Renegociar a dívida, saída do euro, controlo público da banca
Olha o papão...

A pouca seriedade com que os partidos da maioria encararam este debate ficou patente em intervenções como a do deputado do PSD Carlos Costa Neves. Ao cenário dantesco que traçou para o País face à hipótese de uma saída do euro só faltou juntar-lhe «peste, fome e guerra».

O deputado comunista António Filipe definiu por isso a intervenção como uma «catilinária grotesca» e acusou a bancada laranja de não ter dado «qualquer argumento sério» nem «qualquer contributo sério para o debate».

Considerou, aliás, que o PSD encara a União Europeia como um «dogma que não se discute». E comentando o que acabara de ouvir do principal partido que suporta o Governo, admitiu que «vivemos no paraíso e não sabemos». Mais, viu naquela descrição «um insulto grave a todos os países da União Europeia que não querem estar no euro». «São contra os direitos humanos, contra os direitos fundamentais, contra o Estado de direito, não têm Internet, não têm água nas torneiras...», ironizou António Filipe, antes de perguntar se acaso países como a Grã-Bretanha, a Dinamarca, a Suécia estão orgulhosamente sós.

«Ó senhor deputado, quem está orgulhosamente só são os países da zona euro, porque todos os outros países do mundo têm unidades monetárias próprias e soberanas», sustentou.

Ainda sobre o «cenário de terror» antevisto pelo deputado do PSD, António Filipe observou ter-lhe parecido que tal descrição – desemprego, perda do poder de compra, cortes nos rendimentos, emigração – correspondia na perfeição ao quadro actual em que temos vivido.

«Esta é a situação do País e o que importa é saber o que nos conduziu a ela e quais os seus responsáveis, nomeadamente quanto às opções do euro-entusiasmo, à aceitação irresponsável e acéfala de tudo o que vem da UE, e à submissão ao euro, sem querer consultar a vontade soberana do povo», insistiu o deputado comunista, sublinhando que esse balanço – como a constatação de que nossa economia nunca mais voltou a crescer desde a adesão à UEM – é que os partidos da maioria deveriam fazer. «Esse balanço e as medidas necessárias para responder a isso», concluiu.

 



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