- Edição Nº2126  -  28-8-2014

Contra a NATO e pela paz
Acção global

O Conselho Mundial da Paz (CMP) convocou, para o próximo sábado, 30, um protesto global em defesa da paz e pelo dissolução do bloco militar imperialista. Em Portugal, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) realiza, amanhã, um acto público.

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Antecipando a Cimeira da NATO que decorre entre os próximos dias 4 e 6 de Setembro no País de Gales, na qual se «irá aprovar e aprofundar as decisões da Cimeira de Lisboa (2010)» e «utilizar velhos e novos pretextos para o seu papel de “xerife do mundo”, assegurando mercados, recursos energéticos e esferas de influência, em detrimento dos direitos e necessidades dos povos», o CMP apela «a todas as pessoas do mundo amantes da paz para se mobilizarem por um Dia Internacional de Protesto contra a NATO».

A justificar a iniciativa do próximo sábado, 30, está a necessidade de denunciar a NATO como «a mais forte e mais agressiva aliança militar no mundo», «firmemente dominada pelo imperialismo dos EUA» e «pilar da estratégia de defesa da União Europeia».

No texto que acompanha a convocatória, o CMP aponta, igualmente, a NATO como inimiga da paz e dos povos porque «está empenhada nas doutrinas do primeiro ataque e dos ataques preventivos (…) antes que a diplomacia tenha a devida oportunidade», porque «quando intervém, os seus membros utilizam regularmente armas tóxicas», «considera as armas nucleares como parte fundamental da sua estratégia de defesa», «prossegue agressivamente e promove a provocação militar e intervenção em todo o mundo e os resultados são sempre o aumento da destruição, dos refugiados e da morte», e «através do seu artigo 5.º, impõe obrigações aos estados membros que são incompatíveis com o direito soberano dos estados de decidir sobre a paz e a guerra.»

Recordando que a Aliança Atlântica alargou, desde 1991, «os seus membros e o teatro de operações» com o «propósito de ser o principal instrumento do domínio imperialista»; que, «sem qualquer debate público, os estados europeus membros da NATO instalam armas nucleares americanas no seu território»; e lembrando que a expansão da NATO, as suas provocações e agressões militares não trouxerem nem paz nem democracia à antiga Jugoslávia, ao Afeganistão, à Líbia, ao Iraque, e, pelo contrário, provocam mais desestabilização, violência e guerra, como se dramaticamente se observa na Síria e Ucrânia, o CMP conclui que «a dissolução da NATO deve ser uma prioridade para os que defendem a paz, a justiça social e o progresso» e defende «o direito de cada povo lutar para sair» daquela estrutura.

Respondendo afirmativamente ao apelo do CMP, o CPPC realiza, amanhã, uma acção pública, em Lisboa, que inclui a distribuição de documentos.


Aprender com a história

 

No documento divulgado a propósito do Dia global de acção contra a NATO», assinala-se também o centenário da I Grande Guerra e os 75 anos do início da II Guerra Mundial, realçando-se que «as razões para as agressões militares e guerras imperialistas nunca foram determinadas por acontecimentos acidentais ou decisões pessoais».

«O centenário da I Guerra Mundial deve ser um momento de reflexão, para o fortalecimento da paz e para o estímulo da amizade e da solidariedade internacionais baseadas na igualdade e respeito pela soberania dos povos. Deve ser apontado para acabar com o domínio económico dos monopólios e corporações multinacionais, e também contra as alianças militares agressivas. Por isso, devemos agir contra a NATO, a principal máquina de guerra do mundo», sintetiza o CMP.

«A gloriosa resistência dos povos contra o Fascismo e o Nazismo, em combinação com a luta e as dezenas de milhões de vítimas da URSS, conduziram à libertação da Europa do fascismo e à vitória dos povos [na II Grande Guerra]», acrescenta-se, antes de se alertar que «a situação internacional no pós-guerra, a fundação da ONU e a sua Carta criaram uma nova situação para os povos e para a sua luta pela liberdade e soberania», situação que «está a ser ferozmente posta em causa» com «esforços para substituir a ONU pela NATO», factos que, acompanhados pelo crescimento de forças neofascistas na Europa «ao serviço de ideologias e planos reaccionários», confirmam a razão do CMP em opor-se «à crescente militarização das relações internacionais, aos planos imperialistas para um “Grande Médio Oriente”, o “Pivô dos EUA para a Ásia”, e à ingerência nas questões de soberania dos povos e países da América Latina.»