Governo e patronato não conseguiram impedir a paralisação
Greve geral no Paraguai
Protesto imparável

O governo paraguaio enfrentou, quarta-feira, 26, a primeira greve geral desde que tomou posse, convocada por seis centrais sindicais, dezenas de sindicatos nacionais e organizações sociais e políticas, entre as quais a poderosa Federação Camponesa.

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A jornada contra a política económica e social do governo, prevista para ontem arrancou terça-feira, 25, com acções em todo o território. Em Assunção, professores e outros profissionais do sector suspenderam as aulas e juntaram-se a funcionários públicos em sete concentrações. No sector da saúde e nos serviços públicos de energia eléctrica e telecomunicações, os trabalhadores só cumpriram serviços urgentes. Neste último caso, as organizações representativas dos trabalhadores, citadas pela Prensa Latina, estimaram que a adesão já rondava os 80 por cento.

Ainda na capital, anteontem, foi montada uma vigília na Praça da Democracia, frente ao parlamento, e a União Nacional de Estudantes apelava a marchas nocturnas em defesa do passe social.

As iniciativas a anteceder a greve geral realizadas na maior cidade paraguaia tiveram como objectivo manifestar solidariedade com os camponeses que, também desde anteontem, bloquearam estradas principais e promoveram marchas reivindicativas em 13 das 17 regiões do país. Acções impulsionadas e dirigidas pela Federação Camponesa, que anunciou que em direcção a Assunção seguiam 200 camiões de carga com manifestantes.

A organização denunciou que os empresários dos transportes recusaram alugar autocarros. Por isso, teve que recorrer a veículos pesados de mercadorias para deslocar os camponeses até à capital. Outros tantos lançaram-se ao caminho a pé, informou a Federação.

A repressão montada pelo governo liderado por Horácio Cartes, que o Partido Comunista Paraguaio qualifica de vende-pátrias, e pelo patronato, não se dirigiu, no entanto, apenas contra o campesinato. Para além do forte contingente policial colocado nas ruas de Assunção, executivo e empresários acordaram, por exemplo, a contratação de motoristas para substituir os grevistas nos transportes, bem como o destacamento de polícias para autocarros e interfaces de comunicações.

A paralisação no Paraguai foi desencadeada após a aprovação da Lei da Aliança Público-Privada, considerada um instrumento para a privatização de serviços públicos e recursos estratégicos do país.

A Federação Sindical Mundial (FSM) emitiu uma nota de apoio à greve sublinhando que governos como o de Horácio Cartes, impulsionados pelo FMI e o Banco Mundial, só favorecem o grande capital monopolista, impondo baixos salários, privatizações, desregulação laboral, repressão sindical e desemprego. A Frente Guasú, do deposto presidente Fernando Lugo, salientou que está em causa a soberania nacional.

A avolumar o clima de tensão no Paraguai, a semana passada foram divulgadas por senadores do Partido Democrata Progressista fotos que mostram que alguns dos 17 camponeses executados em Curuguaty, em Junho de 2012, estavam de mãos atadas atrás das costas. As novas provas confirmam que o massacre que esteve na base do golpe constitucional contra Fernando Lugo foi preparado com o propósito de afastar o político progressista eleito pelo povo.




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