Editorial

«Criar condições para a ruptura e para a alternativa patriótica e de esquerda»

UNIDADE, COESÃO <br>E CONFIANÇA

A Situação política, económica e social do País todos os dias se agrava. Os grandes problemas na abertura do ano lectivo; a calamitosa situação na Justiça; os mais recentes desenvolvimentos no BES/GES que confirmam as possíveis negociatas em preparação em torno da venda do Novo Banco, com a colaboração do Governo e do Banco de Portugal; a situação económica que se degrada são apenas alguns dos mais recentes indicadores da gravidade da situação que vivemos. Mas, à medida que se aproximam as eleições, assistimos também a movimentações políticas muito diversas: emergem novas formações políticas; a farsa interna no PS, próxima do epílogo (28 de Setembro), arrisca-se a deixar traumas e sequelas duradouros; o Governo prossegue a sua campanha de propaganda com ministros e secretários de Estado a marcar presença em diversas iniciativas ou a reconhecer erros com pedidos públicos de desculpas em actos de falsa humildade e de desvio das atenções dos problemas que geraram; avolumam-se as promessas enganosas de melhoria de algumas situações, num contexto de agravamento geral das condições de vida dos trabalhadores e do povo. Promete-se aumentar o SMN e baixar impostos e taxas moderadoras. E enquanto o CDS-PP, como se não fizesse parte do Governo, tenta apresentar-se com uma espécie de missão patriótica de grande moderador da carga fiscal, o PSD esforça-se por passar a ideia de que a austeridade, causada pelos desmandos do PS, custou muito, mas valeu a pena, porque, agora sim, estamos no bom caminho. E todos em conjunto, os partidos da política de direita – PS, PSD e CDS-PP – tentam pôr o «conta-quilómetros a zero», como se nada tivessem a ver com o desastre nacional para que conduziram o País, e procurando alargar a convergência, aceleram, na tentativa de salvar a política de direita, que os trabalhadores e o povo, nas suas lutas, todos os dias condenam e rejeitam.

 Contra esta grave situação, cresce também a movimentação dos trabalhadores e das populações exigindo a reposição dos direitos roubados e a ruptura com a política de direita. Arrancou a quinzena de luta da CGTP-IN (de 23 de Setembro a 5 de Outubro), nos locais de trabalho do sector público, privado e empresarial do Estado, pelo aumento de salários, pelo emprego, pela defesa dos horários e reposição dos feriados roubados, pelo combate à precariedade, pela efectivação dos direitos, incluindo a concretização do direito de negociação e contratação colectiva, em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado (Educação, Saúde e Segurança Social). Realiza-se nos dias 24 e 25 a greve dos enfermeiros e hoje mesmo estão também em greve os trabalhadores do Metro de Lisboa. O STAL trava lutas em defesa do horário das 35 horas e os professores protestam contra os erros grosseiros nos concursos e preparam novas lutas. Os trabalhadores da Administração Pública mobilizam-se em defesa dos seus direitos e os da EGF contra a tentativa de privatização da empresa. O MURPI prepara-se para comemorar o Dia do Idoso (1 de Outubro) com diversas acções de rua e o MDM prepara o seu Congresso (25 de Outubro), tendo em vista o reforço da intervenção organizada em defesa dos direitos das mulheres. Os jovens batem-se por melhores condições nas escolas e contra o desemprego, a precariedade e os baixos salários. 
 

Na Assembleia da República, o PCP realizou a audição à ministra da Justiça no passado dia 23 e prepara o debate, a realizar no dia 2 de Outubro, sobre política de transportes (contra o processo de privatizações e concessões) e vai agendar a discussão do Projecto de Resolução sobre «Renegociação da dívida, libertação do País da submissão ao euro e controle público da banca». Noutro plano, prepara-se para abrir, numa sessão pública a realizar em Lisboa no próximo dia 28 de Setembro, sobre «A dívida, o euro e os interesses nacionais», a acção nacional «A força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», acção que se vai desenvolver até 13 de Dezembro, abordando, de forma integrada, os «eixos nucleares da política patriótica e de esquerda que o PCP apresenta ao povo português, a todos os democratas e patriotas genuinamente empenhados na ruptura com a política de direita e a construção de um Portugal com futuro».

A par da intensificação da luta de massas, do desenvolvimento do trabalho unitário e das iniciativas voltadas para a unidade e convergência com democratas e patriotas e outras forças sociais e políticas, prossegue também o reforço orgânico, político e social do Partido. A acção de contactos, a concluir até ao final do ano, deve continuar a merecer uma grande atenção, em paralelo com as outras quatro direcções desta campanha. A Campanha Nacional de Fundos para a compra da Quinta do Cabo da Marinha, definidas as metas e programações, exige agora a definição de compromissos e o acompanhamento na sua execução.

O ambiente geral de confiança, unidade e coesão que se vive no Partido cria melhores condições para a resposta às complexas questões que temos pela frente. A inauguração do novo Centro de Trabalho do Partido em Viseu e a realização da VIII Assembleia da Organização Regional de Évora, no último fim-de-semana, são disso um bom exemplo. No quadro difícil em que temos que intervir, este é o caminho para criar as condições para a ruptura com a política de direita e para a alternativa patriótica e de esquerda que defendemos.



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