O voto na CDU dá continuidade à luta pela demissão do Governo e à exigência de uma política patriótica e de esquerda
CDU apresentou candidatos ao Parlamento Europeu
Vínculo de classe <br> ao trabalho e à luta

A CDU apresentou os candidatos às eleições para o Parlamento Europeu (PE), «gente profundamente ligada ao pulsar da vida e à sua transformação, que não se resigna perante as adversidades nem vira a cara à luta, comprometida com a defesa do País, dos trabalhadores e do povo», caracterizou João Ferreira, cabeça-de-lista da coligação entre PCP, PEV e ID.

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O acto público que deu a conhecer a lista de candidatos da CDU (ver páginas centrais), realizado a meio da tarde de domingo, encheu totalmente a sala de uma unidade hoteleira em Lisboa e começou ao som da guitarra portuguesa. Luísa Amaro dedilhou a esperança e a vontade em transformar «uma sociedade injusta que cada vez parece ficar pior», expressando, entre composições próprias e de Carlos Paredes, a convicção de que, nesta hora difícil, a CDU é a força capaz de conduzir o povo e o País a mudarem de vida.

O mote foi aproveitado pela mandatária da CDU, Ilda Figueiredo, que se manifestou confiante «num grande resultado» nas eleições agendadas para 25 de Maio. «Porque é justa a nossa luta; porque é patriótica a proposta que apresentamos; porque temos uma candidatura sem paralelo em Portugal» (ver caixa).

«Mudança na vida nacional» e «defesa dos interesses de Portugal numa Europa que queremos de cooperação, respeitadora da vontade dos povos e assente nos valores da solidariedade, da democracia, da paz e do progresso social» que a CDU assume como compromissos e aos quais dá voz e corpo, assegurou, por seu lado, João Ferreira, que aproveitou para lançar um desafio «a todos os que aspiram a essa profunda mudança».

«Sabemos bem que a alteração da situação nacional, a libertação do País da submissão e da dependência, não é possível sem a acção e a luta dos trabalhadores e do povo, sem a convergência de todos os democratas genuinamente empenhados em romper com as principais opções e políticas que nos trouxeram ao desastre, seja no País, seja na União Europeia (UE)». Por isso, «levem a vossa acção e a vossa luta até ao voto na CDU», pois é essa «a forma mais consequente de aliar o justo descontentamento e a justa revolta à esperança e à real possibilidade de se afirmar um outro rumo para Portugal e para a Europa», apelou.

Assentes na realidade

«Recusando o debate etéreo desligado da realidade concreta e da vida de milhões de portugueses», a CDU compromete-se, igualmente, a centrar a discussão eleitoral «no País que temos e no País que queremos, entre a Europa que temos e a Europa que queremos». É que ao contrário de PS, PSD e CDS, os comunistas, os ecologistas e os milhares de independentes que com eles convergem na CDU não se refugiam «nas questões europeias para esconder a promoção ou a conivência com a política de desastre que por cá se faz».

Dito de outro modo, «não separamos o combate no PE da exigência da derrota deste Governo e da ruptura definitiva com a sua política», explicou João Ferreira, antes de insistir que «não é possível defender sólida e coerentemente os interesses nacionais sem mudar de política em Portugal», a qual, contrariamente ao que «alguns pretenderão», não é apenas de governo, mas de substância.

Os partidos da alternância sem alternativa que, nos últimos 38 anos, sozinhos ou coligados, se revezam no poder, «venderam-nos o paraíso económico à boleia da UE», a «ladainha do pelotão da frente, do clube dos ricos da Europa», acusou o cabeça-de-lista da CDU. Porém, «a amarga realidade que enfrentamos mostra-nos algo bem diferente e dá razão aos que, como o PCP e a CDU, alertaram em devido tempo para as consequências de um processo de integração intrinsecamente injusto e desigual».

«Tivemos e temos razão», mas tal não nos compraz, continuou João Ferreira, para quem a inversão deste rumo «assenta nas seis direcções fundamentais desenvolvidas na declaração programática, apresentada recentemente, e que se «articulam com os eixos fundamentais da política patriótica e de esquerda que propomos para o futuro de Portugal».

«Um futuro que passa por recuperar para o País tudo o que é do País; devolver aos trabalhadores e ao povo tudo o que lhes foi roubado, aproveitar as potencialidades e recursos e afirmar uma postura soberana, que faça prevalecer o interesse do País, dos trabalhadores e do povo sobre quaisquer constrangimentos ou pressões externas», sintetizou o primeiro candidato da CDU, que a dois meses da ida às urnas e «com a autoridade singular de quem pode apresentar-se ao povo português com a coerência das suas posições a que a vida deu e dá razão», voltou a apelar ao voto «que dá continuidade à luta pela demissão do Governo e prolonga nas eleições a exigência de uma nova política».




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