• Luís Carapinha

O imperialismo norte-americano actua como um pirómano
O caminho da luta

Multiplicam-se os focos de instabilidade, caos e guerra no mundo. Esta é a ponta do icebergue da crise estrutural do sistema capitalista dominante, que se aprofunda. Às agressões militares no terreno juntam-se não menos destrutivas campanhas de manipulação informativa e guerra ideológica. As multidimensionais guerras em curso têm tanto de cru quanto de sofisticado. A perversão mediática converteu-se num elemento central da tentativa de naturalização da barbárie e acatamento de putrefactas tendências e vias fascizantes. Em planos diferentes, é assim em Gaza e na Palestina avassalada pelos crimes monstruosos do terrorismo de estado sionista de Israel, no Iraque «às mãos» do nebuloso Estado Islâmico (que os EUA e a UE atrelada vieram agora eleger como a «grande ameaça», depois de terem promovido esta, e outras forças terroristas, na guerra de agressão contra a Síria) e na Ucrânia, onde a junta liberal-nacional-fascista que tomou o poder em Kiev já há cinco meses leva a cabo uma guerra cruel e perigosa no Donbass, reprime atrozmente o pensamento divergente e prepara a ilegalização do PCU, situação que permanece em grande medida silenciada pelos grandes media.

Imerso numa espiral de endividamento insanável e incapaz de travar o passo a uma rearrumação de forças que ganha forma no globo, o imperialismo norte-americano actua como um pirómano. A manutenção da hegemonia e os imperativos de uma agenda geopolítica que se situa nos antípodas dos anseios e perspectivas de emancipação e progresso dos povos do mundo ditam o recurso à promoção do caos e instabilidade, à escalada de intervencionismo militar e à política da terra queimada do grande capital. O enfurecimento, nos últimos meses, da campanha visando o isolamento e enfraquecimento da Rússia adquire um relevo central na presente conjuntura. Com a parada de sanções e ameaças contra Moscovo a subir na cruzada a Leste, Washington não hesita em inclusive pressionar os «parceiros» europeus em prol da manutenção da ordem nas fileiras transatlânticas, atingindo os interesses de potências como a Alemanha e a França e contribuindo para o aprofundamento da crise em que permanece envolta a UE.

É claro que acontecimentos como a cimeira dos BRICS no Brasil, o aprofundamento das relações estratégicas entre a China e a Rússia e o anúncio pela Rússia, Bielorrússia e Casaquistão da constituição da União Económica Euroasiática influem na correlação básica de forças e não podem deixar de figurar no pano de fundo do actual mapa de hostilidades mundial movido pelo imperialismo, com os EUA à cabeça.

Ressalte-se que entre as decisões da cimeira de Julho dos BRICS acolhida em Fortaleza pela presidente Dilma Rousseff (a que se seguiu a realização dos encontros BRICS-UNASUR e China-CELAC) está a formação do Novo Banco de Desenvolvimento (nada tem a ver com o BES…) e de um Fundo de Reservas de divisas pelos cinco países que integram a organização: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Na declaração final exorta-se ao mesmo tempo o FMI a acelerar a reforma do sistema de quotas desta organização de Bretton Woods, cuja aprovação se encontra bloqueada no Congresso norte-americano. Não podendo por si só ser encarado como panaceia para os grandes problemas e contradições enfrentados no mundo, o inédito processo de cooperação multilateral dos BRICS – que representam mais de 40 por cento da população mundial – constitui antes de mais um sinal do pulso da história e janela aberta a alternativas de soberania e aos objectivos de uma nova ordem económica mundial, mais justa e humana. O imperialismo tudo fará para enfraquecer, absorver e desarticular os BRICS, e acima de tudo impedir a resistência, soberania e cooperação dos povos, mesmo que à custa da paz mundial. Há que estar vigilante. Na certeza de que serão as lutas e energias transformadoras dos trabalhadores e povos que acabarão por erguer uma nova sociedade e ordem internacional.




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