Onde a política de direita entra, estraga e destrói
Acção nacional do PCP por todo o País
Afirmar a alternativa patriótica<br> e de esquerda

Foi num ambiente de grande alegria e combatividade que o Secretário-Geral do PCP participou, dia 3, em Braga, no comício «Por uma política Patriótica e de Esquerda – A Força do Povo por um Portugal com futuro».

Após a realização de mais uma extraordinária edição da Festa do Avante!, militantes e amigos do PCP juntaram-se no auditório do Instituto Português do Desporto e da Juventude para dar arranque, em Braga, à acção nacional do Partido. Ao mesmo tempo, e um dia antes do lançamento (no comício de sábado na Quinta da Atalaia) da campanha de fundos para a aquisição da Quinta do Cabo, ficou o compromisso de um grande empenho dos militantes e simpatizantes do PCP no distrito em torno desta iniciativa.

Depois de um animado momento musical, que encorajou os presentes e aqueceu o ambiente, seguiram-se as intervenções, a cargo de Eduardo Braga, da JCP, da deputada do PCP eleita pelo distrito, Carla Cruz, e do Secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa. Este sublinhou que, passados 100 dias desde a anunciada «saída» da troika, o ciclo de empobrecimento não só continua como se «acentua a desorganização e a desestabilização da nossa vida colectiva em todos os domínios». A política de direita praticada desde há décadas por PS, PSD e CDS «onde entra e onde toca estraga e enterra mais o País», salientou, lembrando que ela foi dirigida à restauração dos grandes grupos económicos e financeiros e ao reforço do domínio e do poder do capital monopolista.

Como exemplo, Jerónimo de Sousa referiu o sector do leite, que tanto diz ao distrito de Braga e que, em Portugal, onde hoje existem menos de sete mil produtores, existiam antes 80 mil, chegando notícias todos os dias sobre os perigos que pairam sobre a produção leiteira, por causa do fim das quotas na União Europeia. Falou, ainda, dos milhares que são empurrados para a emigração ou que vão engrossando o desemprego, criticando igualmente os que dizem que a economia está em recuperação, ao mesmo tempo que não cessam os encerramentos, as novas rescisões e despedimentos colectivos de grande dimensão, como na semana passada se anunciava na Moviflor ou no Banco Barclays e que, pelo distrito, se têm vindo a suceder: na Moritex, mais 100 trabalhadores foram para o desemprego; na Filobranca, que há pouco tempo encerrou, com mais de 150 trabalhadores; ou como no Call Center da Vodafone, onde o processo de rescisões continua.

Caminho soberano

Reagindo ao anúncio do Governo sobre o processo de colocação dos professores, Jerónimo de Sousa afirmou que ainda «recentemente, o ministro da Educação, como se tivesse de repente um rebate de coração, pediu desculpa, disse que ia corrigir o erro da fórmula matemática usada para fazer as listas de colocação de docentes». Afinal, notou, ficou-se entretanto a saber que os erros não só não foram corrigidos como o problema se agravou: com esta medida, alertou o Secretário-geral do Partido, «centenas de professores já colocados podem correr o risco de voltarem ao desemprego, depois de se terem deslocado para a zona da nova escola, de terem mudado a sua vida». Face a isto, o ministro, «num acto de cobardia política, passou o problema para os directores das escolas», acusou.

Somando isto à situação caótica da Justiça, num País que, fruto da política de direita, está mais pobre e mais injusto, o Secretário-Geral do PCP encerrou o comício com a certeza de que urge romper com este rumo, demitir este Governo e lutar por uma alternativa patriótica e de esquerda. É este, garantiu, o caminho para construir um País mais justo, mais solidário e mais desenvolvido, «afirmando a sua independência e a sua soberania na concretização do seu próprio destino».


Almoço na Marinha Grande junta 600
Construir caminhos de futuro

Na Marinha Grande, mais de 600 participaram, no domingo, no almoço do PCP inserido na acção nacional que visa afirmar os eixos fundamentais da política alternativa patriótica e de esquerda. Na ocasião, comentando o discurso de Cavaco Silva nas cerimónias oficiais do 5 de Outubro, Jerónimo de Sousa considerou «espantoso» que num dos feriados roubados pelo Governo, com a anuência do Presidente da República, o chefe de Estado venha agora falar «sem dizer uma palavra sobre os dramas dos portugueses», como o desemprego ou o empobrecimento.

Para o Secretário-geral do Partido, não é com a «democracia» que os portugueses estão descontentes, como afirmou Cavaco Silva. Estão, sim, com aqueles que no Governo, «juntos ou à vez, lhes têm infernizado a vida»; estão descontentes, sim, por verem o Presidente da República a ser um ajudante desse Governo e da sua política, não assumindo o juramento que fez de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e o projecto de democracia que ela consagra.

Jerónimo de Sousa acusou ainda o Presidente da República por ter vindo, uma vez mais, dar «uma mãozinha» para tentar salvar a política de direita, apelando a que PS, PSD e CDS se juntem e se comprometam a prosseguir e intensificar esta «política falhada e desgraçada». Na qual, lembrou, Cavaco Silva tem grandes responsabilidades.

Valorizando o projecto de resolução apresentado dias antes na Assembleia da República pelo Grupo Parlamentar do Partido – contendo a proposta tripartida e integrada de renegociação da dívida, preparação do País para uma saída do euro e controlo público da banca –, o dirigente comunista reafirmou que Portugal «não está condenado à inevitabilidade de prosseguir as mesmas políticas e o mesmo caminho que conduziram o País ao atraso». Pelo contrário, garantiu, há alternativas. E foi precisamente para as debater e construir «com os portugueses, com o conjunto do País», que o PCP lançou esta acção nacional, acrescentou.

No almoço interveio também Filipe Andrade, da Direcção da Organização Regional de Leiria do PCP, que reafirmou a necessidade de intensificar o reforço da organização partidária e valorizou os passos já dados no concelho da Marinha Grande: «Precisamos de um Partido mais forte para responder ao aumento brutal da exploração, à destruição de postos de trabalho, à redução dos rendimentos, ao ataque aos direitos, ao agravamento das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores», sublinhou, garantindo que a luta de classes, «que muitos dizem ter terminado, agudizou-se no distrito». 




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