Editorial

«Mantêm-se de pé importantes conquistas e valores de Abril, que como a realidade vai mostrando, são sementes do futuro»

FESTA, LUTA <br>ALTERNATIVA

O novo episódio no escandaloso processo BES/GES evidencia, mais uma vez, a verdadeira natureza predadora do grande capital, fazendo «pagar – como denunciou o PCP – aos trabalhadores e ao povo português os custos da especulação e da gestão danosa dos principais grupos financeiros, desenvolvidas e alimentadas ao longo de anos com a conivência dos governos e dos supostos reguladores».

«Depois do buraco do BPN, da recapitalização com dinheiros públicos no BCP, BPI e BANIF», o rebentamento de mais este escândalo na área financeira, vai levar o Estado português à disponibilização de avultados montantes do erário público para tapar este buraco, muito embora o Governo e o Banco de Portugal, numa lamentável operação de mistificação, digam o contrário. Situação que, para lá de todas as outras consequências, traz associada a ameaça de despedimento de milhares de trabalhadores do Grupo e do Banco. Mais uma decisão contrária à defesa dos interesses nacionais em que se renova o apoio ao capital financeiro e às suas práticas especulativas e corruptas, em vez de se disponibilizar verbas para o apoio à actividade das pequenas e médias empresas, à dinamização da actividade económica e do investimento público.

O PCP vem insistindo na ideia de que não é aceitável a utilização de dinheiros públicos na resolução dos problemas provocados pelos desmandos e pela especulação da banca e na necessidade de uma avaliação rigorosa de toda a situação do GES, do BES e do Novo Banco. Nesse sentido, tomou já a iniciativa de propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e, do mesmo modo que não confunde as responsabilidades e a situação dos pequenos accionistas com os accionistas institucionais do BES, bater-se-á intransigentemente pela defesa dos interesses dos depositantes e dos postos de trabalho dos cerca de vinte mil trabalhadores do Grupo.

Entretanto, o PR, prosseguindo a sua linha de colaboração activa com o Governo, às ordens deste, enviou para o Tribunal Constitucional, no mesmo dia em que recebeu o projecto, os novos cortes nos salários e pensões, na expectativa de que o TC declare a constitucionalidade de tais medidas. Governo que se lança numa nova ofensiva tendo em vista a privatização dos transportes públicos e a liquidação de serviços públicos que, a pretexto do Programa «Aproximar», visa envolver câmaras municipais e comunidades inter-municipais nesse objectivo. Identificadas já quatro regiões-piloto (Oeste, Região de Leiria, Alto Tâmega e Dão-Lafões) prepara-se para, ainda este ano, testar esta estratégia.

Política de desastre nacional, que os partidos do governo (PSD e CDS-PP) e da troika (os mesmos mais o PS) vêm prosseguindo há trinta e oito anos. Política a que é necessário pôr termo, como reclama o PCP, substituindo-a por uma política patriótica e de esquerda. Política patriótica e de esquerda que escândalos como o do GES/BES tornam cada vez mais imperativa como forma de fazer sair Portugal do atoleiro para onde o vêm empurrando as forças do grande capital, cada vez mais senhoras do comando económico e político da vida nacional e a que só a intensificação da luta de massas, o reforço do Partido e as convergência de democratas e patriotas poderá pôr termo.

São de considerar, por isso, de grande importância significativos avanços na campanha de reforço do Partido com organizações que já conseguiram desenvolver contactos com mais de 50 por cento dos seus membros, não obstante a necessidade de, avaliando-se obstáculos e constrangimentos existentes, prosseguir esta acção de modo a conseguir a sua plena realização até ao final do ano. Registam-se avanços positivos também nos recrutamentos, na responsabilização de novos quadros e em cada uma das cinco direcções fundamentais desta campanha.

De grande importância e significado foi também a inigualável, quantitativa e qualitativamente, acção do Grupo Parlamentar do PCP na AR em defesa dos interesses nacionais, dos trabalhadores e do povo, de que se dá conta no balanço recentemente apresentado do trabalho desenvolvido na III sessão legislativa da XII Legislatura.

Prossegue a preparação da Festa do Avante!; avançam as jornadas de trabalho de implantação; prosseguem as acções de divulgação com a distribuição do Suplemento do Avante!. Mas, é necessário recuperar atrasos na colocação de propaganda; dinamizar a venda antecipada da EP; ter presente que esta é, neste momento, a mais importante acção política das organizações do Partido.

A luta de massas tem-se vindo a desenvolver na defesa do sector público de transportes (concentração de utentes no passado dia 1 de Agosto no Porto), em defesa das 35 horas (concentração de representantes dos trabalhadores das autarquias locais em frente ao Ministério das Finanças no dia 1 de Agosto), na defesa dos interesses dos pequenos e médios agricultores, assalariados agrícolas e compartes dos baldios (manifestação de agricultores em Oliveira do Bairro no dia 5 de Agosto, realização de encontros de baldios em Vouzela, no Caramulo e em Viana do Castelo, no passado dia 3 e a realização, em Pias, no dia 2, de uma iniciativa unitária para assinalar os 39 anos da publicação das Leis da Reforma Agrária, no quadro das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril). Iniciativa que contou com uma elevada participação e um significativo conjunto de intervenções, num tempo em que a concentração capitalista da terra volta a ser causa de emigração e desertificação, de ruína dos pequenos e médios agricultores, de empobrecimento e miséria generalizados e do agravamento do nosso défice agro-alimentar.

Trinta e oito anos de continuada política de direita fizeram estragos profundos nas «portas que Abril abriu». Mas, pela intensa luta de massas travada e pela dinâmica acção do PCP, da CDU e de muitos outros democratas e patriotas mantêm-se de pé importantes conquistas e valores de Abril, que, como a realidade vai mostrando, são sementes do futuro.



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