Editorial

«Levaremos a luta ao voto reforçando a CDU»

Dar mais força à CDU

Estamos a dois dias do fim da campanha eleitoral. Uma campanha que se tem desenvolvido numa linha de crescente afirmação da CDU e que, certamente, se vai reflectir no seu reforço eleitoral. Privilegiando o contacto pessoal, a acção de rua, o esclarecimento, a mobilização para o voto na nossa candidatura, valorizando o intenso trabalho desenvolvido pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, apostando no reforço desta Coligação como forma de apressar a derrota do Governo, a ruptura com esta política e a viabilização da alternativa patriótica e de esquerda, a campanha da CDU chega ao fim em maré de confiança.

É preciso agora aproveitar os momentos que ainda restam para intensificar os contactos, realizar todas as iniciativas programadas e mostrar que vale a pena votar na CDU, o voto coerente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País e que conta sempre para eleger mais deputados comprometidos com este combate, o voto na candidatura de Abril e na defesa dos seus valores, o voto numa política de verdade, de esperança e de futuro.

A coligação PSD/CDS-PP está nesta campanha como peixe fora da água perante uma enorme vaga de descontentamento social gerada pela política do Governo que, ao longo destes três anos, exerceu uma autêntica acção de saque sobre os direitos dos trabalhadores e do povo e imolou os interesses das micro, pequenas e médias empresas aos grandes monopólios e fortunas. Coligação que, antevendo uma pesada derrota eleitoral, vai multiplicando os actos de propaganda enganosa como foi a monumental encenação à volta da saída da troika, que contou com a prestimosa colaboração do Presidente da República. E de que fez parte também a realização, no passado dia 17 de Maio, de um Conselho de Ministros extraordinário donde saiu o documento «Caminho para o crescimento – uma estratégia de reforma de médio prazo para Portugal», que, para além da encenação, mais não foi do que a reafirmação dos mesmos objectivos para a mesma política: desregulamentação de direitos laborais, salários mais baixos, novos cortes nas reformas e pensões, menos Serviço Nacional de Saúde, menos Segurança Social, menos Escola Pública e benesses e mais benesses para o grande capital. O que é, aliás, confirmado pela acção do Governo, que insiste na austeridade e na continuação dos ataques aos direitos dos trabalhadores visando agora a contratação colectiva e novos roubos nos salários. Vergonhosa campanha que, no entanto, os dados da estimativa rápida do PIB para o 1.º trimestre do ano, recentemente divulgados pelo INE, com uma queda de -0,7% em cadeia e uma variação homóloga de 1,2% vem reduzir a estilhaços.

O PS, colocando-se em posição de «alternativa», convocou para o mesmo dia a «Convenção Novo Rumo», onde apresentou o chamado «Contrato para a Confiança» com 80 compromissos para debater com a sociedade, uma espécie de «linhas orientadoras do seu programa eleitoral para as legislativas». Numa outra versão da mesma propaganda enganosa do Governo, o PS omitiu o seu embaraçoso compromisso com o pacto de agressão da troika, responsável, em três anos, pelo aumento de 670 000 desempregados, a destruição de 470 000 empregos, o lançamento de 600 000 portugueses na pobreza e de 200 000 na emigração forçada. Não se comprometeu com a devolução aos trabalhadores dos direitos roubados. Colocou a questão do emprego como uma questão central, mas esqueceu que os governos PS/José Sócrates, que tinham prometido criar 150 000 empregos, foram responsáveis por políticas de eliminação de centenas de milhares de empregos e de abate indiscriminado de serviços públicos. Prometeu mudança mas esqueceu-se de referir que o Tratado Orçamental e outros acordos e tratados da UE que ajudou a aprovar contêm metas e critérios que, na prática, tolhem o nosso desenvolvimento e inviabilizam grande parte dos seus 80 alegados compromissos. Pretende, deste modo, apagar da memória dos portugueses os seus inúmeros actos de comprometimento e cumplicidade com esta política, no governo ou na «oposição»: todo o processo de construção europeia e a tomada de medidas altamente lesivas dos interesses dos trabalhadores e das populações; alterações ao Código do Trabalho, cortes salariais, PRACE, redução das funções sociais do estado, PEC I, II, III, IV, entre muitas outras.

A luta pelo reforço da CDU – e muito há ainda a fazer – vai prosseguir. Daqui até domingo, muitos votos podem ser ainda conquistados. O nosso grande colectivo partidário e o vasto conjunto dos activistas da CDU não vão regatear esforços para alargar os contactos e mobilizar para o voto nesta Coligação todos os que estão desiludidos e descontentes com a política de direita. 2040 dirigentes, delegados e activistas sindicais, membros de CT, sub-CT e representantes em SST deram já o seu apoio à CDU. Todos os dias chegam novas manifestações de apoio e de simpatia pela nossa candidatura. São muitas as razões de confiança, mas para conseguirmos a eleição do 3.º deputado, nenhum voto pode ser desperdiçado. Com uma CDU mais forte estaremos em melhores condições para prosseguir a luta que, já na próxima semana, terá diversas acções pela aplicação imediata do aumento do SMN para os 515 euros. Participaremos igualmente na mobilização para as manifestações convocadas pela CGTP-IN para os dias 14 e 21 de Junho, respectivamente no Porto e em Lisboa. Iniciaremos uma nova fase na campanha de reforço do Partido.

Faces do mesmo combate pela transformação social, levaremos a luta ao voto, reforçando a CDU e, com uma CDU mais forte, levaremos o voto à luta, pela alternativa patriótica e de esquerda. Mais tarde ou mais cedo, a ruptura dar-se-á. O reforço da CDU apressará esse momento.

 


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