Uma associação patronal propôs cinco euros
de aumento
Resultados também para os salários
Luta alta nos hotéis

A boa situação económica que o sector da hotelaria atravessa deve reflectir-se em aumentos salariais, exigem os sindicatos da Fesaht/CGTP-IN, que promoveram acções de luta no Algarve e em Lisboa.

 

Para amanhã, dia 6, no Hotel Ipanema Park, está marcado o início de mais uma série de protestos públicos pela melhoria dos salários na região Norte.

Os trabalhadores e as suas organizações de classe afirmam que não há razão para que as empresas mantenham os salários sem actualização e, além disso, procurem eliminar do contrato colectivo importantes direitos que devem ser respeitados e que também têm peso na remuneração mensal. O sector teve em 2013 o melhor ano turístico de sempre e todos os indicadores apontam para uma subida em 2014.

Em Lisboa, para dar força a estes argumentos, o Sindicato da Hotelaria do Sul realizou, de 19 a 23 de Maio, sucessivas concentrações frente a unidades hoteleiras que são dirigentes da associação patronal AHP (Associação da Hotelaria de Portugal): Marriott, Corinthia, Tivoli, Sheraton e Ritz. Na sexta-feira, 23, foi ainda feita a distribuição de um comunicado aos turistas, no Aeroporto de Lisboa.

Em Faro, no dia 28 de Maio, o Sindicato da Hotelaria do Algarve realizou uma concentração de dirigentes e delegados sindicais frente à sede da associação patronal AIHSA (Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve), para protestar por os salários não serem aumentados desde 2009, e também porque o patronato pretende retirar direitos importantes consagrados no contrato colectivo, relativamente a horários, folgas, férias e faltas, e ainda instituindo um «banco» de horas.
Houve crescimento das dormidas e proveitos das empresas todos os anos, desde 2010, enquanto os trabalhadores sofreram uma inflação acumulada de 7,84 por cento, só nos últimos três anos, e perdas salariais de 8,3 por cento, devido ao agravamento da carga fiscal. Na moção aprovada nessa quarta-feira e divulgada pelo sindicato, reafirma-se a exigência de aumentos salariais de três por cento, assegurando um mínimo de 30 euros por mês (um euro por dia). A par da intensificação da acção nas empresas, o sindicato vai preparar um conjunto de acções pelo aumento dos salários, para levar a cabo durante os meses de Verão.

No dia 29, os trabalhadores do Hotel Navegadores estiveram à entrada desta unidade hoteleira, em Monte Gordo (Vila Real de Santo António), exigindo aumentos salariais, o pagamento do trabalho suplementar como define o contrato colectivo (acréscimo de 200 por cento), o fim dos atrasos no pagamento de salários e o recuo da administração na decisão de encerrar na época baixa.

Esta segunda-feira, a direcção do Sindicato da Hotelaria do Norte decidiu realizar uma semana de luta, de amanhã até dia 13, com concentrações à porta de hotéis e distribuição de um comunicado aos clientes.
A proposta sindical de aumentos salariais de três por cento, com um mínimo de 30 euros, não repõe sequer a inflação dos últimos três anos, como refere a nota divulgada no final da reunião. Contudo, a associação patronal Aphort (Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo) respondeu com «uma contraposta miserável de cinco euros» e quer retirar direitos importantes.

 

«Convocados» contra despedimento

No dia 29, frente ao Praia d'El Rey Marriott, do Grupo Beltico unidade hoteleira onde estagiou a selecção nacional de futebol –, o Sindicato da Hotelaria do Centro levou a cabo uma concentração de protesto contra o despedimento colectivo de onze trabalhadores, incluindo os delegados e dirigentes sindicais. Sob o mote «estamos todos convocados, porque na luta "os melhores têm que jogar" e na nossa empresa o melhor somos nós, os trabalhadores», o sindicato juntou quase uma centena de representantes sindicais, familiares e amigos daqueles que foram incluídos no despedimento colectivo.
O sindicato acusa o Grupo Beltico de recorrer ao despedimento colectivo sem motivo, sem indicação de critérios objectivos e para tentar aniquilar a intervenção sindical na empresa. Um dirigente explicou à Lusa, durante o protesto, que o despedimento foi desencadeado depois de se ter iniciado um processo negocial para o cumprimento de alguns direitos dos trabalhadores, designadamente relacionados com os horários de trabalho.

No domingo, a organização concelhia de Óbidos do PCP distribuiu um comunicado, junto ao complexo turístico, expressando solidariedade aos trabalhadores em luta e apelando à unidade de todos. O Partido lembra que a administração «há algum tempo, começou a atacar os direitos e a reduzir as remunerações dos trabalhadores», mas mantém para si «altos salários e privilégios», ao mesmo tempo que «a empresa tem vindo a apresentar elevados lucros».
O PCP saúda a resistência dos trabalhadores, que recusam assinar um novo contrato de trabalho, com menos direitos e remunerações, na passagem da empresa Hotel da Praia para a Belticorrest. Por outro lado, condena o presidente da Câmara, Humberto Marques, que declarou nada ir fazer quanto a este caso, o que «confirma que não defende os interesses dos trabalhadores e da população do concelho».




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