Editorial

«construir um Portugal com futuro, que é o mesmo que dizer um futuro com Abril»

FESTA DO FUTURO COM ABRIL

A Festa do Avante!, a culminar uma exigente e prolongada preparação traduzida em dezenas de milhares de horas de trabalho voluntário, foi um grande êxito do Partido e um acontecimento político-cultural ímpar no nosso País.

Associada às comemorações dos 40 anos da Revolução de Abril, revolução que tornou possível a sua realização, pela primeira vez, em 1976, a Festa do Avante deste ano, por redobradas razões, foi verdadeiramente a Festa dos valores de Abril: pela forma como foi construída através do trabalho militante de milhares de camaradas e amigos; pela notável participação registada nos três dias, tanto mais de sublinhar quanto a Festa foi alvo de ocultação pela maior parte dos órgãos da comunicação social dominante e contou com condições climatéricas adversas; pela sua forte dimensão política evidenciada num dos maiores comícios da Festa, na iniciativa de abertura e nas exposições e debates que deram expressão ao projecto do Partido e foram importante momento de afirmação das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril; pelo impacto positivo do anúncio da compra da Quinta do Cabo da Marinha (mais sete hectares de terreno, criando condições para a expansão e reorganização dos espaços da Festa); pela alegria, entusiasmo, serenidade e confiança que ali se sentiram ao longo dos três dias; pela expressão da solidariedade internacionalista que se traduziu na presença dum elevado número de delegações estrangeiras de partidos comunistas e outras organizações progressistas (cerca de 50); pela sua grande dimensão e diversidade cultural; pela extraordinária participação organizada e combativa da juventude; pelo desporto, o artesanato, a gastronomia e o convívio; pelo ambiente geral de fraternidade e humanismo.

A Festa do Avante! deste ano voltou a ser a maior realização político-cultural e de massas do nosso País e uma grande demonstração da capacidade de organização e realização do Partido Comunista Português. Foi a festa do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, mas também das classes e camadas antimonopolistas, a festa do povo, dos democratas e patriotas, da juventude, da luta (e muitas vão ser as lutas a travar), do futuro com Abril. Festa que, sendo indissociável da militância deste grande colectivo partidário, conta hoje com um vasto e crescente número de amigos que, solidariamente, a apoiam e promovem.

O comício de domingo, que juntou, frente ao palco 25 de Abril, uma imensa multidão, foi um momento especialmente marcante da dimensão política da Festa. Milhares de pessoas, muitas das quais neste espaço pela primeira vez, participaram neste comício de forma empenhada e combativa, ora expressando a sua solidariedade aos patriotas cubanos ainda encarcerados em prisões norte-americanas e exigindo a sua libertação ou à luta do martirizado povo da Palestina ou aos comunistas ucranianos cujo partido é ameaçado de ilegalização e, de forma geral, às quase cinco dezenas de delegações de partidos comunistas e organizações progressistas presentes e à luta anti-imperialista, anti-monopolista e pela paz que travam nos seus países.

Multidão que aplaudiu o programa de iniciativas que o Secretário-geral do PCP ali anunciou e que marcarão a intervenção do Partido nos próximos tempos, na sua luta pela ruptura com a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda: a acção «a força do Povo por um Portugal com futuro – uma política e um governo patrióticos e de esquerda», acção a desenvolver nos próximos meses, que procurará identificar os eixos, os objectivos e as prioridades nucleares de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, e que inclui uma primeira iniciativa já agendada para 28 de Setembro, centrada na dívida, no euro e nos interesses nacionais; a apresentação na AR, no início da próxima sessão legislativa, de um projecto de resolução que estabeleça um programa para resgatar o País da dependência e do declínio que vise fixar os calendários, condições e opções da política nacional com vista a renegociar a dívida compatibilizando-a com o direito ao desenvolvimento; à criação de estruturas nos órgãos de soberania que estudem e preparem o País para a saída do euro conduzida para a salvaguarda dos interesses e condições de vida dos trabalhadores e do povo e adoptar as decisões que conduzam a um efectivo controlo público do sector financeiro colocando-o ao serviço do interesse do país e dos portugueses e não da especulação. Acção que será articulada com o lançamento e apresentação de um outro conjunto de propostas dirigidas à imediata elevação do poder de compra dos trabalhadores, dos reformados, dos desempregados e da reposição dos rendimentos e direitos roubados; propostas de valorização dos salários e pensões, nomeadamente do inadiável aumento do SMN. Programa a que se juntam as iniciativas a levar a cabo pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, recentemente anunciadas. E a que se junta também a campanha de reforço do Partido que, desde o início deste ano, levou já ao recrutamento de 1100 novos militantes (mais de metade dos quais com menos de 40 anos e um grande e significativo número de mulheres, 37% do total).

A Festa do Avante! foi a viva demonstração de que os partidos não são todos iguais. Enquanto uns – o PS, PSD e CDS – exercem ou disputam o poder para servir o grande capital, a Festa foi imagem da força e determinação dos comunistas, da sua grande confiança no Partido, nos trabalhadores, na juventude, no povo e na luta para romper com o rumo de desastre nacional à vista e construir um Portugal com futuro, que é o mesmo que dizer, um futuro com Abril.

 


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