Portugal deve romper com a submissão aos EUA, à NATO e à UE
69 anos depois de Hiroxima e Nagasáqui
A luta pela paz é urgente e actual

Assinalando mais um aniversário do bombardeamento nuclear de Hiroxima e Nagasáqui, o PCP reafirma a actualidade e a premência da luta pela paz, contra o imperialismo.

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Numa declaração proferida no dia 6 – precisamente quando se cumpriam 69 anos do lançamento, pelos EUA, da primeira bomba atómica, sobre Hiroxima –, Pedro Guerreiro, do Secretariado do Comité Central, reafirmou o empenhamento dos comunistas portugueses em contribuir para o reforço do movimento da paz e de solidariedade com os povos vítimas da agressão imperialista. Para o dirigente do Partido, recordar Hiroxima e Nagasaqui é, sobretudo, «não esquecer as suas centenas de milhares de vítimas e, em sua memória, intervir para que nunca mais a humanidade venha a sofrer o horror nuclear».

Para o dirigente do Partido, o imperialismo procura – como forma de responder ao agravamento da crise estrutural do capitalismo – «assegurar o domínio da exploração de recursos e de posições geo-estratégicas, reprimindo a resistência e luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus inalienáveis direitos e legítimas aspirações». Para este objectivo, acrescentou, recorre à instrumentalização hipócrita dos «direitos humanos» e do «dever de ingerência humanitária» e a amplas campanhas de «desinformação e manipulação», com as quais procura branquear as acções e objectivos criminosos que estão por trás de guerras de agressão, manobras de ingerência, desrespeito pela soberania dos povos e bloqueios e a violação sistemática, por parte dos EUA e dos seus aliados, da Carta das Nações Unidas e da legalidade internacional.

Após acusar os sucessivos governos de terem vindo a amarrar Portugal aos interesses e ditames do imperialismo, Pedro Guerreiro reafirmou que o País «deve romper com a política de submissão aos EUA, à NATO e à UE», que não só o envolve em operações agressivas como compromete a sua própria soberania e independência. Garantindo que os círculos mais agressivos do imperialismo estão a lançar a «Humanidade numa espiral de exploração, opressão e guerra», o dirigente do PCP realçou estar ao alcance dos povos impedi-lo.

Palestina e Ucrânia

Parte considerável da declaração de Pedro Guerreiro foi dedicada a duas questões particularmente sensíveis para a paz e reveladoras da acção do imperialismo: a «criminosa agressão» israelita contra a população palestiniana na Faixa de Gaza e a «brutal campanha de repressão» contra as populações ucranianas que recusam o fascismo e não se submetem ao poder golpista instalado em Kiev.

No que diz respeito ao «novo massacre e acto de terrorismo de Estado de Israel» contra o povo da Palestina – que tinha provocado, até àquele dia, a morte de dois mil palestinianos (e nove mil feridos), visando escolas, hospitais, mesquitas e instalações da ONU –, o dirigente do PCP garantiu que tal só foi possível porque Israel conta com o apoio dos EUA e da UE. Quanto ao Governo português, Pedro Guerreiro considerou «inadmissível» que continue a ignorar a «explícita obrigação constitucional» de condenar a agressão israelita e a silenciar a «exigência de aplicação das resoluções da ONU que obrigam à retirada de Israel dos territórios árabes ocupados em 1967 e o reconhecimento do direito do povo palestiniano ao seu próprio Estado independente e soberano.

No que respeita à Ucrânia, o dirigente do PCP denunciou a «riminosa operação militar que as autoridades de Kiev estão a intensificar contra a população ucraniana da região do Donbass», na qual participam grupos militarizados neofascistas, que já provocou – na sequência do massacre de Odessa – milhares de vítimas e centenas de milhares de refugiados. Esta operação militar, acrescentou Pedro Guerreiro, integra uma «mais ampla campanha de violação de liberdades e direitos fundamentais», onde se inscrevem os actos de intimidação, perseguição e violência contra os comunistas e outros democratas e o objectivo declarado de ilegalizar o Partido Comunista da Ucrânia.

Esta situação, lembrou ainda o membro do Secretariado, é «parte integrante do avanço do imperialismo para Leste após as dramáticas derrotas do socialismo e da perigosa escalada de tensão e confronto dos EUA e da UE contra a Federação Russa». A não ser travada, representará uma «séria ameaça para a paz na Europa e no mundo».


Imperialismo quer «domínio global»

Pedro Guerreiro considerou a agressão militar israelita à população palestiniana da Faixa de Gaza» e o agravamento da situação na Ucrânia como sendo partes integrantes da «estratégia de domínio mundial do imperialismo». São outros episódios recentes desta mesma estratégica, recordou, a «a destruição da Jugoslávia; a guerra e ocupação do Afeganistão, do Iraque e da Líbia e a desagregação destes países enquanto estados soberanos; a operação contra a Síria; as sanções e ameaças sobre o Irão; a crescente ingerência, intervencionismo militar e operações de recolonização em África; a galopante militarização do Extremo Oriente visando a China; a permanente tensão na Península da Coreia; o revanchismo e expansionismo japonês; ou o bloqueio contra Cuba e a ingerência e a desestabilização na Venezuela e noutros países da América Latina».

O dirigente comunista terminou a sua declaração afirmando que, no 40.º aniversário da Revolução de Abril, o tempo é de intensificação da luta: «contra o fascismo, contra o militarismo, contra a ingerência e a guerra imperialistas e pela paz, pelo desarmamento – em particular, pelo desarmamento nuclear –, pela resolução pacífica dos conflitos, pelo fim das bases militares estrangeiras, pela dissolução dos blocos político-militares, pelo respeito da soberania e independência nacional, pelo progresso social e a amizade e a cooperação entre os povos.»




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