Editorial

«Organizar, lutar, transformar»

AVANTE COM ABRIL!

Sob o lema «Avante com Abril! organizar, lutar, transformar», realizou-se nos dias 5 e 6 de Abril, na Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, o 10.º Congresso da Juventude Comunista Portuguesa. Com centenas de delegados eleitos pelos colectivos da JCP em todo o País, o Congresso contou com a participação do Secretário-Geral do PCP, do 1.º candidato da lista da CDU às eleições para o PE e de muitos convidados que quiseram, com a sua presença, manifestar o seu interesse por este momento alto na vida da JCP. E contou também com a presença de numerosas delegações estrangeiras, a atestar o grande impacto internacional do congresso. Congresso ligado à vida, por onde passaram os problemas e a luta nas escolas e faculdades, as dificuldades dos jovens trabalhadores, a ofensiva política e ideológica com que os jovens estão confrontados (e afrontados) e que procura empurrá-los para o alheamento político e o descomprometimento social e conduzi-los à aceitação de uma vida sem direitos. E por ali passou também a resposta organizada dos jovens, as lutas recentes dos estudantes dos ensinos Básico e Secundário, do Ensino Superior e dos jovens trabalhadores. Lutas pela resolução dos problemas concretos, que esta política de direita todos os dias vai gerando. Lutas unitárias para as quais a organização da JCP, com o seu prestígio e influente dinamismo, deu um contributo decisivo. Lutas que, em muitos casos, conseguiram significativas vitórias e se traduziram no reforço da JCP, no alargamento do seu prestígio e influência, em novos recrutamentos e na formação de novos colectivos.

Um Congresso onde foi visível, nos pequenos e grandes gestos, na atitude política geral, na riqueza, diversidade e profundidade das intervenções ligadas à vida e aos problemas concretos, nas votações, na vibração entusiástica das palavras de ordem e das ovações, no rubro ondular das bandeiras vermelhas, a alegria, a determinação e a confiança na luta para «transformar o sonho em vida».

Uma grande afirmação ideológica que transpirou para fora das paredes da Faculdade de Medicina Dentária, que atravessou a cidade de Lisboa rumo ao Largo de Camões, na noite de sábado, num grande desfile, expressão de energia e confiança, logo seguido de um concerto que marcou um importante momento de confraternização, camaradagem e alegria.

O 10.º Congresso da JCP foi um importante momento de reflexão e discussão colectivas, que culminou na aprovação, em clima de grande unidade, da Resolução Política que, a partir da caracterização da situação política nacional e internacional, e tendo presente a base teórica da JCP, o marxismo-leninismo, enriquecido criativamente pelo desenvolvimento da prática revolucionária, traça a orientação geral para a actividade da Juventude Comunista Portuguesa para os próximos quatro anos. Com uma nova Direcção Nacional, a JCP sai reforçada deste Congresso e melhor preparada para continuar os combates para derrotar o Governo e a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda, por «uma democracia avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal», pelo socialismo e o comunismo.

Combate que passa agora pelo esclarecimento e mobilização dos jovens para a importância do voto na CDU no dia 25 de Maio. O voto que conta para a mudança política necessária à realização dos sonhos e direitos.

A par do Congresso da JCP, desenvolveu-se importantes dinâmicas de reforço do Partido: a acção de contactos, com experiências variadas e resultados positivos de elevação da militância, assembleias de organização, iniciativas de comemoração do aniversário do PCP. Acção que se desenvolverá, na próxima semana, com a continuação desta iniciativa, que, para além dos objectivos traçados, tem também, até ao dia 25 de Maio, a função de esclarecer e mobilizar para o voto na CDU nas eleições para o Parlamento Europeu, elas próprias uma grande jornada de luta dos trabalhadores e das populações.

Reforço que passará ainda pela realização no dia 15 de Abril (véspera da apresentação na AR da proposta de resolução do PCP sobre a renegociação da dívida) de uma jornada nacional de contacto com os trabalhadores e as populações.

Ao mesmo tempo, prosseguiu a luta nos TST, Amarsul, Auxiliares de Educação e Soporcel e na grande e combativa manifestação dos agricultores, no dia 3 de Abril, com mais de 5000 participantes e com uma expressiva manifestação de apreço à delegação do Partido pela acção dos comunistas em defesa dos seus interesses e a luta dos estudantes do Ensino Superior. Luta que prosseguiu no dia 8 com a concentração e desfile dos activistas sindicais da CGTP-IN e membros de Comissões de Trabalhadores, e que continua com a marcha dos reformados de 12 de Abril e a luta reivindicativa em muitas empresas e sectores por salários, direitos e emprego com direitos, articulada com a luta pela demissão do Governo, convocação de eleições antecipadas e por uma política patriótica e de esquerda. Lutas que desaguam no vasto mar das comemorações da Revolução de Abril, que o PCP iniciou no passado dia 2 com a iniciativa de comemoração do 38.º aniversário da Constituição (a única força política a fazê-lo).

Como referia Ary dos Santos, «o que é preciso é termos confiança/se fizermos de Maio a nossa lança/isto vai, meus amigos, isto vai». Palavras certeiras, mesmo quando se assiste à tentativa de reescrever a história desvirtuando ou silenciando o papel do PCP e as suas propostas e procurando apagar os valores de Abril.



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