Editorial

«Mais organização, mais intervenção, maior influência»

UM PCP MAIS FORTE

Contrariando as profecias agoirentas das inevitabilidades e a propaganda enganosa do Governo; contrariando também as teorias sobre uma suposta mansidão do povo português (injustamente comparada à «bravura» de outros povos), uma verdadeira maré de lutas se está a levantar, mostrando que os trabalhadores e o povo não se submetem, não abdicam de viver num país soberano e desenvolvido; não se rendem, apesar do apertado cerco em que Governo, troikas e PR o gostariam de ver encurralado. As manifestações da última semana dos trabalhadores da administração pública, dos ferroviários, dos trabalhadores da Valorsul, dos estudantes, da família militar, a palavra de ordem «está na hora, está na hora do governo ir embora» gritada por milhares dos participantes na «Meia Maratona de Lisboa» sobre a ponte 25 de Abril e muitas outras lutas nas empresas e locais de trabalho são expressão desse estado de espírito dos trabalhadores e do povo e traduzem uma progressiva elevação da sua consciência social.

No plano do Partido, em articulação com o desenvolvimento desta intensa luta de massas, vive-se um bom ambiente, que se tem vindo a materializar no grande número de iniciativas de comemoração do 93.º aniversário, de que se destaca, pela participação e combatividade, o comício no Porto e o almoço em Aljustrel com a intervenção dos camaradas Jerónimo de Sousa e João Ferreira, na realização de diversas assembleias de organização, na concretização de novos recrutamentos, na responsabilização de novos quadros, na acção de contacto com os membros do Partido para elevação da militância, entrega do novo cartão e actualização de dados. Acção de reforço do Partido «mais organização, mais intervenção, maior influência, um PCP mais forte», que passa também pela intensificação do trabalho de preparação das eleições para o Parlamento Europeu. Eleições a que é necessário dar uma grande atenção, multiplicando os contactos para ganhar para o voto na CDU todos aqueles que, descontentes com este Governo e esta política, desejam, como nós, a ruptura e a mudança. Mas também aqueles cujo descontentamento está a ser, erroneamente, dirigido para a abstenção, na ideia enganosa de, por esta via, se infligir pesada derrota a quem governa. É preciso transformar a consciência social em consciência política e esclarecer que a luta e o voto têm que convergir para o mesmo fim: defender os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, derrotar o Governo, romper com a política de direita (prosseguida, alternadamente, por PS e PSD, com ou sem o CDS) e impor uma real alternativa. Eleições que vão ter, no próximo domingo, um novo passo com a apresentação pública da lista da CDU, de que é mandatária a camarada Ilda Figueiredo.

Ainda no âmbito do reforço do Partido, importa destacar o trabalho de preparação do 10.º Congresso da JCP, a decorrer por todo o País, com inúmeros debates em torno da proposta de Resolução Política, com a eleição de delegados, novos recrutamentos, criação e/ou dinamização de organismos e intervenção em estruturas unitárias, dando um insubstituível contributo para o desenvolvimento das lutas dos jovens em torno dos seus problemas e reivindicações concretos. Singular acção da organização comunista da juventude portuguesa, que se reflectiu nas lutas do passado dia 13 de Março e, hoje mesmo, em novas acções dos estudantes e se vai projectar, com mais força ainda, nas actividades de comemoração do Dia do Estudante (24 de Março), do Dia Mundial da Juventude (28 de Março) e nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril. Revolução de Abril que trouxe conquistas, valores e realizações que tornaram possível aos jovens portugueses, mesmo que num processo inacabado, «transformar o sonho em vida». Valores de Abril que, também pela acção dos jovens, se hão-de projectar de novo no futuro de Portugal, para que a concretização dos seus sonhos se possa retomar.

Em perda de velocidade, atolado nas suas contradições (que o recente veto ao aumento dos descontos para a ADSE e o «Manifesto dos 70» vieram acentuar), confrontado com o ímpeto ascendente da luta de massas, o Governo prossegue a sua acção (impulsionado pelo motor de Belém), aprofundando a exploração e as injustiças e afundando o País numa situação de calamidade económica e social de enormes proporções. E foram exactamente as desastrosas consequências sociais desta política que levaram o Grupo Parlamentar do PCP na AR à pertinente interpelação ao Governo do passado dia 13 de Março e vai levar a requerer, em sede da AR, a urgente audição do Governador do Banco de Portugal e do Presidente da CMVM (Comissão de Mercado de Valores Mobiliários) para obter esclarecimentos sobre as suas intervenções e responsabilidades na escandalosa prescrição das penalizações aplicadas a Jardim Gonçalves e outros banqueiros do BCP pelo Banco de Portugal. E à realização do colóquio sobre o tema «Renegociar a dívida, defender o povo, defender o País» a realizar na Biblioteca da AR, a 25 de Março, que contará com a participação do Secretário-geral do PCP. Dívida que sendo insustentável, como hoje passou a ser reconhecido pelos subscritores do «Manifesto dos 70», tem que ser renegociada. Renegociação que faz sentido no quadro da política patriótica e de esquerda que defendemos e, connosco, um número crescente de democratas e patriotas. Política patriótica e de esquerda que, mais cedo ou mais tarde, pelo reforço do nosso Partido, com os trabalhadores e com o povo, se tornará alternativa incontornável.

 


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