Editorial

«Por um desenvolvimento económico ao serviço do povo e do País»

A luta não vai parar

Respondendo ao apelo do MURPI, milhares de reformados, pensionistas e idosos realizaram no passado sábado, nas ruas de diversas cidades do País, a maior acção de luta da sua história. Uma história que começou em 1978, quando, já com o processo contra-revolucionário em andamento, um grupo de reformados decidiu criar a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, o MURPI, que depressa se transformou na maior organização neste sector. Organização social que vem dando voz e expressão à luta de sucessivas gerações em defesa dos direitos conquistados pela Revolução de Abril, que a Constituição de 1976 viria a consagrar. Uma luta que se ergueu pela reposição dos rendimentos roubados nas reformas, pela reposição dos benefícios fiscais e abolição da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, pela abolição das taxas moderadoras nos centros de saúde e hospitais, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde, pela revogação da lei das rendas de casa, pelo aumento da rede de cuidados de saúde continuados, pelo aumento de 4,8% de todas as pensões (com aumento mínimo de 25 euros), pela defesa da Segurança Social pública, universal e solidária, pela reposição do poder de compra de bens essenciais como água, electricidade e gás, pela reposição do desconto de 50% nos transportes públicos, pelo não encerramento de serviços públicos de proximidade (CTT, Finanças, Justiça, Centros de Saúde e urgências hospitalares).

Em unidade, convergência e com grande combatividade, os milhares de participantes nestas marchas e concentrações deram uma resposta contundente à ofensiva sem precedentes do Governo e dos partidos da troika, ao manifestarem o seu descontentamento, indignação e protesto pelo ataque aos seus rendimentos, condições de vida e direitos sociais. Contra a brutal austeridade a que estão a ser sujeitos e que os vai empurrando para o empobrecimento e a miséria.

Uma luta que foi também contra a política de desastre a que este Governo está a conduzir o País e se traduziu no reforço do próprio MURPI, organização dos reformados, pensionistas e idosos, força combativa que sai destas marchas com mais prestígio e influência na sociedade portuguesa e a quem, justamente, deve ser reconhecido o estatuto de parceiro social.

Uma luta que se vai reflectir no reforço da organização do PCP nesta importante frente social. Luta que é preciso levar ao voto na CDU já no próximo dia 25 de Maio. Voto na CDU, a candidatura patriótica e de esquerda que, com provas dadas, se tem batido e continuará a bater em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. CDU, força política que, de forma consequente e determinada, tem estado e continuará a estar ao lado dos reformados, pensionistas e idosos, exigindo a devolução e reposição das reformas roubadas e os direitos à saúde e à segurança social consagrados na Constituição. Por um desenvolvimento económico ao serviço do povo e do País.

Outras lutas estão já marcadas em muitas empresas e locais de trabalho, em torno da acção reivindicativa. Luta que vai continuar pela derrota deste Governo e da política de direita. Pela convocação de eleições antecipadas e pela alternativa patriótica e de esquerda, contra a exploração e o empobrecimento, por um Portugal desenvolvido e soberano. Luta que se projectará, com força redobrada, nas comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril e do 1.º de Maio em liberdade.

De grande importância foi também foi a iniciativa do Grupo Parlamentar do PCP ao agendar na Assembleia da República a discussão, ontem, quarta-feira, 16, de uma proposta de resolução sobre a renegociação da dívida. Discussão que foi precedida de uma acção de rua de divulgação das posições do Partido sobre esta matéria, com grande impacto social. Renegociação da dívida que, para o PCP, significa, em primeiro lugar, devolver aos trabalhadores e ao povo os rendimentos que lhe foram roubados, elevando salários, pensões de reforma e prestações sociais. Mas que significa também renegociar a dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento rejeitando a sua parte ilegítima e libertar recursos capazes de desenvolver o serviço nacional de saúde, garantir a escola pública, assegurar recursos para o investimento público e o desenvolvimento das forças produtivas. Assegurar o direito do povo português a decidir o seu destino, livre das imposições do FMI, do BCE ou da UE. Significa ainda a renegociação e cessação dos contratos celebrados no âmbito das chamadas parcerias público-privadas, dos contratos swap e de outro tipo de contratos que são um sorvedouro de recursos públicos. E, finalmente, a urgente taxação dos grupos económicos e financeiros, designadamente nos seus lucros, dividendos e actividades especulativas.

Na passada sexta-feira, 11, realizou-se no Fundão um comício que contou com a participação do Secretário-Geral do PCP e teve grande adesão por parte da população local. Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa, depois de caracterizar a situação política, apelou ao voto na CDU, «o mais coerente de todos aqueles que não se resignam e lutam para derrotar este Governo e a política de direita».

Reforço da CDU para que a luta se possa intensificar, para derrotar o Governo e a política de direita, para exigir a convocação de eleições antecipadas, para abrir caminho à construção de uma política patriótica e de esquerda, que sirva os trabalhadores, o povo e o País. Com os valores de Abril no futuro de Portugal.

 


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