A coesão, união e força demonstradas vão ter efeitos
Revolta e mal-estar patentes nas ruas como nunca
Polícias unidos exigem celeridade

Milhares de profissionais das forças e serviços de segurança fizeram, no dia 6, a maior manifestação de sempre do sector, dando mais força à exigência de solução rápida para as questões colocadas ao Governo.

A dimensão e o vigor do protesto, iniciado na Praça do Marquês de Pombal, cerca das 18 horas de quinta-feira da semana passada, foram os traços que acabaram por sobressair na apreciação daquela jornada, apesar dos esforços, que na comunicação social foram evidentes, para colocar o foco nos degraus do Palácio de São Bento e na tensão ali mantida entre manifestantes e cordão policial.

Promovida pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, a manifestação juntou em Lisboa homens e mulheres, muitos deles jovens, da PSP e da GNR (em maior número e com mais bandeiras e faixas), mas também da Guarda Prisional, da Polícia Marítima, da ASAE e do SEF. No final, os organizadores subiram para 17 mil o número estimado de participantes.

Além das associações e sindicatos que integram a CCP, outras organizações profissionais apoiaram a luta e marcaram presença. O facto de se manifestarem, não apenas juntos, mas mesclando bandeiras e activistas, foi mais uma expressão da unidade gerada em torno dos objectivos que levaram à convocação desta jornada.

Para a CCP, «a coesão, união e força» demonstradas no dia 6 «vão com certeza fazer com que o Governo repense a forma como tem tratado os profissionais» da segurança interna. No dia 7, num comunicado a «felicitar os milhares de polícias que ontem saíram à rua, naquela que foi a maior manifestação de sempre deste sector» e a registar que houve também, com objectivos idênticos, concentrações na Madeira e nos Açores – a CCP assinalou que «ficou demonstrado o nível de revolta que está instalado nas diversas forças e serviços de segurança, devido aos cortes constantes nos salários». «Sem perdermos a razão que nos assiste, ficou claro que estamos e estaremos todos unidos, numa luta que é de todos, que tem a ver com a nossa dignidade e com a degradação das nossas condições de vida», refere-se no documento.

A Coordenadora, assinando com os símbolos da APG/GNR, da ASPP/PSP, da ASPPM, do SCIF-SEF, do SNCGP e da ASF/ASAE, coloca a «bola» do lado do Governo, pois este «pode resolver, com celeridade, várias questões, através da adequação dos diversos estatutos profissionais».

Por fim, é dirigido um elogio aos profissionais da PSP que estiveram de serviço no perímetro da Assembleia da República, «pela forma como desempenharam a sua missão, mesmo estando ao nosso lado nas reivindicações».

Uma delegação da CCP foi recebida pela presidente da AR, enquanto milhares de manifestantes permaneciam frente ao Parlamento. O regresso aos autocarros e aos vários distritos começou já perto das dez da noite.

O PCP emitiu, ainda nesse dia, uma nota de imprensa (ver caixa). Durante a concentração, no Marquês de Pombal, os deputados comunistas António Filipe e Jorge Machado saudaram os dirigentes associativos e outros manifestantes.

 

Indignação acicatada

O Governo, «desde a manifestação de 21 de Novembro, fingiu encetar um processo de diálogo, abrindo expectativas, ao mesmo tempo que ia anunciando novas medidas penalizadoras para os profissionais das forças e serviços de segurança e tornando pública a intenção de proceder a incompreensíveis castigos» (em resultado daquela manifestação), «contribuindo desse modo para acicatar um clima de ainda maior indignação», acusou o PCP.

Na nota divulgada ao final do dia 6 pelo Gabinete de Imprensa, o Partido recordou que o Governo «não só não respondeu aos problemas que atingem estes profissionais, como adoptou novas medidas de penalização das suas vidas». Se o próprio ministro da Administração Interna, ciente do ambiente criado pela sua política, veio admitir que os membros das forças de segurança não podiam ser tratados de forma igual aos restantes trabalhadores da Administração Pública, pois não se podia tratar de forma igual aquilo que é diferente, «a essa afirmação não correspondeu nenhuma medida que lhe desse substância».

Para o PCP, no dia 6 de Março ocorreu «a maior manifestação de sempre destes profissionais», que foi «uma imensa demonstração do mal-estar que percorre estes sectores».

Dos problemas vividos, na nota refere-se: «os crescentes e públicos casos de insolvência familiar e incumprimento das obrigações assumidas que, no conjunto, somam já cerca de seis mil»; «novos cortes nos direitos na saúde»; «medidas para algumas forças, visando um regime disciplinar mais apertado e repressivo»; «incumprimento de acordos geradores de expectativas que deveriam ter no Orçamento do Estado a sua expressão e que acabaram por não se verificar»; «o tratamento desigual adoptado no que respeita ao vínculo à lei dos trabalhadores em funções públicas»; «a crescente degradação das condições para o exercício profissional, seja do ponto de vista material, seja do ponto de vista do número de efectivos, a que se soma a crescente desmotivação, fruto da situação criada pela política do Governo».

O PCP manifesta «solidariedade aos profissionais das forças e serviços de segurança, pelas justas reivindicações que motivaram a sua luta e pelo grau de coesão, unidade, disciplina e responsabilidade», e considera que «a luta destes profissionais inserindo-se na luta mais geral dos trabalhadores e do povo, como eles vítima deste desastroso rumo, torna claro a oposição à política de direita e o crescente isolamento deste Governo e a necessidade da sua demissão».




 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: