Partido de Abril», pelo contributo sem paralelo que deu para a concretização da Revolução e para a definição da «sua natureza amplamente democrática, antimonopolista e anti-imperialista», ao mesmo tempo que é hoje aquele que «assume e toma como referência a plenitude dos seus valores e das suas conquistas, para projectar o desenvolvimento independente e soberano do nosso País».

Jerónimo de Sousa lembrou que o PCP foi o único partido a atravessar os 48 anos da ditadura, chegando a Abril «sem se render, nem abandonar a luta, apesar de ser objecto da mais violenta repressão». Ao mesmo tempo, acrescentou, deu um contributo decisivo na «definição e concepção do projecto de Revolução Democrática e Nacional que a Revolução de Abril traduz no seu desenvolvimento e que haveria de ser determinante para conduzir na direcção certa a batalha pela libertação do nosso povo». Partido de Abril também por ter sido um dos «grandes obreiros da fundação e construção do regime democrático» e por se ter batido pela realização de profundas transformações económicas e sociais, bem como pela sua defesa, de 1976 até hoje.

A vinculação do PCP com os valores de Abril, nomeadamente os que emanam das suas grandes conquistas e realizações, fica também patente no projecto de sociedade que propõe ao povo, patente no seu Programa «Uma Democracia Avançada – Os Valores de Abril no Futuro de Portugal». Trata-se, precisou Jerónimo de Sousa, de um programa para «responder aos novos problemas da vida de hoje e, inequivocamente, retomar o caminho inacabado de Abril e libertar o País do domínio do capital monopolista e da submissão ao estrangeiro».

Construir a alternativa

A realização dos objectivos superiores do Partido – a Democracia Avançada, o Socialismo e o Comunismo – é, para Jerónimo de Sousa, indissociável da «luta que hoje travamos pela concretização da ruptura com a política de direita e da materialização de uma política patriótica e de esquerda». Segundo o Secretário-geral do Partido, o País «não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo, uma verdadeira mudança alternativa e não as falsas e perversas soluções dos partidos do rotativismo nacional».

A alternativa que o PCP propõe e corporiza – que necessita para ser concretizada de um governo também ele patriótico e de esquerda – representa uma ruptura com as «políticas dominantes da direita em Portugal e com os eixos fundamentais do processo de integração capitalista europeu». Partindo da necessidade e urgência de garantir a renegociação da dívida, esta política alternativa tem como opções fundamentais a defesa e aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos, a valorização efectiva dos salários e pensões, o combate ao despesismo e à despesa sumptuária e o aumento da tributação de dividendos e lucros do grande capital, a defesa e recuperação dos serviços públicos e assunção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais.

 

Resistir ao imperialismo

No comício da Voz do Operário, o Secretário-geral do PCP referiu-se à «violenta ofensiva» em curso contra a soberania dos povos. «O imperialismo, confirmando a sua estratégia de domínio pela força e pela conspiração, lança-se em inúmeras campanhas de desestabilização e ingerência», afirmou Jerónimo de Sousa, referindo-se particularmente ao que se passa na Venezuela e na Ucrânia.

No primeiro caso, lembrou, o que está em causa é a tentativa de «interromper ou mesmo fazer retroceder» as grandes conquistas da revolução bolivariana, sufragadas em 18 actos eleitorais nos últimos 15 anos. Ou seja, precisou, pretendem «fazer retroceder um povo que ousou afirmar e exercer a sua soberania nacional e demonstrar que é possível percorrer o caminho da democracia, da justiça e progresso social e da paz». Jerónimo de Sousa salientou, sem meias palavras, que «estamos com os trabalhadores e o povo venezuelano em defesa das suas conquistas e da sua Revolução».

No que respeita à situação na Ucrânia, o Secretário-geral do PCP lembrou que os «mesmos que procuram desestabilizar a Venezuela são, afinal, os mentores do golpe de Estado» levado a cabo naquele país do Leste da Europa, «protagonizado pela forças de extrema-direita, de cariz fascista e neonazi». Os presidentes dos EUA e da Comissão Europeia, acusou Jerónimo de Sousa, estiveram por detrás do «apoio às forças fascistas que agora controlam o poder em Kiev», prestaram solidariedade aos que «atacam sedes partidárias, ameaçam e agridem militantes comunistas», conspiram há muito para forçar a Ucrânia a assinar acordos com o FMI e a União Europeia e para a amarrar à estratégia da NATO.

Não fosse tão sério até seria cómico – de tão ridículo – ouvir falar de soberania e de integridade territorial aqueles que, como afirmou o dirigente do PCP, na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Síria, «só para falar de alguns exemplos recentes, espezinharam os direitos de soberania daqueles povos à força da bomba». Consciente do «complexo processo de rearrumação de forças» que marca a actualidade e dos interesses que estão por detrás deste e de outros acontecimentos, Jerónimo de Sousa afirmou que a «solução que melhor serve o povo ucraniano e os povos da região é o respeito pelos seus direitos, pelo seu direito soberano de decidir livremente sobre os seus destinos, sem interferências externas». Este respeito, esclareceu, passa em primeiro lugar pelo fim da estratégia dos EUA, da União Europeia e da NATO de submeter este país à sua estratégia de domínio da Europa Oriental.

 

João Ferreira apela ao reforço da CDU
Objectivo possível, justo e necessário

João Ferreira, primeiro candidato da CDU às eleições de 25 de Maio próximo para o Parlamento Europeu, interveio nas iniciativas de sexta-feira e domingo, comemorativas do 93.º aniversário do Partido. E fê-lo para lembrar que «de entre as tarefas e lutas que se impõem no momento actual emergem, obrigatoriamente, as eleições para o Parlamento Europeu», que terão lugar num «quadro muito particular, que nenhuma operação de propaganda pode iludir»: a situação de «destruição económica, devastação social, empobrecimento generalizado e afundamento nacional» para o qual o País foi arrastado.

A explicar esta situação está, para João Ferreira, a política que «há mais de três décadas vem sendo desenvolvida por sucessivos governos, ora do PS, ora do PSD, com ou sem o CDS», e a «continuada e crescente submissão do País às políticas e orientações da União Europeia e aos ditames e interesses estratégicos das suas grandes potências».

Troika interna

Com o aproximar das eleições, alertou o candidato da CDU, «ensaiam-se já as difíceis manobras do PSD e CDS, por um lado, e do PS, por outro, para esconder um facto indesmentível»: estes três partidos, que estiveram juntos na assinatura do pacto de agressão, estiveram também do mesmo lado «em tudo o que de mais relevante foi votado no Parlamento Europeu nos últimos cinco anos»:

  • apoiaram o «Pacto para o Euro Mais», proposto pela mão de Merkel e Sarkozy, mas de facto imposto pelo grande patronato europeu, visando o aumento da idade da reforma, a desregulamentação laboral e o fim da contratação colectiva;

  • estiveram juntos no apoio ao pacote legislativo da «governação económica», que tenta impor uma política económica única, independentemente da vontade dos povos e das necessidades de cada país, secundarizando os parlamentos nacionais;

  • aprovaram o orçamento da UE até 2020, que reduz as verbas atribuídas a Portugal e limita fortemente as opções e prioridades nacionais na aplicação dessas verbas. Este orçamento «submete Portugal a uma inaceitável chantagem: ou cumpre as ilegítimas e anti-democráticas imposições de política macroeconómica da União Europeia ou vê fechada a torneira dos fundos. Uma torneira que já quase só pinga e cada vez menos»;

  • aprovaram juntos, na Assembleia da República, o «Tratado Orçamental» e juntos impediram o povo português de se pronunciar sobre ele em referendo, como propôs o PCP;

  • estiveram os três de acordo na redução de mais um deputado para Portugal.

Por isso, acusou João Ferreira, «podem jurar ser diferentes e esforçar-se em parecê-lo aos olhos dos portugueses», mas a realidade é que «estiveram sempre juntos nestas e noutras decisões fundamentais». Assim, bem pode o PS queixar-se da UE e do seu «acentuado pendor neoliberal», mas a realidade é que este partido «nunca soube nem nunca quis propor um caminho alternativo», acrescentou o primeiro candidato da CDU. Não deixa, aliás, de ser revelador que o PS tenha escolhido para encabeçar a sua lista ao Parlamento Europeu alguém que, ainda há poucos meses, «defendia publicamente um entendimento entre o PS e o PSD».

Mais votos e mais deputados

Nas eleições para o Parlamento Europeu, adiantou João Ferreira, «o reforço da CDU, da sua votação, influência e do número de deputados, é um objectivo possível, justo, necessário e útil». Se é possível porque nele têm «interesse directo todos os prejudicados pela actual política», é justo porque «reconhece um trabalho ímpar em defesa do País, dos trabalhadores e do povo». E é necessário e útil «para uma mais firme defesa dos interesses de Portugal no Parlamento Europeu» e para «dar mais força à mudança de rumo que se impõe na vida nacional».

Mais votos e mais deputados da CDU no PE, salientou ainda o candidato comunista, dará ainda «mais força à luta pela demissão do actual Governo e pela derrota da sua política», que constituiria em si mesmo um «inestimável contributo para dar também mais força à luta por uma outra Europa, dos trabalhadores e dos povos».



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