Editorial

«Reforço do Partido, intensificação da luta de massas, convergência de democratas e patriotas para abrir caminho à alternativa patriótica e de esquerda»

ORGANIZAÇÃO,<br> UNIDADE E LUTA

Os indicadores económicos continuam a confirmar o rumo de desastre nacional do Governo. Os dados recentemente divulgados pelo INE não justificam apressadas euforias. A situação divulgada não corresponde à situação do País, já que não há correspondência entre a redução do número de desempregados e o número de empregos criados entre os segundos trimestres de 2013 e 2014. A taxa de desemprego jovem é, hoje, de 35,6%, o trabalho precário representa 29,1% do trabalho por conta de outrem e a taxa de desemprego real atinge os 22,5%. Por outro lado, o anunciado aumento das exportações, tão valorizado pelo Governo, refere-se, no essencial, ao aumento da exportação do combustível refinado em Sines e não traduz uma melhoria geral das exportações.

A juntar-se a este panorama negro, o caso BES vem tornar a situação ainda mais sombria. As audições realizadas à Ministra das Finanças e ao Governador do Banco de Portugal tornaram mais claro que a intervenção do Governo envolve dinheiros públicos e confirmaram que as declarações feitas sobre a solidez do Banco não eram verdadeiras e pretenderam apenas acalmar os mercados.

Entretanto, o PCP desenvolve uma acção junto dos trabalhadores do «Novo Banco» e das empresas do GES. Ontem, realizou uma reunião com as suas estruturas representativas e prossegue a distribuição de um documento onde esclarece que o caso BES, mais do que o ruir de um poderoso grupo económico e financeiro, significa «a descredibilização total de uma política de recuperação capitalista e monopolista levada a cabo nos últimos 38 anos por PS, PSD e CDS». «O caso BES/GES – afirma o PCP - é, desde logo, uma expressão de uma política ditada pelas privatizações, pela financeirização da economia, pela liberalização da circulação de capitais e pelos paraísos ficais». O PCP insiste na defesa dos postos de trabalho e dos salários dos mais de 20 000 trabalhadores (só em Portugal) do Grupo, alertando para o facto de podermos estar perante o maior despedimento colectivo no Portugal Democrático, resultante do compromisso que os três partidos – PS, PSD e CDS-PP – assumiram com a troika de reduzir milhares de postos de trabalho na banca até final de 2017.

Intervindo na defesa dos interesses dos trabalhadores e depositantes, denunciando o logro a que os pequenos accionistas foram conduzidos, o PCP assume uma posição coerente com a sua natureza de classe, com a sua luta e com as suas propostas para a ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda, que inclui a exigência de recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos.

No mesmo sentido se pode considerar a acção ímpar do Grupo Parlamentar do PCP. Ao fazer o balanço da política do Governo na área da saúde, o GP do PCP denuncia a degradação dos cuidados de saúde prestados à população (corte de 1667 milhões de euros, encerramento de unidades de saúde de proximidade, encerramento de serviços e valências hospitalares, mais de 1 milhão de utentes sem médico de família, falta de enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes técnicos e operacionais, restrições na dispensa de medicamentos pelos hospitais, cortes salariais e desvalorização social e profissional dos trabalhadores do SNS). Áreas onde o PCP apresentou propostas que, se tivessem sido aprovadas, contribuiriam para a defesa desta importante função social do Estado e direito fundamental dos seus utentes.

PCP que avança também na preparação da Festa do Avante!, o maior acontecimento político-cultural do Portugal de Abril. Apesar do muito trabalho já realizado, impõe-se, neste momento, um acrescido esforço na divulgação da festa, condição essencial para o aumento da venda da EP. É urgente colocar na rua e distribuir os materiais já editados; valorizar o importante papel pessoal que cada militante do Partido pode ter na sua divulgação; alargar os locais de venda da EP; fazer um último esforço para a mobilização para as jornadas de trabalho que, entretanto, prosseguem com elevada participação.

A luta contra esta política não foi de férias. Desenvolve-se uma intensa acção reivindicativa em diversos sectores e empresas na defesa de direitos e por melhores salários. É de registar, em particular, a luta dos enfermeiros, com acções em diversos locais do País, a luta dos agricultores de Oliveira do Bairro em defesa da produção de batata a um preço justo para o produtor, a luta dos compartes dos baldios contra a nova ameaça à Lei dos Baldios tendo em vista o esbulho da propriedade comunitária, a luta dos reformados no Porto (acção de protesto convocada pelo MURPI), as diversas lutas convocadas pelas comissões de utentes em defesa dos serviços públicos.

Foram igualmente de elevado significado as acções de solidariedade com a Palestina contra o genocídio levado a cabo por Israel e as acções desenvolvidas em solidariedade com a resistência antifascista na Ucrânia e contra a tentativa de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia que, hoje, se realiza em Kiev.

Os órgãos da comunicação social dominante vão silenciando ou distorcendo o papel ímpar do PCP, dos trabalhadores e das massas populares, no combate à política de direita e na luta pela alternativa patriótica e de esquerda. Embora inaceitável, não nos admira este comportamento da ideologia dominante. Diminuir, enfraquecer ou apagar o papel do PCP é um velho objectivo do capitalismo monopolista que nos volta a governar. Objectivo que o reforço do Partido, mais uma vez, há-de derrotar.

 


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