Editorial

«O PCP tudo fará para estar à altura da confiança que nele depositaram a classe operária e as massas populares»

A LUTA NÃO VAI DE FÉRIAS

Na passada quinta-feira foi apresentado o Tomo V das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal. Na presença do Secretário-geral do PCP e de cerca de quinhentos participantes, foi feita a apresentação desta obra, onde se reúne a produção teórica associada à intervenção política de Álvaro Cunhal, entre Abril de 1974 e Dezembro de 1975, o período mais dinâmico e exaltante da Revolução de Abril; o período em que um levantamento militar logo seguido de um levantamento popular derrubaram a ditadura fascista e as massas populares, em aliança com o MFA, instituíram o regime democrático, abalaram o poder dos monopólios e dos latifundiários e se lançaram na batalha da produção ao serviço de um projecto de liberdade, emancipação social e desenvolvimento independente e soberano como nunca antes Portugal tinha vivido em mais de oitocentos anos de história.

Obra que reúne entrevistas de Álvaro Cunhal a órgãos da comunicação social nacional e internacional e discursos que retratam as lutas do povo português pela conquista da liberdade e pelo aprofundamento da Revolução de Abril que, como referia Álvaro Cunhal, é a «história de grandiosas e constantes lutas da classe operária e das massas populares, aliadas aos militares revolucionários, para libertar Portugal da opressão, da miséria, da exploração, da injustiça e das desigualdades sociais, para democratizar a vida nacional na perspectiva do socialismo».

 

Lutas que foram também a gesta heroica das massas populares dirigidas pelo forte e organizado movimento sindical unitário da CGTP-IN e com o destacado papel do PCP na resistência à recuperação capitalista, latifundista e imperialista conduzida pelas forças sociais e políticas da contra-revolução, a partir do I Governo Constitucional do PS/Mário Soares e conduzida até aos dias de hoje por governos do PS, PSD e CDS.

Lutas que continuam a ser a expressão material da força organizada da classe operária e das massas populares nos tempos de aguda luta de classes que vivemos. Luta contra a política de direita que teima em concluir o processo de reconstituição dos monopólios; luta contra a exploração, o empobrecimento e as injustiças sociais; luta pelo desenvolvimento soberano do País.

Luta contra a política de direita que prossegue, pelas mãos de um Governo sob o comando do grande capital, com o apoio do PR, a cumplicidade do PS e o directo envolvimento das instituições da União Europeia; um Governo e uma maioria PSD/CDS na AR que se prepara agora para aprovar os cortes salariais para quatro anos e cortes nas pensões, para acelerar as privatizações das empresas de transportes e para novo abate nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado. E à medida que se aproximam eleições, prepara já diversas manobras demagógicas relativamente ao IRS. A manobra à falsa fé relativamente à avaliação de professores torna claro até onde pode chegar um Governo que, perante a aproximação do seu fim, numa corrida contra o tempo, procura acelerar todas as medidas mais negativas, deixando o trabalho adiantado para o Governo de turno que lhe venha a suceder. Governo de turno para o qual o PS faz redobrados esforços de preparação com a luta interna em que se envolveu e a farsa para a escolha do chamado candidato a primeiro-ministro.

 

Entretanto, os trabalhadores reagem contra este Governo e esta política. Os professores organizados pela FENPROF, travam intensa luta contra o encerramento das escolas, contra a municipalização da educação, em defesa do Estatuto da Carreira Docente e contra a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos, instrumento que o ME quer usar para não vincular e, no futuro, desvincular, ou seja, despedir milhares de docentes. Os dirigentes, delegados e activistas sindicais realizarão amanhã em Lisboa um plenário nacional; em Aveiro, realiza-se, hoje, uma manifestação de agricultores; nas empresas prossegue a acção reivindicativa.

 

No plano do Partido, continua a preparação da Festa do Avante! e a campanha de reforço orgânico. E foi também a realização no Porto de um debate sobre «Controlo público dos sectores estratégicos da economia» que condenou a política de privatizações prosseguida pelo Governo e exigiu uma política anti-monopolista, a afirmação do papel do Estado em sectores estratégicos e o controlo público e um sector público com uma dimensão e peso determinantes, nos sectores básicos e estratégicos da economia nacional.

 

Voltando ao V tomo das Obras Escolhidas, continuamos a fazer nossas as palavras de Álvaro Cunhal no grande Comício do PCP de 7 de Dezembro de 1975:

«O povo português pode estar seguro. Quaisquer que sejam as circunstâncias, o PCP luta e lutará sempre em defesa das classes trabalhadoras, em defesa de todos os explorados e oprimidos, em defesa das vítimas da injustiça social, em defesa de todos os que sofrem a miséria, os arbítrios, as violências, as humilhações, as ofensas impostas pela sociedade capitalista.

Fazendo frente aos temporais, o PCP luta e lutará sempre e sempre pela liberdade, pela liquidação da exploração capitalista, pela vitória do socialismo em Portugal.

O PCP é o Partido da verdade, é o partido da esperança.»

 

Este é o nosso compromisso de ontem, de hoje e de sempre perante a classe operária e as massas populares.

 


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