• Anabela Fino

Filhos da pátria

À beira de completar 65 anos, é membro do Conselho de Governadores, do Conselho Geral de Governadores do Banco Central Europeu, do Conselho Geral do Comité Europeu de Risco Sistémico, do Grupo Consultivo Regional para a Europa do Conselho de Estabilidade Financeira, preside ao Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, é vice-presidente honorário do Banco Europeu de Investimento (BEI), professor catedrático convidado da Universidade Católica do Porto e da Universidade de Aveiro e presidente do Conselho Consultivo da Faculdade de Economia da Universidade Católica do Porto. Biografia oficial dixit.

Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, aos 24 anos, não gastou solas de sapatos à procura de emprego: iniciou-se de imediato no mundo do trabalho como docente e nunca mais lhe faltaram oportunidades, que seria não só fastidioso como mesmo impossível aqui enumerar por manifesta falta de espaço, para singrar na zona dos rendimentos crescentes.

Significa isto que a personagem em causa só conhece – se é que conhece – por ouvir dizer que há «pessoas que têm a quarta classe, e que começaram a trabalhar aos 10 ou 11 anos, e estão hoje nos 60 e poucos anos, e que estão na zona dos rendimentos decrescentes». Ao cidadão comum talvez ocorresse perguntar que raio de justiça social é esta que tal permite; ou por que é que 40 anos de democracia não abriram as portas do conhecimento e da formação aos que começaram a trabalhar quando deviam estar na escola; ou...

Mas isso são contas de outro rosário que não o do expert em causa, mais preocupado em chutar os «velhos» mal pagos e sem formação para dar lugar a jovens no desemprego, capazes de fazer mais pelo mesmo salário de miséria. É preciso «encontrar formas adequadas de pré-pensionamento», diz, para descartar de vez os que «hoje frequentam sobretudo os centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária». Porque já não dão lucro e quem lhes roeu a carne não aprecia ossos, evidentemente. É o que se chama ter elevação...

Ah, quase me esquecia: de quem aqui se fala é de Carlos Costa, para além de tudo o mais governador do Banco de Portugal. Ditosa pátria que tais filhos tem...




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