A mostra põe a nu a verdadeira natureza da ditadura fascista
Espaço Central
Os valores de Abril <br>no futuro de Portugal

No ano em que se comemora o 40.º aniversário da Revolução de Abril, o Espaço Central da Festa do Avante! terá patente uma grande exposição alusiva a este momento maior da história nacional, intitulada «Os Valores de Abril no Futuro de Portugal». Em conversa com o Avante!, Rui Fernandes, da Comissão Política do Comité Central do PCP, revelou que a mostra «está muito bem conseguida do ponto de vista estético» e que «vai ser diferente do que é habitual». A curiosidade pode ser satisfeita logo na sexta-feira a partir das 19 horas.

«Os visitantes vão poder viver, mesmo aqueles que ainda não eram nascidos, o que era a ditadura, como foi o processo revolucionário, através da consulta de alguns materiais da época, e, pela concepção artística, sentir, de alguma maneira, um pouco do ambiente do que foi a Revolução dos Cravos», desvendou Rui Fernandes.
A mostra põe a nu a verdadeira natureza da ditadura fascista, com o seu brutal aparelho policial e repressivo, com o rasto de exploração e obscurantismo que deixou, com os poderosos interesses económicos que defendeu e serviu. A exposição revela ainda um traço impressivo da resistência e da luta que os trabalhadores e o povo português opuseram à ditadura fascista, pagando por isso, muitos, com a prisão, a tortura e a própria morte.
Nesta resistência de 48 anos, marcada por muita coragem, determinação e heroísmo, o PCP assumiu um papel determinante, esclarecendo, mobilizando e organizando a classe operária, os trabalhadores, os intelectuais, os jovens e outras camadas populares para a luta antifascista.
As profundas conquistas políticas, económicas, sociais e culturais alcançadas, no período revolucionário, pela aliança das massas populares com os militares progressistas mudaram por completo a face do País: em menos de dois anos, o Portugal fascista deu lugar a um País que apontava o objectivo de «abrir caminho para uma sociedade socialista», como se podia (e pode, ainda hoje!) ler no preâmbulo da Constituição da República Portuguesa.


Processo contra-revolucionário
A exposição revela ainda as consequências e os protagonistas do processo contra-revolucionário dirigido contra as conquistas de Abril e visando a restauração do capitalismo monopolista – um processo profundamente ligado, tanto nos protagonistas como nos objectivos, a um outro: o de integração capitalista da União Europeia. Convergindo, ambos, no retrocesso dos direitos dos trabalhadores e do povo e da fragilização de Portugal, cada vez mais submetido aos ditames do grande capital nacional e transnacional.

A exposição salienta ainda a tenaz resistência dos trabalhadores, do povo e do PCP a esta ofensiva contra tudo o que de mais avançado foi conquistado em Abril, e termina com as propostas do Partido de uma política patriótica e de esquerda, que projecte e consolide os valores de Abril no futuro de Portugal e cuja concretização é essencial para um País mais justo, desenvolvido e soberano.
A demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas são condições imediatas e essenciais para a implementação de tal política.
Rui Fernandes deixou, por tudo isto, um apelo: «Há todas as razões para ir à Festa do Avante!, desde logo porque é a Festa em que a fraternidade, a solidariedade e a amizade são marca indelével». Estes três dias, concluiu, servirão ainda para «retemperar as forças e energias para as batalhas que temos pela frente».


Visita obrigatória 

O Espaço Central, coração e sala de visitas da Festa do Avante!, é ainda o local privilegiado para o debate (ver páginas 18 e 19). Pelo Fórum, Auditório e espaço À conversa com... passará a discussão sobre importantes questões ideológicas, relevantes temas da actualidade nacional e internacional e a proposta política do PCP.

«Todos eles procuram tratar alguns dos aspectos que marcaram a Revolução de Abril», salientou Rui Fernandes, explicando que a ideia «não é fazer nenhum debate ou concepção de memória, mas sim pegar na realidade do que foi Abril e projectá-la para o presente e para o futuro do nosso país».
No espaço da imprensa do Partido estará em funcionamento o prelo, permitindo ao visitante ver como era impresso o Avante! e outros materiais partidários e unitários durante a longa noite fascista.

 

No «coração» da Festa

A Loja da Festa é um espaço que, todos os anos, desperta a atenção dos visitantes. Situada em pleno Espaço Central, a Loja permite adquirir vários materiais, como camisolas, bonés, crachás, CD, DVD, postais, entre outros.
Para descansar, recuperar forças ou conviver, o Café da Amizade é o local indicado. Localizado junto a uma das entradas do Espaço Central e dotado de uma ampla esplanada, o Café da Amizade oferece uma vasta gama de bebidas, pastelaria e outras refeições ligeiras.
Num tempo tão complexo como aquele em que vivemos, é normal que muitos se questionem acerca dos caminhos e das propostas necessárias para construir um País que ofereça bem-estar e oportunidades a todos. No espaço Adere ao PCP é possível ao visitante da Festa contactar dirigentes do Partido e, assim, esclarecer dúvidas, colocar questões e interrogações e conhecer melhor as posições, propostas e projecto daquela que é, sem dúvida, a força da confiança e da luta por um Portugal com futuro. E, claro, há fichas de inscrição para aqueles que decidam juntar-se ao grande colectivo partidário comunista.

 

A arte e um tempo de rupturas

O Espaço das Artes Plásticas, junto ao Pavilhão Central, apresenta este ano três exposições. Sob o lema «Rupturas – anos 70», duas delas reportam-nos para o início dos anos 70 do século passado: trata-se de uma mostra documental e de uma exposição de trabalhos que procuram dar uma ideia do que de novo e significativo estava a acontecer no mundo das artes.
Serão apresentadas obras de Nikias Skapinakis, Guilherme Parente, Calhau, Artur Rosa, Rocha de Sousa, Julião Sarmento, Eduardo Nery, Jorge Vieira, Júlio Pereira, Lourdes Leite, Maria João Franco, Nicolau Tudela, Rogério Ribeiro, João Hogan, Ilda Reis, Graça Morais, Jaime Silva, João Dixo, Gerardo Burmester, Luís Pinto-Coelho, Armando Azevedo, Albuquerque Mendes, José Mouga, José Santa-Bárbara e António Pimentel.
Estará também patente ao público a exposição de fotografia «40 Fotos nos 40 Anos do 25 de Abril», de Eduardo Gageiro.

 

Festa do cinema

Ficção, documentário, animação: tudo isto, e muito mais, pode encontrar-se no CineAvante!, bem no coração do Espaço Central. Aqui, o visitante da Festa pode ver o que de melhor e mais actual se faz no cinema português, e falar com realizadores, actores e outros participantes, num ambiente de liberdade, crítica e criatividade.
Como não poderia deixar de ser, o CineAvante! destaca a Revolução de Abril no seu 40.º aniversário, e assinala os 40 anos do início das emissões de «Cinema de Animação», na RTP, com a exibição de diversas animações trazidas a Portugal pela mão de Vasco Granja.
Os visitantes da Festa terão ainda oportunidade de assistir, neste espaço, a uma ampla selecção de curtas-metragens que passaram pelo Shortcutz Lisboa.

Sexta-feira, 5

21h10: Plataformas e Seguranças, de Ricardo Guerreiro
21h15: 25 de Abril, uma Aventura para a Democracia, de Edgar Pêra
21h45: O Acto de Matar, de Joshua Oppenheimer

 

Sábado, 6

11h00: Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia, de António da Cunha Telles
14h00: Terra de Ninguém, de Salomé Lamas (com a presença da realizadora)
15h30: As Armas e o Povo, do Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
17h00: A Lei da Terra, de Grupo Zero
18h30: Shortcutz Lisboa: Rhoma Acans, de Leonor Teles (com a presença da realizadora); Som do Silêncio, de Paulo Grade e João Lourenço; O Cágado, de Luís da Matta Almeida e Pedro Lino; Dios por el Cuello, de José Trigueiros (com a presença do realizador); Dona Fúnfia, de Margarida Madeira; Ninja Gold Miners, de Ana Brígida (com a presença da realizadora)
19h45: As Desventuras do Drácula von Barreto nas Terras da Reforma Agrária; Paredes Pintadas da Revolução Portuguesa – ambos da Célula de Cinema do PCP
21h00: Avante com a Festa, de Daniel Pires (com a presença do realizador)
22h00: A Fuga, de Luís Filipe Rocha (com a presença de Henrique Espírito Santo)

Domingo, 7

11h00: Homenagem a Vasco Granja: O Camelo | O Gato, de Tibor Hernádi; Animália, de Hernádi Tibor e István Majoros; Porky Pig – O Fanático do Cinema, de Robert Clampett; Série Trajectórias – O Ninho, de Stefano Lonati e Italo Bettiol; O Conto dos Contos, de Yuri Norshteyn
12h15: Caçadores de Anjos, de Isabel Medina
14h00: Até Amanhã, Camaradas, de Joaquim Leitão (com a presença do realizador)
20h30: 48, de Susana Sousa Dias





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