O V tomo é constituído fundamentalmente por discursos e entrevistas
Apresentação do V tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal
Reflexão e prática ímpares

O lançamento do V tomo das «Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal» é um importante acontecimento editorial, com significado acrescido neste ano em que se assinala o 40.º aniversário da Revolução de Abril. Abarcando um período relativamente curto do ponto de vista cronológico, mas intenso e recheado de acontecimentos de profundo significado histórico (entre o derrube do fascismo e o final de 1975), o volume constitui, nas palavras proferidas pelo editor Francisco Melo no dia 17, na sessão de lançamento, um «verdadeiro guia do itinerário seguido pelo processo revolucionário». Da sua leitura, acrescentou Jerónimo de Sousa, sobressai a «vivência de um tempo novo».

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O facto de ser um dia de semana, ainda para mais a meio de Julho, não impediu centenas de pessoas de encherem o auditório do ISCTE, em Lisboa, para participarem no lançamento deste V tomo das «Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal». Na primeira fila, junto à delegação da direcção do PCP, estava a irmã de Álvaro Cunhal, Maria Eugénia. Por todo o espaço, reconhecia-se eleitos do PCP e da CDU, militantes comunistas com tarefas em diversas áreas de intervenção e várias personalidades da vida cultural e social do País. Muitos aproveitaram a banca das Edições Avante! instalada junto à entrada do auditório para adquirir desde logo o novo volume.

Antes das intervenções, que ficaram a cargo do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e do director das Edições Avante! e membro do CC, Francisco Melo (que tiveram ao seu lado na mesa da sessão os membros do Secretariado José Capucho e Manuela Bernardino, e ainda Rui Mota, da editora), a cantora Maria Anadon reviveu canções do período revolucionário, algumas das quais, garantiu, estão «tristemente actuais». A canção com que terminou a sua actuação não podia ter sido mais bem escolhida, ou não estivesse perante uma plateia maioritariamente constituída por muitos daqueles que, todos os dias, lutam pela concretização dos valores de Abril.

Juntando numa só as duas versões de «Tanto Mar», de Chico Buarque, Maria Anadon garantiu que «já murcharam tua festa, pá, mas certamente, esqueceram uma semente nalgum canto de jardim».

 Diferente no conteúdo e na forma

 O V tomo das «Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal» mostra, nas palavras de Francisco Melo, uma «nova fase da sua produção teórica», em correspondência com o «novo ciclo do processo revolucionário aberto pela revolução do 25 de Abril de 1974». Se o conteúdo dos textos testemunham as transformações profundas que então se operavam no País, também a forma é reveladora do período revolucionário que então se vivia.

Nos volumes anteriores dominavam os ensaios, os artigos e os relatórios, enquanto que este quinto tomo é constituído fundamentalmente por discursos em comícios e entrevistas à imprensa nacional e estrangeira de grande circulação. Numa situação marcada por profundas e constantes mudanças, foram estas as formas que Álvaro Cunhal (e o PCP) encontrou para fazer chegar aos trabalhadores e ao povo as necessárias palavras de esclarecimento, orientação e mobilização.

Nas palavras de Francisco Melo, os textos que compõem o V tomo proporcionam ao leitor «viver (ou reviver) mais de ano e meio de um processo revolucionário, com os seus avanços e recuos, com as suas curvas difíceis e golpes reaccionários e com o rasgar de perspectivas exaltantes de construção de um regime democrático a caminho do socialismo».

Já Jerónimo de Sousa lembrou que a edição deste volume insere-se nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril promovidas pelo PCP. A edição da obra e o momento do seu lançamento são uma «forma de celebração desse acontecimento maior da nossa história», referiu o dirigente comunista, sublinhando o «notável esforço» das Edições Avante! de divulgação da produção teórica e da intervenção política de Álvaro Cunhal. Por este tomo, acrescentou o Secretário-geral do Partido, «passa uma parte muito significativa e essencial da história da Revolução de Abril, escrita por quem, em nome do PCP, se apresentou perante o nosso povo tal como era e anunciando com total transparência e verdade, ao contrário de outros, os objectivos e o projecto de um Partido que haveria de desempenhar, no plano da intervenção e acção política, um papel ímpar na Revolução».



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