Editorial

Lutar, reforçar a CDU

Por duas vezes no período de uma semana, centenas de milhares de pessoas encheram de festa, luta e confiança as ruas deste País: nas comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril e do 1.º de Maio em liberdade (amplamente destacadas pelo Avante!), importantes acções no combate pela transformação social, que projectam os valores de Abril no futuro de Portugal.

O 1.º de Maio foi um dia de festa e de luta de grande significado pela dimensão, combatividade e confiança no futuro. Extraordinária acção de massas pela derrota deste Governo e desta política, a reclamar respostas para um vasto conjunto de reivindicações concretas e a exigir uma alternativa «política de esquerda e soberana». Mas que se traduziu também na valorização da CGTP-IN como grande central sindical dos trabalhadores portugueses e deu resposta aos detractores do movimento sindical unitário, desejosos de ver a sua descaracterização.

Momento de festa e de luta que, pela participação e pelos conteúdos, se afirmou entre as grandes comemorações do 1.º de Maio na Europa e no mundo e vai ter agora continuidade no trabalho de preparação das eleições para o Parlamento Europeu e de reforço da CDU, força política que, de forma coerente e continuada, usa os votos e os mandatos para defender os interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Luta que vai ser acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho, procurando dar resposta à situação difícil para que os partidos da troika (PSD, CDS e PS) arrastaram o País. Luta que, na semana a seguir às eleições, se vai centrar nos locais de trabalho – com greves, paralisações e manifestações – pela aplicação do aumento do SMN para os 515 euros já a partir do dia 1 de Junho e que terá um novo momento de convergência nas manifestações de 14 e 21 de Junho, no Porto e em Lisboa.

Perante tão grandiosas movimentações de massas, entendeu o Governo desenterrar mais duas peças da sua engenhosa máquina de manipulação e propaganda e, desta forma, antevendo a derrota, tentar influenciar os resultados eleitorais: o DEO (Documento de Estratégia Orçamental) e a chamada «saída limpa». O DEO, com o qual pretende fazer passar a ideia de que iremos recuperar, até 2020, os rendimentos roubados nos salários e pensões, na realidade, não só mantém a carga fiscal brutal sobre os rendimentos dos trabalhadores (por via do IRS) como anuncia o aumento da TSU para todos os trabalhadores e um novo agravamento do IVA, ao mesmo tempo que se mantém o bónus fiscal por via do IRC para o grande capital e os seus lucros (medida aprovada pelo PSD, CDS e PS), com novos cortes para os trabalhadores da Administração Pública pela imposição da Tabela Remuneratória Única, dos cortes nos suplementos e aumento dos descontos para a ADSE. Sobre os reformados e pensionistas pesará a substituição da contribuição extraordinária (a CES) por uma taxa de carácter permanente e os efeitos do aumento do IVA. Quanto à «saída limpa», como é possível denominar-se «saída limpa» uma política que deixa um rasto profundo de desemprego, pobreza, liquidação de direitos e de gritantes injustiças sociais? Com esta política não há «saída limpa», mas sim o recurso a novos empréstimos, somando dívida à dívida, a continuação da espiral especulativa, a continuação da destruição do aparelho produtivo, a aplicação de novas medidas de roubo dos salários e pensões, mais injustiças e menos direitos.

Continua o trabalho de preparação das eleições para o Parlamento Europeu. A candidatura da CDU mantém uma grande dinâmica por todo o País. Realizaram-se já centenas de iniciativas que, regra geral, traduzem elevados níveis de participação e muitas manifestações de simpatia e confiança. Entre outros, o almoço com dirigentes, delegados e activistas sindicais e membros de CT e Sub-CT do passado dia 3 de Maio foi das maiores iniciativas deste sector até hoje realizadas. Entretanto, a recolha de apoios neste âmbito, que reúne já 1938 apoiantes, deve prosseguir.

A batalha eleitoral que travamos é uma luta desigual. Os órgãos da comunicação social dominantes continuam a silenciar ou a desvalorizar a nossa candidatura e as nossas propostas. O grande capital, que os controla, tudo faz para impedir que o povo conheça as nossas propostas, as nossas posições, a nossa acção em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, tudo faz para evitar que se saiba que há uma alternativa política ao atoleiro de exploração, empobrecimento e injustiças em que nos mergulharam. Por isso mesmo, mais exigente se torna este combate para todo o colectivo partidário, para todos os militantes e simpatizantes do PCP e da CDU. Faltam pouco mais de quinze dias para as eleições. É necessário ir para a rua, multiplicar os contactos, ganhar na acção de esclarecimento e mobilização para o voto na CDU todos os que entendem que é necessário convocar eleições antecipadas, derrotar este Governo e a política de direita e lutar por uma real alternativa. Mas também os descontentes e desiludidos inclinados a votar em partidos da troika (PS, PSD e CDS) ou que entendem que a melhor forma de os penalizar é não ir votar ou votar branco ou nulo.

No próximo dia 10, a CDU realiza um Comício/Festa no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Importa uma grande mobilização para esta iniciativa que marca a abertura da campanha eleitoral.

Há sinais de confiança que é preciso traduzir no reforço da CDU. Uma CDU mais forte é condição para a única saída verdadeiramente limpa que se impõe: a derrota deste Governo e desta política e a alternativa necessária.



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